Casas de bingo se espalham pela região
Casas de bingo se espalham pela região
O número de casas de bingo vêm aumentando consideravelmente no Brasil todo de uns cinco anos para cá, apropriando-se dos espaços normalmente ocupados por igrejas evangélicas e cinemas. Em Mauá, cidade do ABC paulista com, aproximadamente, 400 mil habitantes, por exemplo, há cerca de dois anos, o único cinema transformou-se num bingo.
Essa proliferação se deve à entrada em vigor da lei número 8.672, de julho de 1993, que regulamenta o funcionamento dos bingos, vinculando-o ao repasse de uma parte da renda obtida a ligas de futebol ou clubes que desenvolvam atividades esportivas.
A obtenção do alvará de funcionamento só
é obtida após o parecer do Departamento de Uso e Ocupação de Solo das prefeituras, em conjunto com o Corpo de Bombeiros, que inspecionam a segurança do local. Passa, também, pelo setor de cadastro imobiliário e, mais tarde, pelo Instiruto Nacional de Desenvolvimento do Esporte
(Indesp), responsável pelo credenciamento da entidade esportiva a que estará vinculada a casa de jogos.
Em Bauru já são dois estabelecimentos e, em breve, outros dois estarão atendendo na região central da cidade. De acordo com os proprietários das casas que estão em funcionamento, essa modalidade de jogo é a mais antiga do mundo. "O bingo começou na Espanha, onde continua muito popular. Lá existem casas lindíssimas, que chegam a ser freqüentadas por pessoas em trajes de gala", esclareceram.
Por aqui, o perfil socio-cultural do jogador é bem variado:
"O público está entre as pessoas mais humildes e aquelas que já estão numa situação financeira mais tranqüila", explicou o gerente administrativo dos bingos Plaza e Royal, Régis Coelho da Silva, 32 anos.
"Pode-se dizer que cerca de 80% dos freqüentadores fazem parte da chamada terceira idade, mas os jovens, por exemplo, têm muito interesse no bingo eletrônico. Casais e famílias inteiras também marcam presença", disse.
Esses dois bingos empregam, juntos, cerca de 50 funcionários na área de vendas, operacional, caixa, limpeza e segurança, dentre outras. Segundo Silva, a abertura de outros dois bingos na cidade, "sem dúvida", vai dividir o público, mas, "com certeza" vai gerar mais postos de trabalho e opção diferenciada de lazer para os bauruenses.
"A competição vai estar no atendimento. Além disso, contamos com a fidelidade dos nossos clientes", avaliou.
Tecnologia
O jogo, habitual em quermesses e confraternizações em geral, ainda consiste na marcação dos números sorteados pelo locutor numa cartela contendo 90 números no total. A diferença, agora, é que não existe manipulação direta das bolas, porque o sorteio é realizado pela pipoqueira, uma máquina controlada por computador. Os resultados aparecem em painéis e monitores de televisão espalhados pelo salão. O computador pode, também, ser utilizado para a marcação, dispensando o uso de papel e caneta.
Outra novidade é a sala de bingo eletrônico, provida de máquinas onde são inseridas fichas de R$ 0,25 ou notas de diversos valores. O jogador escolhe as cartelas através da tela, acionando, em seguida, um botão que vai sortear as bolas premiadas. Acertando uma linha inteira ou conseguindo o bingo (cartela cheia), recebe o valor do prêmio em moedas de R$ 0,25, que podem ser trocadas na saída do estabelecimento por dinheiro vivo.
As casas de bingo diferem da brincadeira convencional em outro aspecto: o locutor é proibido, por lei, de se utilizar dos conhecidos "apelidos" dados aos números, como "dois patinhos na lagoa", para o 22, "idade de Cristo", para 33 e "boa idéia" para 51.
