08 de julho de 2026
Geral

Projetos rurais

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

Cati redireciona os projetos da região

Cati redireciona projetos na região

Texto: Paulo Toledo

A regional de Bauru da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral está fazendo uma reavaliação de todos os 33 projetos (veja quadros) que vem desenvolvendo, nas

áreas de extensão rural e apoio agropecuário para adequá-los às realidades dos municípios em que estão implantados ou, mesmo, desativá-los, caso não estejam com resultados satisfatórios. José Luiz Fontes, 39 anos, diretor substituto da Cati-Bauru, destaca que a intenção é envolver, ainda mais os Conselhos Municipais Agrícolas (CMAs), para que os projetos atendam com o máximo de eficiência aos produtores rurais.

Essa reavaliação vai ser discutida com os CMAs. Inicialmente, será feita uma avaliação técnica, durante o mês de março, e, depois cada Conselho fará sua análise. Num terceiro momento, haverá uma discussão para saber se vale a pena, ou não, dar continuidade ao trabalho, mudar seu rumo ou, simplesmente, desativar o projeto, iniciando outro que possa atender aos interesses da comunidade.

Fontes afirma que é fundamental que cada município tenha seu plano de desenvolvimento rural. Até agora, os planos agrícolas eram traçados por técnicos da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SAA), e, nem sempre eram exatamente os anseios dos produtores. Das 15 cidades subordinadas

à regional da Cati, apenas Bauru, Ubirajara e Pederneiras não tem um CMA, ou melhor, Pederneiras até tem, mas não está formalizado.

O diretor da Cati-Bauru destaca que a idéia, agora, é criar conselhos municipais nas cidades que ainda não têm e fortalecê-los nas cidades onde já existem. Com isso, será possível fazer com que sejam instrumentos para implementação da política agrícola do município. "O Conselho é quem tem que dizer o que é importante para município, o que deve ser feito, qual o trabalho que a Secretaria da Estadual Agricultura tem que desenvolver. Isso tem que ser definido pelo Conselho, que representa a comunidade", afirma.

Fontes afirma que, uma vez delineado o plano de desenvolvimento de cada município, a Secretaria da Agricultura vai verificar os recursos que tem disponível para implementá-lo ou, mesmo, buscar parcerias para resolver os problemas levantados pelo Conselho. "Se esses problemas existentes vierem dos agricultores, da sociedade, compensa buscarmos uma forma de resolver, pois saberemos que haverá um maior compromisso e um maior envolvimento dos produtores na continuidade do trabalho para que isso, de fato, resolva a situação que for colocada em questão. Da forma antiga, quando os técnicos da Secretaria vinham com o problema e a solução para colocar para os agricultores, os produtores se sentiam descompromissados, ficavam numa posição de assistir o que estava ocorrendo, sem o compromisso de resolver o problema", afirmou.

Fontes destaca que, sabendo a necessidade e o interesse real de cada município, a secretaria poderá aplicar melhor os recursos da Secretaria, que não são tantos, para que sejam eficazes, para que resultem em benefícios para os agricultores. A expectativa é de que a reavaliação dos atuais projetos e o levantamento dos planos de desenvolvimento municipais consumam cerca de 120 dias para conclusão. "Em junho, esperamos ter planos municipais condizentes com a realidade de cada município e definidos qual vai ser o papel da Secretaria, das prefeituras, dos agricultores e outros parceiros envolvidos", afirma.

Parceria

Fontes disse que, na SAA, atualmente, a palavra de ordem é parceria. Para ele, a questão do paternalismo, quando os produtores viam o Estado como uma máquina que iria dar alguma coisa ou trazer recursos é uma visão ultrapassada.

É claro, até traz recursos, mas busca parcerias para que tenham a eficácia necessária na comunidade onde estão sendo aplicados.

O diretor da Cati-Bauru destacou que a Secretaria de Agricultura mantém agrônomos em todos os 15 municípios compreendidos pela regional. Além disso, vários equipamentos como viveiros e tratores estão disponíveis em vários municípios e devem ser aproveitados da melhor forma possível. "Os agricultores desses municípios têm que receber os benefícios desses recursos. Só que têm, também, que participar do processo, pois, realmente, só com esses recursos não vai chegar a resolver esses problemas. Se não houver a participação da prefeitura e dos produtores, não vai se chegar a nenhum lugar", afirmou.

Fontes diz que a Cati está preocupada em ampliar o atendimento realizado pelos agrônomos das Casas da Agricultura, mas dentro das necessidades das comunidades, com a definição de prioridades pelos CMAs. Ele diz que, no atendimento individualizado, muitas vezes, os produtores que mais precisam, que são aqueles que moram nas propriedades rurais e pouco se deslocam para a cidade, são os que menos conseguem se utilizar dos serviços. "A idéia das prioridades é que a Secretaria possa ir atrás desses agricultores que foram menos atendidos, até agora. Esses projetos traçados pelos Conselhos Municipais devem buscar atender a esses agricultores", destaca.

Características

Paulo Benedito Paro, 55 anos, assistente técnico da Cati-Bauru, lembra que serão analisados 18 projetos de extensão rural e 15 de apoio agropecuário, que vão desde produtos para exportação, como o café, até os alternativos, como de farmácias vivas.

Paro disse que, além da avaliação do técnico responsável pelo projeto, os assistentes técnicos da Cati-Bauru vão visitar os agricultores envolvidos, no sentido de verificar o grau de envolvimento de cada um no projeto, para saber se os trabalhos desenvolvidos estão sendo eficazes e atendendo aos anseios da comunidade. "Muitas vezes, o agricultor está, teoricamente, no projeto, mas não está entusiasmado, não está muito preocupado com o desenvolvimento. O que queremos é o máximo de envolvimento de cada um no projeto", afirma.

Paro diz que, se um projeto for avaliado como improdutivo, poderá ser substituído por outro, que atenda aos interesses da comunidade local. Em alguns casos, os projeto poderão apenas ser reciclados, nos moldes da linha de trabalho atual. "Antigamente, o técnico fazia da cabeça dele. Se achava que deveria trabalhar com café, reunia um grupo de produtores e fazia. Agora não, o grupo de produtores é que vai definir no que está precisando de assistência técnica, de acordo com a característica econômica, de solo, de clima e da produção que tem. Desses princípios sairão os projetos", afirmou.