04 de março de 2026
Geral

Transfusão de sangue

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Auto-transfusão é uma opção segura para cirurgias que não têm urgência

Auto-transfusão é uma opção segura para cirurgias que não têm urgência

Texto: Sabrina Magalhães

Em geral, o sangue recebido é igual ao do paciente, mas existem grupos considerados doadores universais e grupos que são receptores universais

Os pacientes que vão se submeter a cirurgias estéticas ou sem urgência têm uma alternativa bastante segura para a suplementação de sangue: a auto-transfusão, ou seja, a doação de sangue para si mesmo. "Vamos supor que o paciente vá fazer uma retirada de útero ou uma correção ortopédica. Sua taxa de hemoglobina está normal e ele está em perfeitas condições de saúde. O médico diz que ele pode, eventualmente, precisar de algumas unidades de sangue durante a cirurgia. Então, ele pode coletar e armazenar seu próprio sangue para esse procedimento."

Telma Freitas, hematologista, destacou que com cerca de 21 dias de antecedência, a pessoa pode procurar o banco de sangue e coletar uma unidade, que vai ser identificada e armazenada separadamente das doações. Ela então vai tomar uma suplementação de ferro, para acelerar a produção dos glóbulos vermelhos e, sete dias antes da cirurgia, ela coleta outra unidade.

"É possível retirar até três unidades a partir de um mês antes da cirurgia (tempo em que o sangue pode ser armazenado) e no momento da operação, se necessário, você tem o seu sangue à sua disposição.

É um jeito de se preparar para um ato cirúrgico, que muitos cirurgiões recomendam, evitando os riscos de contaminação por um sangue de outra pessoa."

Ela comentou, ainda, que sempre há a possibilidade desse sangue não ser utilizado, então, na hora de fazer a coleta, o paciente pode optar também pela doação. Ele passa por todas as exigências da Vigilância Sanitária, como entrevista e exames sorológicos e, se o sangue estiver em boas condições e não for utilizado na cirurgia do paciente, o material é processado e disponibilizado para doação normal, ou seja, além de se prevenir, ele pode ajudar alguém.

Doador ou receptor universal?

De maneira geral, quando um paciente necessita de uma transfusão, ele recebe sangue do mesmo tipo do seu. Porém, existem alguns grupos que podem se ligar a outros sem o risco de rejeição, como explica a hemoterapeuta Telma Freitas.

"O grupo O pode ser dado a qualquer um dos outros grupos, porque ele não tem um antígeno de identificação, então, nem o grupo A nem o B podem formar anticorpos contra O. Assim, A, B ou AB podem receber O. Uma ressalva que se faz

é que quem é fator Rh- não pode receber sangue de Rh+. Por isso, considera-se o tipo sangüíneo O- o doador universal: qualquer pessoa pode recebê-lo em transfusão. Da mesma forma, existe um grupo sangüíneo que pode receber qualquer tipo sangüíneo sem restrições.

É o AB: ele é formado de A e B, portanto, não tem anticorpos nem contra A, nem contra B e aceita O, que não pode ser identificado como substância estranha por não ter antígenos, ou seja, para o grupo AB, qualquer tipo de doação é bem vinda. A única observação que se faz é, também, quanto ao fator Rh. Quem é Rh- não pode receber sangue Rh+. Por isso, dizemos que o tipo sangüíneo AB+ é o receptor Universal. Ele aceita A+, A-, B+, B-, AB+, AB-, O+ e O-."

Sangue raro

De acordo com a hematologista, apesar de ser doador universal, o tipo O- é muito raro na nossa população. Estima-se que haja apenas 10% da população neste grupo, o que faz dele o sangue mais raro em todos os bancos de sangue. "O problema é que o grupo O é extremamente egocêntrico. Ele tem anticorpo contra A e contra B, portanto, só aceita receber sangue tipo O. A situação fica ainda mais complicada quando o indivíduo é O-, porque o fator negativo só aceita negativo, ou seja, o O-, que é doador universal, só recebe de O-. Este paciente é considerado um caso complexo, porque por ser raro, o sangue O- nunca está sobrando nos estoques dos hemonúcleos. Então, quando aparece um doador O- a gente faz até festa, porque é dificílimo." Ela lembra, no entanto, que a tipagem é hereditária, então um paciente O- sempre tem familiares O-. Só que nem todos podem ou querem doar, o que, muitas vezes, acaba obrigando a família a recorrer às campanhas de doação de urgência.