08 de julho de 2026
Geral

Cárcere privado

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Comerciante é libertado após 24 horas de cárcere privado

Comerciante é libertado após 24 horas de cárcere privado

Texto: Rita de Cássia Cornélio

A Delegacia de Investigações Gerais Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (DIG/Garra) de Bauru está investigando um caso de roubo seguido de cárcere privado ocorrido na manhã de segunda-feira, no Jardim Ouro Verde. Há várias suspeitas, mas nenhuma pista concreta dos dois homens que levaram o comerciante Dirceu Martins, 55 anos, e roubaram R$ 1 mil em dinheiro, todos os seus documentos, talões de cheques e o veículo Gol, placas CXF 3538, Bauru.

O comerciante foi liberado pelos ladrões por volta das 7 horas de ontem, próximo do câmpus da Unesp, em uma estrada de terra. Ontem, ele foi ouvido em depoimento e alegou não poder identificar os autores do crime por ter sido obrigado a usar um capuz.

A vítima diz que não é capaz de indicar os possíveis locais do cativeiro porque os autores do crime rodaram durante mais de 20 minutos com ele no porta-malas do carro.

"Eles falavam baixinho e eu não reconheceria nem mesmo a voz", disse.

Na versão de Martins, por volta das 3 horas de segunda-feira, o vigia do Ministério do Trabalho telefonou para sua casa informando que sua banca de revista, instalada na Ezequiel Ramos próximo do Ministério, estava arrombada.

Mesmo tomando conhecimento dos fatos, Martins resolveu não ir para local, imediatamente. Por volta das 6 horas, ele deixou sua casa, no Jardim Ouro Verde, com destino à banca. Ainda próximo de sua casa, seu carro, um Gol ano 99, foi interceptado por uma moto ocupada por dois homens. "O passageiro da moto me apontou uma arma e fez com que eu deixasse a direção do carro e passasse para o banco do passageiro. Colocou um capuz em mim e rodou bastante com o veículo", disse.

A moto não acompanhou o trajeto, segundo a vítima.

"O assaltante parou em um matagal. Lá, os dois encontraram-se. Do matagal, fui transferido para uma casa abandonada, onde passei a noite. Os assaltante não me maltrataram e até me serviram um marmitex", relatou à polícia.

"Pouco antes de me liberarem, eles me colocaram novamente no carro e rodaram bastante. "Fui liberado próximo do câmpus da Unesp em uma estrada de terra. Peguei uma carona e depois um mototáxi para chegar até a cidade e procurar a polícia", afirmou.

Nova modalidade

Segundo o titular da DIG/Garra, J.J. Cardia, deixar a vítima em cárcere privado para retirar dinheiro da conta bancária da vítima é uma ação pouco usada no Interior. "Este tipo de ação criminosa é comum nas capitais. Os assaltantes mantém a vítima presa para retirar dinheiro da conta bancária dela", disse.

Cardia diz que vai pedir um levantamento no banco para saber quanto foi retirado da conta da vítima. "Os ladrões pediram a senha dele e devem ter feito saques", supõe. O delegado diz que uma equipe da DIG/Garra já foi designada para investigar o caso. "Vamos desenvolver uma investigação. Temos vários caminhos a seguir, porém, não temos pistas concretas dos autores", explicou.

O delegado não quis adiantar nenhum detaque sobre o que está sendo investigado. "Atrapalha o trabalho", alegou. Segundo Cardia, o caso não configura seqüestro porque a finalidade era o roubo e não o pedido de resgate.

"O objetivo da ação não era seqüestro, e sim o roubo."