08 de julho de 2026
Geral

Atentados

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Cardia quer concluir inquérito em cinco dias

Cardia quer concluir inquérito em cinco dias

Texto: Nélson Gonçalves

Titular da DIG-Garra, J.J. Cardia, disse que define a situação de Izzo Filho nas investigações nas próximas horas

O delegado J.J. Cardia confirmou, ontem pela manhã, todas as informações divulgadas pelo JC, na edição de segunda-feira, e anunciou a prisão preventiva do mototaxista Fábio Souza Fernandes. O mototaxista revelou que participou dos atos onde o contratado Alexandre Humberto Santos foi o autor de disparos e de jogar bomba incendiária contra residências de vereadores. Fábio Souza aponta que cobrava R$ 25,00 por cada corrida.

Com a prisão do mototaxista é a sétima realizada pela equipe da DIG-Garra. Além de Fábio de Souza foram presos os seguranças de Izzo, Djalma Duarte Gonzaga e Roberto Carlos Thomaz, o contratado Alexandre Humberto Santos, o advogado Francisco Roberto Ramos e os assessores Lourival Dadamus e Nivaldo Aparecido da Silva. O delegado confirma que ainda falta realizar a prisão de pelo menos mais dois suspeitos. Entretanto, pelo menos um dos envolvidos deve ser liberado nas próximas horas, possivelmente o advogado Francisco Ramos. A citação de Ramos nos episódios estaria restrita à nomeação de endereços de vítimas.

J.J. Cardia mencionou que pretende encerrar os inquéritos em cinco dias, prazo em que também se encerra a prisão temporária dos acusados. Se não for possível finalizar a investigação, Cardia disse que vai solicitar

à Justiça prorrogação da prisão temporária. Em caso positivo, trabalha com a intenção de pedir a prisão preventiva dos envolvidos. De todos os atentados, falta solucionar completamente apenas a bomba caseira jogada na residência do vereador Rubens Spíndola

(PSDB), o que levou a estragos em Ford Mondeo, que estava na garagem. A Polícia Civil tem o nome do suspeito.

A DIG-Garra disse que está analisando a situação do prefeito Antonio Izzo Filho (PPB), citado como mandante dos atentados por mais de um dos depoentes. Cardia lembrou que isto tem que ser analisado no inquérito policial em vista de competência do Tribunal de Justiça do Estado. Cardia disse que Izzo será intimado para ser ouvido no inquérito policial. Ontem, por telefone, Izzo falou a vários veículos de comunicação que pretende comparecer à delegacia para prestar informações. Ele alegou que estava em São Paulo tratando da defesa para tentar seu retorno ao cargo de prefeito, negou que tivesse dado ordem para a realização dos atentados e indicou que quer saber

"em que circunstâncias os acusados prestaram depoimento".

O delegado do DIG-Garra ratifica que em dois depoimentos detalhados Izzo Filho é citado como mandante dos crimes, cabendo a ele escolher a vítima e o dia para o atentado. Ele também

é quem pagava o executor, através de seus seguranças.

"A maioria dos casos tinha valores em torno de R$ 1000. O Djalma ficava normalmente com R$ 400, o Robertão com R$ 400 e o executor R$ 200", cita Cardia em relação aos pagamentos.

Pressão no Cadeião

Um dos presos e um dos principais responsáveis por vários atentados, Alexandre Humberto Santos, procurou a imprensa, ontem pela manhã, na DIG-Garra para denunciar que estava sendo alvo de ameaças por parte de pelo menos dois representantes do prefeito Izzo Filho, sendo um dele o segurança Roberto Carlos Thomaz. Alexandre Humberto disse que não vai mudar seu depoimento e que disse toda a verdade. A exemplo de Djalma Duarte, Alexandre reforçou suas declarações dadas à polícia e mencionou apenas que tem preocupações com sua família.

Conforme Alexandre Humberto, a pressão começou logo que ele e os outros seis presos foram levados para a Cadeia Pública, no centro. Ele menciona que Robertão avisou que o local receberia advogado para que ele mudasse seu depoimento, assim como Djalma Duarte. Ambos são responsáveis por declarações contundentes em relação aos atentados, enquanto Nivaldo Aparecido da Silva assume a autoria do ato contra a residência do vereador Erlon Junqueira, com o uso de bomba incendiária.

Diante da situação, a DIG-Garra já se preparava para transferir Alexandre Humberto e Djalma Duarte para a prisão em Piratininga, junto com o mototáxi Fábio Souza Fernandes. Alexandre disse que não tem medo de morrer e que todos os serviços foram pagos pelo Izzo.