04 de março de 2026
Geral

Inflação

Mõrcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 5 min

Consumidor é a rpincipal arma contra a inflação

Consumidor é a principal arma contra inflação

Texto: Márcia Buzalaf

Compras do mês, calculadoras acompanhando as compras, lista dos essenciais e folheto de ofertas. O arsenal está montado para a defesa com as próprias mãos de cada consumidor brasileiro. De economistas a mães de família, do Procon aos ministros: a ordem da vez é não comprar. As donas de casa de Minas Gerais já se organizaram. Alguns supermercados já começaram o boicote a algumas marcas. E você, o que pode fazer pelo seu país?

O leite já está derramado. O que resta, agora, é achar a melhor forma de enxugá-lo, sem que nenhuma parte sofra prejuízos insustentáveis. Por este motivo, a melhor forma de tentar se salvar e ter a noção de coletividade que o governo federal abandonou é exigindo respeito e pagando o preço justo por cada ítem comprado.

É claro que muitos produtos, de fato, aumentaram de preço pela alta do dólar, já que se acostumaram a usar grande parte de sua matéria-prima importada. Também deve-se levar em conta que alguns aumentos são indevidos, como alerta o advogado do Procon, órgão de defesa do consumidor, ligado à Secretaria Municipal do Bem Estar Social (Sebes) de Bauru, Luiz Alan Barbosa Moreira, 44 anos. Segundo ele, é proibido, pelo Código de Defesa do Consumidor, o aumento abusivo de preços sem justificativa.

A indústria reclama do aumento dos impostos - o que, de fato, onera ainda mais o orçamento. Mesmo assim, para a situação não sair fora do controle, o consumidor não deve fazer muitas compras, ou seja, deve deixar a demanda ficar reprimida para não haver alta da inflação. Esta é a opinião do economista e consultor financeiro, Carlos Roberto Sette, 49 anos, quando estima uma inflação que deve girar em torno de 8% a 9% este ano. "É uma previsão otimista", alerta Sette.

Ele diz que estes números correspondem a uma inflação de custo, ou seja, aquela alta de preços estimulada pelo aumento de custo da produção - não do consumo.

É por este motivo que Sette alerta que o consumidor deve evitar ao máximo as prestações, principalmente se houver a possibilidade de atrasar alguma delas. Veja o que ele e o advogado do Procon orientam para que o consumidor aja corretamente neste momento tão importante da economia:

- Preços

A pesquisa, como já se sabe, é o melhor caminho para fazer as compras. Com o horário de funcionamento dos supermercados mais flexível, o consumidor pode optar, até, por fazer compras mais espaçadas ou as compras de mês, que ganharam fama e espaço na época da inflação galopantes.

Dessa forma, fica mais fácil deixar de comprar alguns produtos supérfluos, de conter despesas, dinheiro e tempo. Sette afirma que, no orçamento familiar, a pesquisa e a compra mais espaçada pode significar uma grande economia no final do mês.

Barbosa afirma que os consumidores que quiserem colaborar, devem até alertar os outros consumidores que determinado produto está com o preço alto. Ligar, antes de sair às compras, também é uma boa opção. E, de caneta, bloquinho e calculadora na mão, vai se vivendo.

- Promoções

Os produtos em promoção também merecem atenção especial. Segundo Barbosa, muitos frios em promoção estão próximos do prazo de validade, o que deve ser um alerta para os consumidores.

Outra queixa freqüente dos consumidores é que o preço da promoção, algumas vezes, pode não ser tão barato assim. Neste caso, o Procon pode agir. Depois de uma denúncia ao órgão, o estabelecimento comercial é procurado pelo Procon com a obrigação de se retratar e alterar o preço do produto. A empresa pode receber uma multa de até R$ 3 milhões por propaganda enganosa se for reincidente.

- À vista

Os preços de combustível à prazo também estão muito altos, segundo Sette. Ele afirma que, com os mesmos R$ 10,00, você consegue cerca de 18% a mais de gasolina no preço à vista do que se tivesse comprado à prazo.

Sette acredita que os preços dos produtos ainda não estão estabilizados. Ele afirma que, com o aumento de custos na indústria brasileira, os preços ainda vão passar por uma fase de adaptação, já que o consumo pequeno puxa para baixo os preços finais.

O Procon aconselha os consumidores a anotarem no produto o preço cobrado. Dessa forma, da próxima vez, fica mais fácil verificar se o preço subiu.

- Prestações

Tentar ao máximo não adquirir prestações nem atrasar nenhuma dívida é a orientação do Procon e do economista. Isso porque os juros cobrados estão bastante altos.

A melhor saída, Sette diz, é investir o dinheiro em algum tipo de aplicação financeira, que, com a alta de juros, deve render um pouco mais nos próximos meses. Sette orienta os CDBs ou mesmo a poupança.

A orientação de Barbosa, do Procon, é que, se tiver a necessidade de comprar em prestações, que se opte por, no máximo, quatro parcelas, sendo uma entrada e três parcelas fixas.

- Atrasos

Para parcelas que já estão em atraso ou prestações lastreadas em dólar e que tiveram grande alta, só há uma saída: negociar. Barbosa alerta que a Justiça, geralmente, demora bastante para julgar casos que podem - e devem

- ser negociados.

Os agentes financiadores, na opinião de Barbosa, é que deveriam ter tomado a iniciativa de abrir um diálogo. Segundo ele, são os financiadores que terão maior prejuízo se os consumidores não tiverem como pagar suas prestações.

Barbosa também diz que o leasing, de uns tempos para cá, se tornou uma compra a prazo. Na verdade, ele

é um arrendamento mercantil, que, quando levado a condição de venda, pode triplicar o valor do bem.

Epílogo

De acordo com os consultados, tudo é questão de costume. Se o brasileiro lembrar que há diferença grandes de um para outro produto, podem, sim, defender seu próprio bolso e colaborar com a coletividade.

O preço dos remédios, por exemplo, é um grande problema na opinião de Sette. Ele diz que esta questão

é responsabilidade do governo federal, já que é difícil trocar os produtos indicados para determinadas doenças.

Para Sette, o laissez-faire (o "deixe estar" da economia de mercado) termina quando o produto a ser comercializado

é popular e quando o Estado não consegue cumprir o papel que lhe foi designado.

Isso reforça e idéia de que, entre a teoria e a prática, existe um abismo. De novo: e você, o que vai fazer pelo seu país?