08 de julho de 2026
Geral

Tratamento de água

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Fiscalização periódica garante qualidade

Fiscalização periódica garante qualidade

Texto: Sabrina Magalhães

A água é analisada no laboratório da própria Estação a cada três horas. A fiscalização estadual é feita periodicamente

Para garantir que a água que chega às residências

é absolutamente potável, a Estação de Tratamento de Água (ETA) tem que fazer análises freqüentes do produto. E para garantir que tudo está sendo feito corretamente, a cada dois ou três meses, a Vigilância Sanitária faz visitas de fiscalização. O objetivo, em ambos os casos, é verificar se os resultados obtidos estão compatíveis com os padrões de potabilidade previstos na Portaria n.º 36/GM do Ministério da Saúde (1990).

De acordo com a diretora interina do setor na ETA, Gracinda Monteiro, os operadores da Estação colhem amostras da água tratada de hora em hora para verificar os níveis de Ph, cor e turbidez do produto. O controle de Ph é importante para que o consumidor não receba em sua residência uma água muito ácida. A observação da cor e turbidez vai indicar se o processo de floculação está sendo suficiente ou se é preciso aumentar a quantidade de coagulantes (sulfato de alumínio e cal hidratada). Este teste é rápido.

"O operador retira amostras da água também a cada três horas para fazer exames de laboratório, onde ela será analisada pelos químicos. Ali serão observadas a quantidade e tipo de sais minerais dissolvidos, se há presença de bactérias ou outros microorganismos, se o teor de cloro e flúor estão corretos, sempre comparando com os padrões determinados pelo Ministério. Na Portaria nós temos números para cada um desses itens. Se nossa água estiver acima ou abaixo dos níveis permitidos, ela precisa ser melhorada. Como o tratamento demora 4,5 horas para ser completo, a análise a cada 3 horas nos dá tempo suficiente para uma eventual correção desses níveis alterados."

Ela ressaltou que além das análises feitas ainda dentro da Estação, diariamente os técnicos estão coletando amostras junto aos cavaletes nas residências para exames laboratoriais, com o objetivo de fazer verificações físico-químicas e bacteriológicas. "Dificilmente encontramos problemas, só quando há um rompimento de adutora ou outro acidente assim." Portanto, se a caixa d'água estiver limpa, pode-se pode tomar a água da torneira sem qualquer receio. Ainda assim, é recomendável usar um filtro.

Fiscalização

Uma das funções do departamento de Vigilância Sanitária da Divisão Regional de Saúde (DIR-10)

é fiscalizar o tratamento de água. De acordo com o engenheiro Paulo Augusto Catini, existe no estado de São Paulo um programa chamado Pró-Água, voltado para o controle de qualidade do abastecimento público. A DIR-10

é responsável por fazer esse controle em 41 municípios, entre eles, Bauru.

"O que a gente verifica? A gente faz a coleta de água e analisa, comparando com os parâmetros estabelecidos pela Portaria 36 do Ministério e com a Resolução 293 da Secretaria de Saúde do Estado. No local da coleta, a gente verifica o cloro e Ph. Depois, no laboratório,

é dosado o flúor, a coloração, turbidez, existência ou não de bactérias, entre outros. Por exemplo, uma alteração drástica de Ph pode tornar o cloro mais ou menos eficiente. Se ele for muito

ácido, em contato com a tubulação de ferro pode causar corrosão e nós teremos uma água com excesso de ferro, fora dos padrões."

Catini lembrou que a ingestão de água irregular pode causar vários problemas à saúde do consumidor, desde diarréias por salmoneloses e verminoses, até doenças infecciosas, como o cólera ou a hepatite.

Resolução

O engenheiro explicou que a Resolução estadual n.º 293 criou o que ele chama de heterocontrole: "Até então, a fiscalização era feita somente pela Vigilância Sanitária. A Resolução obrigou as empresas responsáveis pelo tratamento de fazerem, elas próprias, o controle regular da água, enviando os resultados para a Vigilância. Cabe a nós, então, fazer as coletas esporadicamente para confirmar ou não os resultados recebidos. Na verdade, hoje a gente faz um controle do controle de qualidade que já existe."

Catini observou que os resultados são enviados mensalmente para o Pró-Água, além de um relatório anual, que deve contar detalhes a respeito de projetos de expansão ou qualquer alteração no sistema. "Ocorrendo alguma divergência ou problema nas análises, a empresa

é obrigada a esclarecer os motivos."

Vera Posto, dentista da Vigilância Sanitária e membro do Pró-Água, acrescentou que a Resolução também aborda do direito do consumidor, visto que torna obrigatória a apresentação ao consumidor dos resultados das análises, classificando a água como "boa", "adequada" ou "inadequada". Segundo ela, em vários municípios as empresas já imprimem esta informação na própria conta de água do contribuinte. "E ele está pagando, então pode e deve exigir essas informações, para poder cobrar qualidade da empresa responsável."

Acidentes

Questionada sobre o que seria considerado um acidente durante o tratamento de água, ela comentou que o mais preocupante são os tombamentos de caminhões de carga. "Na semana passada mesmo, um caminhão com pesticida tombou num rio da região. Nesses casos, a captação da água é suspensa e as providências têm que ser tomadas imediatamente, para evitar a contaminação da água."

Conforme Catini, não há registros de acidentes ou irregularidades graves na região atendida pela DIR-10.

"O mais comum são erros na dosagem de cloro. Se o nível desta substância estiver adequado, não haverá riscos de contaminação por microorganismos, com certeza. Em Bauru, um problema também é a presença de ferro na água, já que parte da tubulação, em algumas áreas, é muito velha e está corroída. Mas em termos gerais, Bauru é um dos locais com melhor trabalho em tratamento de água na região", concluiu.