Cerca de 60% dos camelôs diexam as ruas
Cerca de 60% camelôs deixam as ruas
O número de camelôs no centro de Bauru, ontem, era visivelmente menor em comparação a dias anteriores e havia até mais espaço nas calçadas para caminhar. A redução dos ambulantes é devido
à Operação Pirata, realizada em conjunto pelas delegacias de Bauru três dias, e que apreendeu cerca de 8.500 CDs e fitas.
Pelos cálculos do presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal de Bauru (Sinteib), Mário Augusto dos Santos, 51 anos, aproximadamente 60% dos ambulantes não trabalharam desde a realização da operação por falta de materiais para vender. "Teve gente que chegou a perder 400 CDs de uma só vez", disse Santos.
"O cerco da polícia foi espetacular. Não deu tempo nem de suspirar, porque eles apareceram por todos os lados". O presidente do Sinteib fez questão, no entanto, de deixar claro que o trabalho da polícia foi absolutamente legal,
"sem truculência".
Segundo ele, as pessoas que tiveram mercadorias apreendidas já estão "dando um jeito" de conseguir dinheiro, através de empréstimos, para comprar outros artigos, mas não devem insistir na idéia de vender objetos proibidos por lei.
Santos qualificou a perda de materiais como "lamentável", mas avisou que os camelôs sabiam da proibição quanto à venda de CDs e fitas K-7 há muito tempo.
"Acho legítimo que os artistas lutem pelos direitos autorais e que haja fiscalização, embora me deixe indignado o fato de várias lojas de R$ 1,99 venderem os mesmos produtos e nada acontecer com elas", protestou.
Leontina Pereira da Silva, 43 anos, camelô há dez, por exemplo, confirmou as duas colocações. "É proibido, mas todo mundo vende, inclusive essas lojas populares. A gente sabe do risco de ser pego pela fiscalização, só que esse é nosso meio de sobreviver", desabafou. Leontina disse, ainda, que os CDs e as fitas não são os produtos que mais dão lucro, mas que a banca precisa de variedade.
Os camelôs que tiveram suas mercadorias apreendidas não foram autuados por violação de direitos autorais, punição prevista no Código Penal com pena de prisão, mas serão chamados novamente a depor nos próximos dias.