04 de março de 2026
Geral

Funções do sangue

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Sangue: veículo de oxigênio e nutrientes

Sangue: veículo de oxigênio e nutrientes

Texto: Sabrina Magalhães

Calcula-se que um coração bombeie, até os 60 anos, 200 mil toneladas de sangue, fazendo-o percorrer aproximadamente 100 mil Km de veias e artérias

A principal função do sangue no organismo é a de transporte: ele sai do coração, passa pelos pulmões, "carrega-se" de oxigênio e volta ao coração, de onde é bombeado para todos os outros pontos do corpo, percorrendo aproximadamente 100 mil quilômetros de veias, artérias e capilares. No caminho, ele passa pelo aparelho digestivo, onde recebe os nutrientes ingeridos e já processados. Em seu trajeto, vai deixando oxigênio e nutrientes e pegando os "restos" - as toxinas produzidas nas células. Já quase sem oxigênio, volta ao coração e de lá ao pulmão, onde faz a troca: deixa a "sujeira" e recebe outra dose de oxigênio. Calcula-se que ao atingir os 60 anos de idade, um coração já tenha bombeado cerca de 200 mil toneladas de sangue, uma quantidade enorme comparada ao volume de água de um pequeno lago.

Este fluido corporal tão importante é constituído de várias substâncias, sendo as principais os glóbulos vermelhos (que atraem e carregam oxigênio), os glóbulos brancos (que fazem a defesa do organismo a agentes invasores), as plaquetas (que garantem a coagulação do sangue quando exposto ao ar) e o plasma (parque líquida que carrega todos estes componentes e preteínas). "Qualquer falha em qualquer um desses elementos leva à doença", explica a hematologista Telma Cristina de Freitas.

Segundo ela, a diminuição dos glóbulos vermelhos

(hemáceas), por exemplo, resulta num quadro de anemia, que pode variar de leve a profunda, quando representa risco de morte ao indivíduo. Esta diminuição pode ocorrer pela perda de sangue em hemorragias, pela carência de elementos essenciais no organismo (ferro, ácido fólico, vitamina B12) ou por doenças genéticas, como a leucemia, em que um invasor domina a medula óssea, a fábrica de sangue, fazendo cair a produção das hemáceas. Sendo elas as responsáveis por "carregar" as moléculas de oxigênio, sua diminuição deixa as células debilitadas.

Já os glóbulos brancos protegem o organismo contra as infecções de todo tipo, reconhecendo e extinguindo qualquer substância estranha. É neste ponto que o vírus HIV, causador a aids, ataca - em tipos específicos de linfócitos - enfraquecendo o sistema imunológico e deixando a pessoa sensível a qualquer tipo de doença, até infecções conhecidas como doença infantil, como é o caso do sapinho.

Quanto às plaquetas, seu trabalho principal é promover a coagulação do sangue em pouco tempo, quando exposto ao ar, em situações de hemorragias internas ou por cortes profundos. A falta delas faz com que o sangue continue saindo, o que causa sérios prejuízos ao paciente.

Tipagem

"Há muitos anos, quando se começou a perceber que a falta de sangue levava o indivíduo à doença, o homem começou a tentar resolver o problema. A primeira solução foi a mais empírica possível: tirar sangue de um e colocar no outro. Só que em pouco tempo, notou-se que em alguns casos as pessoas entravam em estado de choque e morriam. As mortes levaram o homem e suspender as transfusões e pesquisar, até que foram encontradas diferenças de um sangue para outro, dificindo-os em grupos sangüíneos", destacou Freitas.

A partir daí, foram identificados os tipos de sangue A, B, AB e O. Mais tarde, outros testes mostraram que os glóbulos vermelhos poderiam ou não apresentar uma substância chamada fator Rh (derivado do nome do macado Rhesus, em cujo sangue o fator foi descoberto). Cerca de 85% das pessoas têm este fator, sendo, portanto, Rh+ (positivo). Nos grupos sangüíneos em que não aparecia tal substância, a classificação passou a ser de RH- (negativo). "Com isso, o ser humano apresenta os seguintes tipos sangüíneos: A+, A-, B+, B-, AB+, AB-, O+ e O-. Depois de muitos estudos, determinou-se que as pessoas com um determinado tipo sangüíneo apresentavam anticorpos contra outros tipos. Então, quando um sangue tipo A entrava em contato com um sangue tipo B, cruzando sangues diferentes, a pessoa entrava em estado de choque e morria, um quadro denominado hemólise."

Freitas salientou que a tipagem sangüínea é hereditária, o que garante predominância de um ou outro tipo em raças diferentes: "Nós temos uma variação racial muito grande no Brasil, então, de uma forma geral, temos todos os tipos de sangue, mas predominam os grupos A e O. Já entre a população japonesa, por exemplo, aparecem mais os grupos AB e B".