08 de julho de 2026
Geral

Tratamento de água

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Tratamento completo demora 4,5 horas

Tratamento completo demora 4,5 horas

Texto: Sabrina Magalhães

A água passa por floculação, decantação e filtragem. Depois recebe doses de cloro e flúor para só então ser distribuída

Do momento em que a água é captada no Rio Batalha até o instante em que ela atinge o reservatório principal da Estação de Tratamento de Água

(ETA) do DAE, já pronta para o consumo, são passadas 4,5 horas. Porém, o volume de líquido que entra na Estação é de 690 litros por segundo, o que significa que a cada hora são tratados quase 2,5 milhões de litros. Mas de acordo com a assessoria de imprensa do DAE, o volume de água distribuída pela ETA responde por apenas 40% do abastecimento de Bauru. Os outros 60% vêm de poços perfurados em diferentes pontos da cidade, onde a água recebe cloro e flúor, mas sem passar pelo processo limpeza. Por ser subterrânea, ela não tem contato com poluição ou materiais orgânicos em decomposição, portanto já está livre de resíduos.

A água que passa pela ETA é captada no ponto mais profundo do Rio Batalha depois da nascente, com cerca de três metros. Com a ajuda de quatro potentes motores-bomba, esta água

é jogada para a Estação, a uma distância de dois a três quilômetros em adutoras, com um desnível de mais ou menos 140 metros. Ou seja, a água tem que subir, ao longo dos dois ou três quilômetros, a uma altura equivalente à de um edifício com 46 andares.

Jarteste

Conforme chega à ETA, a água sai da adutora numa canaleta. No percurso, ela recebe dois produtos químicos: o sulfato de alumínio e a cal hidratada. Juntos, esses produtos vão atrair as partículas de sujeira em pequenos flocos que serão posteriormente decantados.

Mas para se obter sucesso na limpeza da água, é preciso que as doses do sulfato de alumínio e de cal estejam corretas. Isso varia conforme a sujeira da água. "Geralmente, a água fica mais turva (mais vermelha, escura) quando chove muito. Aí é preciso alterar as dosagens da química. Para isso, os técnicos têm que fazer o jarteste, que é uma simulação do tratamento realizado pela Estação. É um mini-tratamento, na verdade", explica a diretora interina do Serviço de Águas Superficiais e Tratamento do DAE, Gracinda Maia Monteiro.

Segundo ela, os operadores da ETA precisam estar observando a cor da água que chega à Estação. Em longos períodos de estiagem, ela pode permanecer com a mesma qualidade por vários dias. Porém, se a chuva atingir algum ponto do Batalha entre a nascente e a captação, a terra pode se levantar do fundo do rio e "sujar" a

água (aumentar a sua turbidez). Quando isso acontece, é preciso colocar amostras água mais escura no jarteste para calcular a nova dosagem de químicas de forma a proporcionar um bom resultado na limpeza do produto.

O técnico coloca amostras da água em seis recipientes iguais, adicionando doses diferentes de química em cada um deles. No final do processo, ele pode avaliar qual a quantidade de química se melhor atinge os objetivos do tratamento. Então, é só fazer um cálculo, convertendo a dosagem escolhida para a aplicação no volume total da Estação.

Floculação e decantação

O sulfato de alumínio e a cal hidratada são substâncias coagulantes com carga positiva. Adicionadas à água in natura, elas vão atrair quimicamente as todas as partículas de carga negativa presentes na água, como terra, partículas de poeira, pedaços de folhas. Em alguns minutos, esta atração vai formar pequenos aglomerados gelatinosos, produzindo flocos de sujeira (floculação). Este processo acontece com a água ainda em movimento, no percurso rápido do ponto em que ela recebe a química até atingir os tanques de decantação, poucos metros adiante. Nesses tanques, a água vai "repousar".

Com a atração de partículas em flocos, elas pesam. Com a água parada e a força da gravidade, esses aglomerados começam a descer, até que atingem o fundo dos tanques, no processo chamado de decantação. Quanto mais na superfície, mais limpa está a água e, portanto, mais transparente, livre das partículas de sujeira e livre das substâncias químicas recém-adicionadas. De acordo com Gracinda Monteiro, os tanques de decantação têm que ser esvaziados e limpos a cada dois ou três meses, para a retirada dos resíduos que vão se acumulando no fundo.

Filtragem

Depois de algum tempo nos decantadores, a água da superfície vai sendo lançada para os tanques de filtragem. Segundo Gracinda Monteiro, o filtro é formado por camadas. A água vai entrando de cima para baixo, passando consecutivamente por uma camada de areia especial, depois por várias camadas de seixos (pedras de diferentes tamanhos), até atingir um fundo falso.

"Esse fundo, que segura as pedras, é cheio de orifícios bem pequenininhos. A água vai passando lentamente por eles e cai na tubulação fechada, onde recebe o cloro e o flúor. Daí, ela vai para o reservatório principal, de onde será distribuída aos reservatórios menores, até chegar às residências."

O cloro é um bactericida. Adicionado à água, vai matar, eliminar os microorganismos. Já a diluição de flúor na água de beber foi uma determinação legal que tem por objetivo proteger os dentes contra as cáries. Foi uma maneira barata que o Governo encontrou para prevenir problemas odontológicos generalizadamente.

Questionada, Gracinda Monteiro comentou que o volume de água tratada nem sempre é o mesmo volume de água que chega (690 litros/segundo), já que há momentos em que a água ultrapassa os níveis de tolerância dos tanques e parte dela é eliminada pelo ladrão.

"Mas o processo é contínuo, funciona 24 horas. O sistema só pára quando há um corte de energia, porque aí os motores deixam de enviar a água da captação para cá. Se isso acontece, todo o sistema pára, a água fica onde está. Restabelecida a energia, tudo volta ao normal, exatamente de onde parou."

Ela salientou que a ETA tem 12 filtros e que periodicamente os técnicos fecham as comportas de um deles para esvaziá-lo e limpá-lo, ou seja, para efetuar a troca da areia de filtragem.

"O sistema de tratamento é bastante simples, porém trabalhoso, porque exige monitoramento constante e atenção dos operadores para as alterações da qualidade da

água quando chega, ainda bruta."