Freqüentadores jogam por diversão (*sugestão: fotinho com declaração perto*)
Os freqüentadores de bingos entrevistados pela reportagem do JC garantiram manter pleno controle quando jogam. E mais, são todos favoráveis à legalização de outros tipos de jogos, como os cassinos, desde que seriamente fiscalizados. Muitos deles aceitaram conversar, mas preferiram aparecer com nome fictício e/ou não serem fotografados. Veja alguns depoimentos:
José Antônio Rodrigues, 42 anos, gerente de custos gráficos: "Ganhei R$ 12.500,00 em novembro do ano passado. De acordo com o pessoal da casa, foi o maior prêmio conseguido em bingos eletrônicos no Brasil todo. Costumo dizer que foi uma fatalidade, porque nem tinha me programado para ir até lá"
José Bonifácio das Neves, 55 anos, vendedor:
"Prefiro o bingo eletrônico porque é mais dinâmico. Quanto à minha família, ela reclama um pouco porque passo, praticamente, só uma semana do mês em Bauru, já que trabalho viajando. Mas sou bem controlado"
Maria Tereza Zuiani Rodrigues, não revelou idade, aposentada:
"Venho quase toda noite e passo cerca de três horas aqui. Essa foi a maneira que encontrei para me distrair, pois sou viúva e meu único filho é casado"
Luís Neves, 52 anos, propagandista e vendedor: "Jogar
é bom para liberar a tensão, mas tem um limite: sei que á hora de ir embora quando perco R$ 20,00"
Cátia Mendes*, 43 anos, empresária: "Jogar já foi uma necessidade, hoje não é mais. Encaro como diversão, embora conheça muita gente que perdeu tudo jogando. Acho que ainda existe muito preconceito, porque as pessoas taxam todo jogador como viciado"
Mauro Fernandes*, 37 anos, microempresário: "Encaro o bingo como um passatempo, não uma fonte de ganho. Quando o objetivo é esse, perde-se muito. Prefiro jogar através do computador, com o qual já estou habituado, porque é mais prático"
Nota: o asterisco (*) refere-se aos nomes fictícios
Vício pode ser considerado neurose, segundo psicoterapeuta
A psicoterapeuta e professora da Universidade Estadual Paulista
(Unesp), Carmen Maria Bueno Neme, 45 anos, disse que a compulsão pelos jogos em geral, bebida, comida e até mesmo trabalho pode ser considerada como um comportamento neurótico, devendo ser tratado como tal.
"Muitas vezes, na ânsia de preencher um vazio existencial, a pessoa procura uma válvula de escape, chegando a perder o controle das situações, tornando-se compulsiva. Nós sabemos que, tudo o que é demais, em qualquer
área, é prejudicial", alertou.
De acordo com Carmen, as pessoas mais vulneráveis a esse tipo de comportamento são aquelas com dificuldade de enfrentar a vida de outra forma e de externar suas angústias e ansiedades.
"Esse é um aspecto da personalidade que fica imaturo. Momentaneamente, os objetos de fuga proporcionam prazer, ao mesmo tempo que geram um processo de ansiedade e culpa, culminando em depressão. Eles acabam comprometendo a vida da pessoa, que busca sempre mais", explicou.
A psicoterapeuta fez questão de salientar, entretanto, que o problema só começa quando a diversão dá lugar ao vício. "Não existe mal nenhum em freqüentar casas de bingo para se distrair um pouco. Eu mesma já visitei uma e gostei muito", finalizou.
Regulamento para premiação no bingo permanente
O prêmio de linha só será válido quando:
1. Anunciados pelo locutor(a) os cinco números de uma das três linhas horizontais da cartela
2. Anunciado pelo participante em voz alta e clara a palavra linha
3. Conferido pelo chefe de mesa a cartela e verificado se a linha está correta
Nota: Após sorteado o prêmio de linha, corre automaticamente o prêmio de bingo. O prêmio de bingo só será válido quando:
1. Anunciado pelo locutor(a) os quinze números da cartela
2. Anunciado pelo participante em voz alta e clara a palavra bingo
3. Conferido pelo chefe de mesa a cartela e verificado se o bingo está correto
4. Configura-se o bingo acumulado caso ocorra o bingo até o quadragésimo número sorteado. O(s) ganhador(es) receberá(ão) ambos os prêmios
(bingo + acumulado).
O prêmio de linha ou bingo e ou bingo e ou bingo + acumulado será dividido em partes iguais pelo número de ganhadores.