Delegado está convencido de ligaçãod e Izzo com acusados
Delegado está convencido de ligação de Izzo com acusados
Texto: Nélson Gonçalves
O delegado titular da DIG-Garra, J.J. Cardia, declarou, ontem, que já está convencido do envolvimento do prefeito afastado Antonio Izzo Filho (PPB) com os acusados dos atentados contra a residência de vereadores em Bauru. Cardia anunciou que vai pedir a prorrogação da prisão temporária dos sete acusados neste caso.
Depois do depoimento de Izzo, J.J. Cardia comentou: "já esperávamos que ele ia negar a acusação como mandante, bem como tudo aquilo tudo que foi dito nos interrogatórios. Então ele de fato negou tudo, as investigações prosseguem e eu estou convencido que ele tem ligação com esse pessoal". Cardia disse que são robustas as provas em relação a citação de Izzo, que serão apresentadas no "momento oportuno", além dos depoimentos onde são confessadas as autorias de vários atentados, com descrições detalhadas das ações nas casas de cada um dos vereadores.
A DIG-Garra aguarda a juntada de laudos no inquérito policial para sua conclusão. Uma equipe da Delegacia de Investigações Gerais está trabalhando para tentar localizar mais um suspeito, dentre os oito atentados descritos no inquérito. A arma utilizada para os disparos em dois atentados, um revólver Taurus 38, vai ser enviada para o Instituto de Criminalística da Polícia Civil para que seja feito laudo de balística.
A prisão temporária dos acusados termina depois de amanhã. Entretanto, o delegado antecipou que está pedindo a prorrogação por mais cinco dias, quando pretende concluir as investigações. O inquérito deve ser finalizado em 10 dias. J.J. Cardia, depois, vai pedir a prisão preventiva dos sete acusados até agora.
Acareação
A DIG-Garra disse que está realizando a acareação entre alguns dos acusados para sanar dúvidas ou divergências que estão nos depoimentos. Alguns dos acusados negam a participação em atentados, mas são apontados por outros. Os delegados querem saber quem está omitindo informação ou faltando com a verdade. A maioria dos atentados, entretanto, já estão com toda a ação desvendada pela Polícia Civil.
A DIG-Garra separou pelo menos três dos acusados, dos outros quatro que também estão presos. Alexandre Humberto Santos, o mototaxista Fábio de Souza Fernandes e o segurança de Izzo, Djalma Duarte Gonzaga foram levados para a delegacia de Piratininga. Eles estavam sendo pressionados por outros presos para mudar o depoimento, conforme alerta feito por Alexandre. Alexandre, Djalma e Fábio, além do ex-funcionário da Prefeitura, Nivaldo Aparecido da Silva, confirmam todos os atentados dos quais participaram e confessam as ações. Apenas Nivaldo assume para si toda a responsabilidade pela bomba jogada na residência do vereador Erlon Junqueira. Os outros, Alexandre, Fábio e Djalma, revelam as participações em atentados contra outros vereadores, além dos tiros nos carros do técnico de som Luiz Carlos Castro e da assessora parlamentar Josete Dias Pereira.
Contratações
Entre os acusados de atentados contra vereadores estão dois seguranças de Izzo, Roberto Carlos Thomaz e Djalma Duarte Gonzaga. O primeiro disse que só fala em juízo, o segundo ratificou todas as informações prestadas por outros depoentes. Ontem, Izzo Filho mencionou que "Robertão" foi contratado por meio de seu ex-chefe de Gabinete, Nelson Quagliato. Djalma teria sido indicado junto com Robertão.
Segundo o prefeito afastado, O ex-chefe de Gabinete já teria feito o contato com Robertão antes mesmo da cassação do mandato pela Câmara, em agosto de 1998. Durante os atos em favor de Izzo, os segurança já trabalharam. A partir de outubro de 98, Roberto Thomaz passou a prestar serviço recebendo pela Cohab, onde tinha salário de pouco mais de R$ 640,00. Em fevereiro último, Robertão já recebia mais de R$ 2.900,00 por mês, um aumento de salário de bem mais de 100%.
Segundo a DIG-Garra, tanto Robertão quanto Djalma teriam recebido aviso do ex-secretário de Turismo de Izzo, Alberto Ayub para que deixassem Bauru. Ayub os teria advertido de que seriam presos se ficassem na cidade. A versão dada por Izzo é de que Ayub procurou os seguranças, no último sábado, para dar dinheiro que seria utilizado para a liberação de um veículo alugado. O gol branco que estava em poder do segurança Djalma Duarte foi utilizado em ações dos atentados. A Polícia Civil acha que o dinheiro dado aos seguranças era para que fugissem para escapar da prisão temporária, o que acabou não sendo possível devido a ação da DIG-Garra. (NG)
Izzo poderá ser preso e impedido de sair do País
O prefeito Antonio Izzo Filho (PPB) poderá ter prisão preventiva solicitada junto ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ). A providência foi encaminhada para análise da Procuradoria Geral de Justiça do Estado, através de documentos enviados pelo MP e Delegacia Seccional de Bauru. Izzo Filho também poderá ser impedido de deixar o País. A providência para bloquear as fronteiras, alfândegas e saídas aéreas ou marítimas é encaminhada para análise da Corregedoria do Judiciário.
O prefeito afastado prestou informações, ontem, na Delegacia Seccional. Aproveitando o comparecimento de Izzo, o delegado da DIG-Garra, J.J. Cardia, também o ouviu sobre os atentados contra a residência de vereadores. Cardia disse que está convencido do envolvimento de Izzo nos atentados. Izzo nega tudo.
Já o delegado Seccional assistente, Edson Cardia, comentou que, por sua convicção, o prefeito afastado já teria sua prisão preventiva decretada. A mesma opinião
é defendida pelo representante do Ministério Público que acompanha as investigações, promotor criminal Hércules Sormani Neto. Entretanto, tanto o delegado quanto o promotor lembram que a competência para decidir sobre o assunto é do Tribunal de Justiça do Estado, depois de análise pela procuradoria Geral.
Ontem à tarde, porém, o procurador Geral de Justiça do Estado, Luiz Antonio Guimarães Marrey, encaminhou para o procurador que apura crimes contra prefeitos, Alberto Andrade de Oliveira Neto à solicitação de prisão para análise. Alberto Andrade disse, por telefone, que estava verificando todos os documentos e decidiria sobre o assunto nos próximos dias.
Ao deixar a Delegacia Seccional, ontem, onde prestou informações, o prefeito afastado Izzo Filho comentou que vai considerar uma
"arbitrariedade" se vier a ser preso preventivamente. Izzo não demonstrou a mesma convicção de vezes anteriores em relação à possibilidade de retorno ao cargo e negou qualquer participação nas denúncias tanto de extorsão quanto de atentados.
Quanto a possibilidade de deixar o País, em caso de ter sua prisão preventiva decretada pela Justiça, Izzo Filho também negou, dizendo que não procede a informação d que já teria até adquirido passagens aéreas para o exterior. O delegado assistente, Edson Cardia, comentou, por outro lado, que Izzo Filho foi questionado sobre essa possibilidade e comentou que não comprou passagens mas "estava com o passaporte em dia". O destino especulado em caso de uma eventual viagem às pressas foi Miami (EUA). Pelo menos um empresário da cidade, conhecido do prefeito, chegou a ser citado como alguém que receberia Izzo fora do País em caso de necessidade.