08 de julho de 2026
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Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Procuradoria pede prisão de Izzo Filho

Procuradoria pede prisão de Izzo Filho

Texto: Nélson Gonçalves

Procuradoria pede prisão preventiva de Izzo com base no inquérito de extorsão contra ECCB e atentados a vereadores

A Procuradoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo pediu, ontem, ao Tribunal de Justiça, a prisão preventiva do prefeito afastado Antonio Izzo Filho (PPB). O pedido foi encaminhado ao segundo vice-presidente do TJ, desembargador Djalma Lofrano. A decisão deve sair na próxima semana. O pedido foi feito com base no inquérito civil entregue pela Delegacia Seccional de Bauru ao procurador Geral de Justiça do Estado de São Paulo, Luiz Augusto de Oliveira Castro. O procurador geral recebeu, ontem, em São Paulo, o delegado Seccional, Luiz Augusto de Oliveira Castro e o assistente, Edson Cardia. O inquérito envolvendo Izzo Filho contém cinco volumes, incluindo os depoimentos dos acusados de atentados a bombas caseiras contra vereadores.

O inquérito utilizado para basear o pedido de prisão preventiva de Izzo Filho foi enviado pela Delegacia Seccional. O delegado assistente Edson Cardia concluiu as investigações onde o prefeito afastado é denunciado por crime de extorsão contra a Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), junto com o ex-presidente da Emdurb, André Luiz Torrens. No inquérito, o delegado estima que Izzo Filho tenha conseguido obter, no esquema de extorsão, o equivalente a US$ 1,330 milhão, enquanto Torrens teria recebido R$ 630 mil das sócias-proprietárias da ECCB, Carmem e Nerle Quaggio Bresolin.

No inquérito entregue pela Delegacia Seccional à procuradoria de Justiça do Estado também consta os depoimentos e provas colhidos pela DIG-Garra de Bauru em relação aos atentados contra vereadores e jornalista, onde o prefeito afastado Izzo Filho é citado como mandante por dois dos acusados que estão presos temporariamente. O pedido de prisão preventiva de Izzo Filho foi feito pelo procurador de Justiça, Alberto de Oliveira Andrade Neto, responsável pela análise de crimes contra prefeitos no MP paulista.

O procurador de Justiça descreve ao desembargador que "encerradas as investigações verificou-se ter Izzo Filho, por vários e seguidos meses exigido elevadas importâncias em dinheiro da vítima, sob ameaça de não liberação de valores que lhe seriam devidos em razão de venda de passes". O procurador Alberto de Oliveira Andrade Neto embasa o pedido de prisão preventiva no artigo 196 do regimento interno do Tribunal de Justiça. A procuradoria lembra que Izzo Filho já responde por outros procedimentos penais, entre os quais estão três ações em denúncias de formação de quadrilha, concussão, corrupção passiva e peculato. O procurador de Justiça frisa que "o indiciado pautou sua gestão pelo envolvimento em vários escândalos administrativos, tendo montado esquemas de obtenção de propinas e práticas de corrupção. Sua ações criminosas e lesivas ao erário municipal foram investigadas pelo Ministério Público local, culminando-se pela propositura de várias ações civis públicas por atos de improbidade administrativa".

A procuradoria Geral lembra que Izzo Filho foi cassado pela Câmara em agosto do ano passado, mas retornou ao cargo provisoriamente por força de liminar concedida pelo 1º vice-presidente do Tribunal de Justiça, Cunha Bueno. O procurador Alberto Andrade comenta que "desde então a comunidade bauruense passou a assistir, incrédula, perplexa e assustada, à prática de sucessivos atos terroristas, consistentes em vários atentados contra políticos e jornalistas locais, com lançamentos de bombas incendiárias contra suas residências e disparos de armas de fogo contra seus veículos".

Alberto de Oliveira Andrade Neto ressalta que, após investigações procedidas, a autoridade policial desvendou os atentados onde verificou-se "terem sido praticados por ordem e a mando do indiciado Antonio Izzo Filho. Os executores, em especial Djalma Duarte Gonzaga e Alexandre Humberto dos Santos, além de detalharem suas respectivas participações em vários atentados contra vereadores, indicando com clareza estarem cumprindo ordens emanadas em última instância por Antonio Izzo, responsável também pelos pagamentos das recompensas que recebiam, revelam, ainda, que futuros atentados já estavam planejados". A procuradoria cita a divulgação dos planos para assassinar o promotor Carlos Roberto Simioni e o juiz da 3ª Vara Cível do Fórum de Bauru, Mauro Ruiz Daró.

Para a procuradoria de Justiça, Antonio Izzo Filho mostra

"personalidade capaz de realizar atos de perversidade e violência para mera satisfação vingativa". Para reforçar o pedido de prisão preventiva, o procurador de Justiça considera que o indiciado é capaz de "patrocinar novas violações à ordem pública. Sua custódia se impõe, deste modo, para prevenir a reprodução de novos fatos criminosos".

Para o procurador Alberto de Oliveira Andrade Neto, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG-Garra) demonstra, na representação que encaminhou o inquérito policial, que Antonio Izzo Filho teria intenção em deixar o País. Um dos possíveis destinos mencionados na denúncia é Miami (EUA). Ontem, Izzo Filho não foi encontrado para comentar o assunto. O advogado Ailton Gimenez estaria em São Paulo tratando de documentação relativa ao recurso movido por Izzo (agravo de instrumento), com a pretensão de derrubar a liminar que o afastou do cargo.