Micro e pequenas empresas faturam mais
Micro e pequenas empresas faturaram mais
Texto: Paulo Toledo
As micro e pequenas empresas (MPEs) do Interior de São Paulo apresentaram uma expansão de 44,1% no faturamento médio em dezembro e 9,1% no nível de pessoal ocupado, retratando a força do setor varejista aliada ao período de festas ao qual a pesquisa foi aplicada. As conclusões são de Paulo Tebaldi, gerente da agência de Bauru do Sebrae-SP, baseado na Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Pecompe), realizada pelo Sebrae-SP ao longo do mês de janeiro.
De acordo com Tebaldi, a pesquisa do Sebrae-SP revela que MPEs do Estado estão conseguindo resistir à queda do consumo verificada no início deste ano, e também ao crescimento da inadimplência dos consumidores. Em janeiro de 99, o número de micro e pequenas empresas inadimplentes foi de 23%, uma queda de 4% em comparação com abril de 98, quando o índice atingiu 27%. A sondagem foi realizada pelo Sebrae-SP com micro e pequenas empresas dos setores industrial, comercial e de serviços, entre os dias 11 e 22 de janeiro deste ano.
Tebaldi destaca que, dentro de uma análise de desempenho geral das MPEs do Estado, verifica-se que o faturamento médio dessas empresas paulistas apresentou um aumento de 18,8%, em paralelo, o nível de pessoal ocupado na média das MPEs também sofreu expansão de 6,3%, devido ao aumento das atividades de vendas do final do ano. "Não houve grandes diferenças no que se refere a índice de pessoal ocupado, pois este manteve-se estável no ano de 1998", disse o gerente do Sebrae.
O estudo revela ainda que o resultado favorável foi conseguido em meio a um crescimento significativo da inadimplência dos consumidores, que atingiu 70% das empresas em janeiro, contra 32% registrados em abril do ano anterior e os 44% detectados em julho do mesmo ano.
Este resultado positivo pode ser melhor explicado a partir dos dados
colhidos pela última Pecompe. Com base numa amostra de 2 mil MPEs pesquisadas, verificou-se uma recuperação de 18,8% no faturamento médio mensal durante o mês de dezembro de 98, contra os 11,6% negativos em novembro.
Tebaldi afirma que, tomando-se por base a análise por setor, o único que sofreu retração de faturamento em Dezembro foi a indústria, com baixa de cerca de 5,2%. Também houve retração com o nível de pessoal ocupado (-1%), refletindo a desaceleração já esperada nas atividades do setor industrial decorrente da política monetária e cambial adotadas pelo Governo Federal .
De acordo com ele, a também esperada expansão setor comercial, que apresentou o faturamento de 27,7%, acompanhado por um crescimento de 9,3% no nível de pessoal ocupado. O destaque deste setor é o comercio atacadista com expansão de 42,4% contra 21,5% do comércio varejista, valores decorrentes do aumento das atividades em função das festas natalinas.
Já o setor de serviços apresentou uma expansão de 17,6% no faturamento e 7,4% no nível de pessoal. O destaque foi para o segmento de serviços prestados a empresas, com variação de 38% no faturamento.
Vendas à prazo
De acordo com análise do Sebrae-SP, além da recuperação do faturamento médio mensal das empresas em dezembro, o parcelamento das vendas de natal é outro fator que pode explicar a queda na inadimplência no setor neste início de 1999. A parcela das vendas totais das MPEs pesquisadas que está em atraso é de apenas 17%. E, ainda de acordo com a última sondagem, mais da metade das empresas consultadas, 54%, estão com, no máximo, 10% das vendas em atraso. O cheque pré-datado é utilizado por 64% das empresas, se mantendo na liderança entre as todas as outras formas de pagamento parcelado.
Com relação aos pagamentos em atraso nas MPEs, o principal problema continua sendo os impostos (14%), seguido pelos fornecedores (11%). Do universo das MPEs inadimplentes que participaram da sondagem, 58% apontam a queda no consumo como fator responsável pela atual situação financeira em que se encontram. Já entre as empresas que estão em dia com os seus compromissos a "administração eficiente das despesas" aparece como fundamental para a manutenção da saúde financeira das empresas.