08 de julho de 2026
Geral

Campanha salarial

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 2 min

Ferroviários de Bauru entram em campanha salarial

Ferroviários de Bauru entram em campanha salarial

Texto: Márcia Buzalaf

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru e Mato Grosso do Sul está entrando em campanha salarial unificada com toda a categoria no Brasil todo. De acordo com o coordenador do sindicato, Roque Ferreira, 43 anos, a campanha, este ano, ganha uma perspectiva muito maior do que a negociação do reajuste salarial. Desta vez, no palco do debates está a política econômica do governo federal.

A campanha salarial é unificada e tem um só eixo de sustentação, englobando os interesses de trabalhadores de empresas ferroviárias e metroviárias, tanto federais quanto privadas, rodoviárias e municipais.

A pauta da campanha salarial foi estabelecida entre os dias 3 e 8 deste mês, em Belo Horizonte, em uma seminário com os representantes sindicais de todo o país. No encontro, foram estabelecidas algumas diretrizes que serão debatidas com os sindicatos regionais, mas que tem uma base de sustentação

única: desenvolver a consciência de classe, não de categoria.

A data-base dos trabalhadores de empresas metro-ferroviárias

é em 1.º de maio. Até o dia 15 de março, serão realizadas assembléias em todo o Brasil para discutir os 93 itens da pauta prévia. Entre os dias 15 e 18 de março, todos os representantes sindicais da categoria irão se reunir para colher os resultados das discussões e, se for preciso, rever alguns itens da pauta inicial.

Reivindicações

De acordo com Ferreira, as reivindicações dos sindicatos são divididas em quatro esferas: econômica, de relações de trabalho, de saúde e segurança do trabalho e das relações sindicais.

Na esfera econômica, a reivindicação mais importante é em relação ao piso da categoria. Segundo Ferreira, a campanha busca um piso de quatro salários mínimos, contra os dois salários atualmente vigente.

"Nesta questão do piso, nós estamos incorporando as perdas salariais acumuladas no processo de manutenção do Plano Real", completa Ferreira.

Nas relações de trabalho, a campanha quer reduzir a jornada de trabalho de 40 a 42 horas semanais para 36 horas. A crítica feita pelos sindicatos é que vários fatores contribuíram para a flexibilização das leis trabalhistas - como o banco de horas - e que prejudicaram o trabalhador. A estabilidade de emprego, afirma Ferreira, também

é um item a ser buscado junto às empresas. "Nós resistimos a esta flexibilização e entendemos que isso não garante nem gera emprego", completa.

Na questão da saúde e segurança de trabalho, as questões centrais são o programa de saúde para trabalhadores que possuem vícios, além da cobrança de laudos e de risco ambiental, já que é obrigação das empresas acabar com as condições insalubres de trabalho. Como a categoria de ferroviários e metroviários

é basicamente masculina, a campanha também vai enfocar a prevenção do câncer de próstata.

Ferreira ainda lembra que, na pauta salarial, está sendo exigido que as operadoras privadas do setor não mantenham relações comerciais com empresas que exploram o trabalho infantil.