08 de julho de 2026
Geral

Aventura

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 3 min

Cicloturistas retornam de viagem internacional

Cicloturistas retornam de viagem internacional

Texto: Adriana Rota

Luiz André Chella, 30 anos e Edenilson Veríssimo, 26, retornaram de uma viagem internacional de 17 dias sobre quatro rodas, na última quinta-feira, às 19h30. "O que há de novo nisso?" você, leitor, deve estar se perguntando. O detalhe é o seguinte: cada um deles estava sobre duas rodas.

Chella e Veríssimo, que estão à frente do Projeto "Pedal na Estrada", com a finalidade de unir esporte e turismo (cicloturismo), saíram do Paraná e chegaram até a Argentina, percorrendo 1.525 quilômetros no total. A Tilibra e o JC cuidaram do patrocínio da dupla.

A viagem de maior distância, até então, foi realizada pelos ecologistas-aventureiros em 1997, quando atravessaram o Mato Grosso do Sul chegando até a Bolívia, em 13 dias, completando 1.119 quilômetros pedalados.

Dessa vez, os cicloturistas partiram do município de Jacarezinho, no Paraná e percorreram 1.525 quilômetros, passando por todo o Estado até atingirem a cidade de Eldorado, na Argentina. Na verdade, os planos eram chegar até o Paraguai, o que se tornou inviável devido à situação política do país, com o exército nas ruas, a fim de tirar o presidente. "Na fronteira tem moleque de 12 anos com metralhadora na mão. No consulado paraguaio não chegaram a falar para desistirmos, mas também não incentivaram", relatou Chella.

Normalmente, para atravessar as fronteiras dos países membros do Mercosul não existem problemas, segundo os cicloturistas. Já na Argentina, o controle é rígido, através da distribuição de senhas com o número de dias que o estrangeiro pretende ficar por lá. Quem exceder o limite, paga uma multa de 50 dólares por dia. Se perder o documento de entrada, vai preso.

Quanto à receptividade dos moradores das cidades pelas quais passaram, os cicloturistas mostraram-se surpresos com o tratamento recebido na Argentina. "Aquela história de que argentino não gosta de brasileiro, é mentira! Eles faziam a maior festa quando a gente passava. Vinham conversar, ajudar", revelou Chella.

Eles chegaram a acampar oito vezes durante todo o caminho, em pesqueiros, fazendas e escolas rurais, com direito a aniversário na estrada (Veríssimo completou 26 no dia 8 de fevereiro). Nem sempre era possível tomar banho de ducha, substituída por água de poço, rio ou garrafa. "A gente

é tão ligado em Ecologia, que tivemos de atravessar uma selva no fundo do Parque Nacional do Iguaçu. Foram 80 quilômetros sem água, sem gente, numa região

íngreme, com muito vento contra. Chegamos a ser alertados sobre o perigo de ataques de "tigres" (na Argentina falam assim. Para a gente, são onças). Essa foi a fase mais difícil da viagem".

O maior contratempo, que rendeu mais ou menos duas horas de atraso na viagem, foi a constatação de Veríssimo de que estava sem sua pochete, com todos os documentos, cartão de crédito e dinheiro, faltando cerca de cinco quilômetros para chegar em Foz do Iguaçu. "Parei para pegar um chiclete e cadê? Achei que tivesse perdido tudo no caminho. Fiz até cara de choro na hora e peguei o caminho de volta que nem louco. Achei um coitado de um andarilho na estrada e dei a maior "enquadrada" nele. Por fim, acabei encontrando no hotel onde tínhamos passado a noite".

Veríssimo é proprietário de uma bicicletaria em Bauru e Chella cuida de "correr atrás de patrocínio, promoção, divulgação e de camisetas para vender". Ambos concordam que o ideal seria viver do esporte, principalmente porque essa modalidade - o cicloturismo

- inclui uma preocupação ecológica. Mas, no Brasil, isso ainda é muito difícil. Para o futuro, estão programando atravessar o Estado de Minas Gerais e novas viagens internacionais, ainda sem roteiro definido.

Serviço

As empresas ou pessoas físicas que tiverem interesse em patrocinar a dupla, podem entrar em contato pelos telefones 227-2269 ou 227-1981, com Veríssimo