12 de março de 2026
Geral

Teatro

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 5 min

Paulo Autran espera acolhida do público bauruense

Paulo Autran espera acolhida do público bauruense

Texto: Fabiano Alcantara

Lenda viva das artes cênicas no Brasil, o autor Paulo Autran, que interpreta Vado, o personagem principal de "O Crime do Dr. Alvarenga", que fica em cartaz em Bauru entre 10 e 21 de março, se consagrou como o protagonista de peças de Molière e Shakeaspeare, entre as quais Rei Lear, em 1996. Estreou sua trajetória no cinema em Apassionata (1952), produção da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Participou ainda de ícones do cinema nacional, como Terra em Transe (1965) e O País dos Tenentes (1987).

Na televisão, brindou o grande público com seu trabalho nas novelas Pai Herói (1979) e Guerra dos Sexos (1983). Recentemente, retornou à TV para participar da minissérie Hilda Furacão (1998). Leia a seguir a entrevista exclusiva que o ator concedeu ao Jornal da Cidade, de um quarto de hotel, no Rio de Janeiro.

JC - Com está sendo para o senhor interpretar um personagem que deixou a vida para entrar na ficção e, que além disso é o pai do diretor e autor do espetáculo?

Paulo Autran - Está sendo muito agradável porque a peça é muito bem escrita e o personagem tem efetivamente uma vida, que é dada pelo conhecimento que o Mauro Rasi tem do assunto. Então é um personagem sólido, divertido, comovente, muitas vezes. Eu estou achando que tem sido um prazer muito grande.

JC - Qual é a expectativa para a estréia em Bauru?

Paulo Autran - A minha expectativa é a melhor possível. Bauru tem um público ótimo, já fiz vários espetáculos aí. Então, eu espero que desta vez eles dêem a mesma acolhida que eles sempre dão aos bons espetáculos que vão para a cidade.

JC - Como foi o seu encontro com os pais de Mauro Rasi há alguns anos? Ter conhecido o Oswaldo Rasi influenciou-o para compor o personagem?

Paulo Autran - O pai do Mauro, Oswaldo, era um homem de uma simpatia impressionante, talentoso, muito bem-educado, gentil, um homem fino. E nós ficamos muito amigos na temporada que eu fiz aí em 66, com "Liberdade, Liberdade". E eu estive na casa deles e ele e a mãe gostariam que o Mauro continuasse estudando piano. E o Mauro, garoto ainda, tocou um pouco de piano, eu o entusiasmei muito para continuar no piano, mas não havia a menor dúvida que a carreira dele era o teatro mesmo. E ele se realizou plenamente como diretor, como autor de teatro.

JC - Qual é a sua opinião sobre a trajetória e sobre o trabalho realizado pelo Mauro Rasi?

Paulo Autran - O Mauro Rasi realizou aquilo que já garoto a gente percebia nele, um talento explodindo. E ele realizou esta promessa, que ele era já quando era um menino. Que de uma certa forma ele até escandalizou Bauru. Na época que eu estive aí, ele garoto já tinha montado uma peça com mocinhas da sociedade, que foi considerado um escândalo na cidade. E ele continuou uma trajetória brilhante e não há dúvida que ele é um dos bons autores brasileiros.

JC - Mudando de assunto, como o senhor recebeu a indicação da Fernanda Montenegro para o Oscar?

Paulo Autran - Eu estou na torcida para que ele ganhe.

É uma grande atriz em qualquer parte do mundo. E o filme também é muito bonito.

JC - O senhor tem planos para atuar no cinema?

Paulo Autran - Eu acabei de fazer um filme muito bonito chamado "O Enfermeiro", baseado em um conto de Machado de Assis. Eu tomei parte no filme "Tiradentes" do Osvaldo Caldeira e tomei parte no filme "Oriundi", com Anthony Quinn, que foi filmado em Curitiba. E no momento, eu talvez faça o próximo filme do Guilherme Almeida Prado, que será baseado em um romance do Josué Guimarães, que se chama "Enquanto a Morte Não Chega", que eu acho um título bem apropriado para a minha idade (risos).

JC - Em teatro, o senhor prefere atuar em comédias ou tragédias?

Paulo Autran - Eu gosto de fazer uma peça de que eu goste, pode ser comédia, tragédia, drama, musical, seja o que for. Eu que não canto fiz os dois musicais de maiores sucesso no Brasil "My Fair Lady" e "O Homem de La Mancha", as duas, aliás, com a Bibi Ferreira. Então, eu gosto é de fazer teatro. Sendo bom, eu gostando da peça, o gênero não me interessa.

JC - Qual a sua avaliação sobre as mudanças temática e estilísticas que o teatro sofreu nos

últimos anos?

Paulo Autran - Mudanças temáticas eu não vejo muito, porque o tema de toda a arte verdadeira é o ser humano. É o único tema de toda arte e este tema continua em cartaz. Estilísticas, sim, você encontra. Atualmente no Brasil você encontra todas as correntes modernas de teatro do mundo inteiro. Você encontra peças naturalistas, realistas, simbolistas, poéticas, líricas, encontra de tudo. Um teatro experimental se faz muito no Brasil. Então, se encontra de tudo e o público tem a possibilidade de escolher o gênero que lhe agrada mais. E eu acho também que todos esses adjetivos limitam o teatro, porque eu acho que o teatro é uma coisa maior e não precisa de limite nenhum.

Serviço

O Crime do Dr. Alvarenga, com Paulo Autran, Drica Morais, Ernani Moraes, Marilu Bueno e Guilherme Piva; Direção: Mauro Rasi; Assistente de direção: Emílio de Mello; Cenário: Gringo Cardia; Iluminação: Maneco Quinderê; Figurinos: Inês e Bia Salgado; Trilha sonora: Marcos Ribas de Faria; Programação Visual: Suli Kabijo; Visagismo: Marlene Moura; Fotografia: Claudia Garcia; Assessoria de imprensa: Paulo Marra; Produção executiva: Claudia Marques e Victor Haim; Assistente: Cristina Neves; Produção executiva - Bauru: Jurandir Bueno Filho; Realização e Direção de produção: DBA/ Alexandre Dórea Ribeiro; Temporada em Bauru de 10 de março a 21 de março; Local: Teatro Universitário Véritas; Capacidade: 426 lugares; Endereço: rua Irmã Arminda, 10-50; Informações: (014) 235-7131; Horários: quinta-feira a sábado: 21h; domingo: 19h; Preços: quinta-feira e domingo: R$ 25,00, sexta e sábado: R$ 30,00. Ingressos à disposição na USC, a partir desta terça-feira.