07 de julho de 2026
Geral

Financiamento

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

BB anuncia R$ 54 milhões para financiamento agrícola

BB anuncia R$ 54 mi para financiamento agrícola

Texto: Márcia Buzalaf

O Banco do Brasil (BB) anunciou, ontem, a liberação de R$ 54,2 milhões para o financiamento da safra de inverno, que começa em maio. A quantia é 14% maior do que a quantia destinada no ano passado, de R$ 47,53. Mesmo assim, a notícia não agrada o presidente do Sindicato Rural, Maurício Lima Verde Guimarães, 61 anos.

De acordo com Guimarães, as atuais condições de financiamento, somadas com a fragilidade da produção de inverno da região de Bauru são os motivos que fazem com que a notícia não seja tão animadora.

O primeiro motivo, as condições de liberação do crédito, segundo Guimarães têm se dificultado a cada ano, com a crescente exigência dos bancos e o aumento de inadimplentes do financiamento, o que impossibilita qualquer tipo de renegociação de contrato. "Dinheiro novo só tem acesso que não tem compromisso anterior com o banco", completa Guimarães.

Mesmo afirmando que é justamente pelo próprio passado que o produtor rural não consegue um novo financiamento, Guimarães diz que as atuais regras são muito rígidas e que elas são cabíveis apenas para os produtores que não tiveram problemas na última colheita. "Mas quem quer o dinheiro é aquele que perdeu a colheita pelo mau tempo", afirma.

O crédito

De acordo com Guimarães, o crédito rural é mesmo atrativo. Na comparação com as outras formas de financiamento, é uma das que oferece juros mais baixos: em torno de 10% ao ano. Além disso, os financiamento é feito hoje para começar a ser pago no futuro e com juros pré-fixados. "Ele é extremamente atraente, desde que você aplique em uma atividade que dê retorno", alerta Guimarães.

Todos os bancos, exceto o BB (que tem como obrigação financiar), devem aplicar 25% de todo seu depósito na área rural, em financiamentos. "Se um banco tem um depósito de 1 milhão, ele tem que comprovar para o Banco Central que ele aplicou 25% no setor rural", explica Guimarães.

Caso o banco não aplique esta quantia no setor primário

(agricultura e agropecuária), o Banco Central recolhe os 25% dos depósitos bancários a juros de 0% ao ano.

"Para ele, é muito melhor emprestar para os agricultores a 10% ao ano", completa.

Os bancos, segundo Guimarães, estão sem recursos. Por este motivo, ele diz que o sindicato é favorável para que se aumente esta alíquota para 30% do depósito bancário do país.

Os juros mais baratos e a tolerância maior com a inadimplência, segundo Guimarães, são compensações para os problemas do setor rural que estão fora de controle.

"O industrial produz sabendo por quanto vai vender. O produtor rural, não, ele planta e não sabe por quanto vai conseguir vender", garante.

Organização

Guimarães fala bastante sobre a força política do bancada ruralista, que está começando a ficar fortalecida. A bandeira levantada pelo sindicato no Congresso Nacional do cancelamento das dívidas rurais está ganhado mais adeptos.

Em Minas Gerais (MG), foi formada uma Comissão de Endividamento, que tem por objetivo discutir o endividamento agrícola. Ruralistas de vários estados estarão participando da discussão ainda esta semana, quando todos se encontram para discutir o futuro das dívidas do setor.