08 de julho de 2026
Geral

Combate a inflação

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

Lideranças pregam aliança contra inflação

Lideranças pregam aliança contra inflação

Texto: Paulo Toledo

A indústria, o comércio e a população devem fazer uma aliança para evitar uma disparada nos preços do produtos, que traga de volta a inflação, considerada pelas lideranças empresariais como a pior situação que se pode ter para todos. Walace Garroux Sampaio, 49 anos, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (SinComércio), diz que a união de todos os segmentos da sociedade é fundamental neste momento. José Luiz Miranda Simonelli, 34 anos, diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), diz que o próprio cenário econômico do País impõe essa união contra a crise.

Sampaio diz que a situação dos trabalhadores do comércio é complicada, à medida que, nos

últimos três anos, ocorreram quedas sucessivas nos níveis de vendas. Para ele, a volta da inflação

é uma tragédia em termos econômicos e o que o varejo tem feito é tentar segurar os aumentos de preços, evitando repasse para o valor dos produtos.

Para Sampaio, existem os aumentos de preços justificáveis, que são aqueles produtos que contam em sua composição com matérias-primas importadas. Porém, existem casos em que não há motivos para aumentos. Na visão dele, se conseguir superar esse primeiro momento, o Brasil poderá sofrer menos com o efeito da crise. Para Sampaio, o que vai determinar a volta da inflação, ou não, é a atitude firme do varejo e dos consumidores. "Pela primeira vez, o comércio, maciçamente, se alia ao consumidor para combater o aumento nos preços", afirmou.

O presidente do SinComércio disse que, para evitar comprar mercadorias com preços reajustados, os lojistas estão trocando de fornecedores, quebrando vínculos de fidelidade das lojas para com os fornecedores tradicionais. Para ele, isso está funcionando bem, principalmente porque o consumidor tem entendido esse posicionamento dos empresários e trocado as marcas dos produtos que compram, quebrando a fidelidade a alguns produtos. "Isso é fundamental, porque o varejo, sozinho, não consegue levar esse processo", afirmou.

O líder varejista afirma que, o pior que poderia ocorrer, agora, é a volta da inflação. Para ele, é importante que cada um se engage na luta para que a inflação não volte, pois será prejudicial a todos.

Para Sampaio, o atual cenário aponta não só para o fechamento de postos de trabalho, mas para o encerramento de atividade de muitas empresas. Ele afirma que a seletividade, agora, num processo mais agudo, porque as empresas, em geral, estão enfraquecidas em função dos anos de recessão, juros altos e carga tributária elevada. O líder classista disse que tudo isso contribuiu para que as empresas não tenham reserva suficiente para enfrentar esse momento de crise. "Grande parte das reservas foram consumidas em crises passadas", afirmou.

Sampaio diz que já há uma tomada de consciência de empresários e da população, no sentido de tentar evitar a volta da inflação alta. É claro, destacou, não haverá 100% de adesão em nenhum dos segmentos, como era de se esperar. "Mas, o caminho é a união de todos. Não tem outro", afirmou.

Imposta

José Luiz Miranda Simonelli, diretor regional do Ciesp, destaca que a união entre indústria, comércio e população vai ser "imposta" pelo consumidor, que não terá dinheiro para gastar e, por isso, vai forçar o comércio e a indústria a se adequarem. Porém, destaca que esse trabalho conjunto será fundamental para o País.

Simonelli lembra que existem os aumentos motivados pela dolarização de matérias-primas importadas. Porém, destaca, que a alteração no preço não deve ser em relação à variação do dólar, mas, sim, de acordo com o peso que aquele item importado tem na composição do preço do produto. Segundo ele, se a matéria-prima em dólar responde por 20% na composição dos preços é sobre esse percentual que deve ser calculado o aumento. "Não adianta o dólar aumentar 40% ou 50% e o empresário querer aumentar o preço do produto no mesmo índice, se a incidência do insumo que sofre a variação pelo dólar não é essas", destacou.

A liderança industrial lembra, ainda, que não está ocorrendo aumento da massa salarial, pois os salários não há a indexação dos salários à inflação, o que significa que haverá perda do poder de compra da população e, conseqüentemente uma retração nas vendas. Com isso, não haverá espaços para os reajustes. "Essa falta de massa salarial, em razão da não indexação dos salários, vai empurrar o preço dos produtos para baixo, em função da diminuição do consumo. É a lei da oferta e da procura", afirma.

Simonelli disse que o acordo entre governo e montadoras, que reduziu tributos com a finalidade de aumentar as vendas e manter postos de trabalho, pode ser considerado como uma minireforma tributária. Para ele, se der certo, as vendas aumentarão e não haverá perda de arrecadação e, com isso, essa negociação poderá ser estendida para outros segmentos. "Vão começar a surgir forças na sociedade, contando com a participação dos empregados, preocupados com os postos de trabalho, e dos empresários, preocupados em produzir mais, que pressionarão o governo para estender essa minireforma e, com isso, reativar a economia", afirmou.