17 de março de 2026
Geral

Exportações

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

Câmbio favorece exportadores parcilamente

Câmbio favorece exportadores parcialmente

Texto: Paulo Toledo

Os exportadores brasileiros estão animados com o ganho de competitividade que os produtos brasileiros de exportação terão com a desvalorização do real frente ao dólar. Porém, previne Ricardo Marque Coube, 45 anos, diretor estadual do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), os ganhos obtidos pelas empresas não serão espetaculares, como muitos projetam. Para ele, é preciso lembrar que haverá uma alta de custos, que vai reduzir esses ganhos.

Coube afirma que a alteração da política cambial libera uma âncora que estava represada e isso, aparentemente, significa um certo alívio para as empresas que tinham no fator câmbio situações que estavam restringindo ou dificultando as ações de comércio exterior.

Por outro lado, o diretor do Ciesp lembra que, acompanhando isso, há um acréscimo de custos a curto prazo. A projeção

é de que esses reajustes devam chegar a patamares entre 10% e 15%, também em função dos aumentos que vão ter os insumos (matérias-primas) importados. O que aparenta ser um negócio extremamente atraente, na prática, assentada a poeira do efeito desse processo, deve haver uma melhora para quem exporta, mas não na proporção aparente. "Não vai ser com um super lucro, nem uma margem fantástica. Vai melhorar a exportação, mas os custos também vão aumentar, de tal forma que, isso gera um certo conforto, mas numa proporção bem menor do que aparenta ser em função dessa grande desvalorização do real neste instante", afirmou.

Coube disse que, para quem exporta, o dólar mais valorizado, realmente, vai representar um alívio e maior competitividade. Algumas empresas exportadoras, que faziam um enorme sacrifício para manter contratos vão ter uma folga maior, além da abertura de novos negócios. "Produtos que tinham tradição de exportação, no passado, e estavam sem poder exportar, por razões de preço, como no setor de papel e celulose, vão voltar a exportar, pois temos qualidade e tradição, o que facilita o trabalho desses setores", afirmou.

O diretor do Ciesp disse que há um outro aspecto interessante na valorização do dólar: muitos produtos que vinham sendo importados, tomando lugar dos fabricados no País, perdem a competitividade e poderão reativar as empresas nacionais, como deve ocorrer no setor de confecção e calçadista. "O setor de confecções deverá ressurgir das cinzas e voltar a ser forte aqui dentro, com a matéria-prima brasileira. Esse setor foi bastante reprimido pelas importações de produtos a preços baixíssimos vindos da China e da Ásia em geral", destacou.

Coube destaca que tudo isso é um processo lento. Segundo ele, dentro das oportunidades de cada um, os empresários já buscam opções de exportação. Porém, o reflexo só ocorrerá em alguns meses.

Para o líder empresarial, os próximos 90 dias serão decisivos, pois será a fase mais aguda para o setor produtivo e que o setor governamental terá que buscar meios para evitar que os fatores econômicos não fujam de controle.

"Se chegarmos vivos até lá, as coisas poderão se arrumar. Se tivermos uma bolha de inflação e, depois, se estabilizar; se o câmbio ficar em patamar razoável, em torno de R$ 1,60; se as taxas de juros começarem a cair; e se o governo conseguir melhorar sua credibilidade e imagem, tanto interna como externamente, depois de 90 dias os sobreviventes deverão ter mais tranqüilidade para trabalhar", afirmou.

Tilibra projeta crescimento nas vendas

A Tilibra, a terceira maior fabricante de cadernos da América Latina e primeira do Brasil, projeta um reflexo positivo nas suas exportações. Em 98, as vendas para os Estados Unidos representaram 70% do faturamento externo da empresa, em razão de uma fábrica da Indonésia, a maior exportadora de cadernos do mundo, ter sofrido com um grande incêndio, ocorrido em 97. Porém, neste ano, o índice dos EUA deverá atingir um patamar de 50%, em razão do crescimento das vendas na América Latina e do retorno à atividade da empresa da Indonésia. A Tilibra mantém uma boa certeira de vendas para aquele país, apesar de inferior

à do ano passado.

Caio Coube, 41 anos, diretor-superintendente da Tilibra, disse que as agendas e cadernos da empresa encontraram uma receptividade muito boa, tanto nos países vizinhos, como nos Estados Unidos. Agora, com o atrativo dos preços, que ganham competitividade com a desvalorização do real, deverá ocorrer um crescimento nas vendas externas. A Tilibra-Argentina, em seu terceiro ano, e a Tilibra-Chile, que está iniciando atividades, são canais que podem fortalecer as comercializações.

Graças aos Estados Unidos, no ano passado, a Tilibra bateu seu recorde histórico de vendas externas, atingindo um faturamento de US$ 12 milhões. Porém, para 99, a projeção é de um faturamento externo em torno de US$ 10 milhões. Nos EUA, a competição

é muito "feroz", contando com concorrentes locais e internacionais, já que é um mercado muito grande que, apesar dos preços baixos é muito atrativo, em razão do grande volume exigido.

Mesmo assim, os US$ 10 milhões projetados são considerados um excelente resultado. Para se ter uma idéia, em 1996, a Tilibra faturou US$ 3,7 milhões com as vendas externas. No ano seguinte, foram US$ 7 milhões, num crescimento de 53%. Em 98, foram US$ 12 milhões, mas com a sazonalidade já explicada.

Caio Coube revelou que a Tilibra está ganhando espaço no mercado de cadernos da Argentina, com a obtenção de várias licenças exclusivas, como dos times de futebol "Boca Juniors", "River Plate", dos Looney Tunes, personagens Disney. "Estamos entrando em toda a rede de autoserviço da Argentina. Agora, os negócios naquele país deve dar uma deslanchada significativa", afirma.

Porém, o sucesso na Argentina não se deve à questão da taxa de câmbio, pois mesmo antes a Tilibra já vinha obtendo um ótimo desempenho. Porém, a desvalorização do real será um componente, pois dará mais competitividade de preços para a empresa bauruense. (PT)