07 de julho de 2026
Geral

ECCB

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Seccional fará condução coercitiva para sócias da ECCB

Seccional fará condução coercitiva para sócias da ECCB

Texto: Josefa Cunha

Pela terceira vez consecutiva, as empresárias Nerle e Carmem Quaggio Bresolin não compareceram para depor no inquérito que investiga denúncia de extorsão contra a Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB). Ambas eram aguardadas ontem na Delegacia Seccional, mas alegaram impossibilidade de estar presentes por questões de saúde. O delegado assistente da Seccional, Dinair José da Silva, reagendou a oitiva para depois de amanhã, dia 26, e já avisou que não admitirá nova ausência. O delegado Seccional assistente, Edson Cardia, por sua vez, ampliou que está pronto a notificação com condução coercitiva se ocorrer nova ausência.

Nerle e Carmem Quaggio Bresolin, diretoras da ECCB, são as autoras das denúncias que envolvem o prefeito afastado Antonio Izzo Filho e o ex-presidente da Emdurb, André Torrens, em crime de extorsão, além do ex-diretor da própria empresa, Adhemar Previdello. Elas são peças-chaves no inquérito e de suas declarações depende o andamento dasd investigações. Segundo o delegado assistente, as investigações do caso estão emperradas desde janeiro porque Nerle e Carmem ainda não prestaram esclarecimentos.

A primeira intimação das empresárias previa o depoimento para o dia 22 do mês passado. Como não compareceram, a oitiva foi adiada para o dia 4 de fevereiro, mas, nesta data, os advogados solicitaram novo prazo. A Seccional transferiu os depoimentos para o dia de ontem, mas, mais uma vez, as empresárias se ausentaram. O advogado Nilton Santiago, representante da OAB que acompanha o inquérito para garantir maior transparência aos trabalhos, teria aguardado as depoentes por mais de uma hora. O Ministério Público também foi convidado a accompanhar o inquérito. A justificativa para o não-comparecimento ontem foi de que Nerle Quaggio estaria internada e que Carmem seria sua acompanhante.

As advogadas Renata Maffini e Adriana Helena Zuccolin, que representam as empresárias neste momento, pediram novo adiamento, mas a Seccional concedeu apenas mais três dias de prazo. Segundo Dinair José da Silva, uma quarta ausência nesta sexta-feira o obrigará a adotar a busca coerciva. "Se ocorrer nova ausência sem a devida justificativa (atestado médico, no caso de doença, por exemplo), sairemos atrás. Não desejamos que isso seja preciso, mas é o recurso que dispomos dentro da lei. Às vezes, colhemos depoimentos até em hospitais", informou, ressaltando o empenho da delegacia em apurar os fatos o mais breve possível.

A insistência da Seccional em agilizar o andamento do inquérito vem em resposta às críticas recebidas sobre a demora nas investigações. Silva fez questão de salientar que, em nenhum momento, a polícia teve intenção de postergar o caso. A demora, reforçou ele, é decorrente da ausência das denunciantes, que, como cidadãs, tiveram respeitado até agora o direito de faltar e justificar o não-comparecimento. Independente disso, o delegado disse estranhar a conduta das empresárias, mas não quis comentar suas impressões e suspeitas a respeito das ausências.

O JC tentou contato na tarde ontem, por telefone, com a advogada Adriana Zuccolin mas ela não havia retornado até o fechamento da edição. A Delegacia Seccional acrescenta que usará o expediente da condução coercitiva, em caso de ausências injustificadas, para todas as pessoas que precisam ser ouvidas no inquérito. Serão ouvidas, além das representantes da ECCB, o prefeito afastado Izzo Filho, o ex-presidente da Emdurb, André Luiz Torrens, o ex-diretor da ECCB, Adhemar Previdello, e outros.