08 de julho de 2026
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Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Polícia conclui inquérito dos atenados na segunda

Polícia conclui inquérito dos atentados na segunda

Texto: Nélson Gonçalves

DIG-Garra encaminhou, ontem, autos do inquérito que apura atentados contra vereadores. Relatório será feito pela Delegacia Seccional

A Polícia Civil vai concluir, na próxima segunda-feira, o inquérito que apura os atentados contra vereadores e jornalistas em Bauru. A DIG-Garra enviou o processo, ontem, para a Delegacia Seccional. Como o prerfeito afastado, Antonio Izzo Filho (PPB) é citado como mandante dos atentados, o relatório final tem que ser feito pela Seccional, que vai encaminhar a peça para o Judiciário. Em caso de denúncia pelo Ministério Público, Izzo Filho ainda responde no Tribunal de Justiça. Os acusados que foram presos pela DIG-Garra respondem no Fórum de Bauru.

A DIG-Garra ainda deve entregar outras provas que ainda estão sendo colhidas ainda neste final de semana. Até segunda-feira, quando deve ser concluído o relatório do caso na Delegacia Seccional, ainda pode ser ouvido o ex-chefe de Gabinete de Izzo, Nélson Quagliato. Ele não foi intimado para prestar esclarecimentos ontem, conforme estava previsto. A Polícia Civil quer concluir o relatório do inquérito antes de se encerrar a vigência da prisão temporária em relação a seis acusados. Três estão presos na Delegacia de Piratininga, outros três estão na Cadeia Pública de Bauru. Em princípio, o inquérito apurou crime de incêndio, mas os atentados passaram a ser também realizados com o uso de arma de fogo.

Foram presos e ouvidos os seguranças de Izzo Filho, ambos com cargos de confiança na administração municipal, Djalma Duarte Gonzaga e Roberto Carlos Thomaz, o pedreiro contratado para alguns atentados, Alexandre Humberto, o mototaxista Fábio Souza Fernandes, o ex-assessor Lourival Dadamus e o ex-administrador da Regional do Mary Dota, Nivaldo Aparecido da Silva. A prisão temporária dos acusados foi prorrogada pela Justiça até a próxima terça-feira.

A previsão é que ainda na segunda-feira o inquérito seja levado ao conhecimento do Ministério Público que fará a análise das provas para eventual denúncia. Na denúncia também pode ser pedida a prisão preventiva dos acusados.

A DIG-Garra ainda não conseguiu prender um acusado, citado nos depoimentos como possível autor dos atentados com bomba incendiária na residência do vereador Rubens Spíndola

(PSDB) e no veículo de um profissional do Jornal da Cidade. O citado como suposto autor desses atos tem o apelido de "Dez". A DIG-Garra prossegue as diligências na tentativa de concretizar o mandado de prisão temporária dessa pessoa.

A DIG-Garra, além dos seis presos acusados dos atentados, também ouviu, no inquérito, o advogado Sérgio Mangialardo, que foi vítima de uma tentativa de incêndio contra seu escritório, o técnico de som Luiz Carlos Castro, que teve seu veículo Mitsubishi Eclipse, vermelho, baleado, o ex-secretário de Turismo da gestão Izzo, Alberto Ayub Jr., as esposas de pelo menos dois dos acusados presos até agora, um funcionário de um posto de gasolina na esquina da rua Araújo Leite com a av. Rdorigues Alves, onde consta que teria sido comprada a gasolina para os atentados, os profissionais do JC, Nélson Gonçalves e João Elias Jabbour, e o prefeito afastado Antonio Izzo Filho (PPB).

Conforme os depoimentos, Nivaldo Aparecido da Silva confessou autoria do primeiro atentado com bomba caseira, na residência do vereador Erlon Vinícius Torquato Junqueira. O mesmo procedimento realizado nas casas dos vereadores Luiz Carlos Valle

(PDT) e Roberto Relvas (PDT) foram assumidos pelo pedreiro contratado pelos seguranças de Izzo, Alexandre Humberto. O mototaxista Fábio Souza Fernandes assume que fez o transporte de Alexandre nesses atentados.

O mesmo Alexandre Humberto também revela que foi o autor dos disparos contra o carro do técnico de som Luiz Carlos Castro, que não conseguiu encontrar o vereador Toninuo Garmes (PSDB) para outro atentado e que só não atirou nas pernas do jornalista Nélson Gonçalves porque recebeu muito pouco para isso. O suposto autor do atentado com bomba caseira contra a residência do vereador Rubens Spíndola

(PSDB), apelidado de "Dez" ainda não foi localizado.

Os disparos contra o carro da assessora do vereador Lucrécio Jacques, Josete Dias Pereira, foram contados tanto por Djalma Duarte quanto por Alexandre Humberto. Resta apenas uma divergência em relação a autoria dos disparos. O segurança Djalma Duarte diz que apenas dirigiu um gol branco durante o ato criminoso, já Alexandre fala que Djalma tomou o revólver Taurus 38 de sua mão e fez os disparos. Segundo os depoimentos, a arma utilizada para este atentado seria a mesma usada nos disparos contra o carro do técnico de som Luiz Carlos Castro. O revólver foi apreendido pela DIG-Garra. Entre os acusados, Lourival Dadamus nega qualquer participação nos atentados e Roberto Carlos Thomaz disse que só fala em juízo. O advogado Francisco Roberto Ramos, que também foi preso no início dos depoimentos, foi liberado. A acusação contra ele era de que tinha fornecido o endereço de algumas das vítimas para os contratados para os serviços. O ex-secretário de Turismo da Prefeitura, Alberto Ayub Jr., conta que o prefeito afastado Izzo Filho mandou que ele, Ayub, avisasse os seguranças Djalma e Roberto que eram para "sair de circulação pois a casa caiu". O aviso dado por Izzo a Ayub, segundo o depoente, foi feito antes da prisão temporária dos acusados, no último final de semana. Izzo nega qualquer participação nos atentados.