Carros "dublês" invadem as ruas de Bauru
Carros 'dublês' invadem ruas de Bauru
Texto: Rita de Cássia Cornélio
Antes de comprar um veículo é preciso verificar se a numeração do chassi não está remarcada. Vistoria já detecta 12 casos por mês em Bauru
Comprar um carro 'dublê' ou 'cabrito' é um risco que atinge 12 das 3 mil pessoas que têm veículo vistoriado em Bauru, por mês. Adquirir veículos de pessoas desconhecidas ou em locais não estabelecidos é um risco para o comprador.
O delegado da Dig/Garra J.J.Cardia diz que comprar um veículo exige muita atenção do comprador. "Deve-se adquirir o carro em concessionárias ou em estabelecimentos de credibilidade. Locais onde o comprador possa retornar e exigir seus direitos, no caso do veículo apresentar algum problema."
Segundo o delegado da 5ª Ciretran, Ciro Bonilha, consultar o o Detran não garante que o veículo seja 'quente'.
"O ideal é que o carro passe por uma vistoria do perito. Ele tem experiência suficiente para detectar os casos."
Para que o veículo passe pela vistoria é necessário que o comprador transfira o carro para seu nome. "Quando ele faz a transferência é feita a vistoria. Caso seja 'dublê', o veículo é apreendido e vai para exame metalográfico a fim de detectar qual é o veículo original."
Outra maneira de detectar o 'dublê', de acordo com Bonilha
é no momento do licenciamento. "Aparecem dois veículos com o mesmo código. Às vezes, um deles foi licenciado noutro estado."
Detectar o veículo 'cabrito' não é tarefa muito fácil, frisa o comandante da 1ª Cia da PM capitão Benedito Roberto Meira. "Durante uma fiscalização, o PM checa a numeração do chassi com o Detran. Se o carro é 'dublê' e o proprietário do original desconhece, a consulta vai resultar em carro positivo."
O vistoriador da 5ª Ciretran Alberto Luiz do Carmo, 46 anos, ressalta que as adulterações de chassi são, quase sempre, bem confeccionadas. "Eles transformam um número 3 em 8. O zero em 8." Há casos grosseiros em que as emendas são vistas a olho nu.
Carmo sugere que os fabricantes de veículos nacionais e importados padronizem a marcação do chassi. "Todas as indústrias nacionais dentro de um padrão. Todos da mesma largura, tipo de letra etc. Os importados também. Desta maneira, cada cidadão se tornaria um perito."
Mais baratos
Na opinião do capitão Benedito Roberto Meira, quem compra um veículo 'dublê' conhece a situação.
"O preço é muito mais barato. Os 'dublês' valem 40% do valor de mercado."
O capitão garante que desconhece este tipo de comércio na cidade. "Em São Paulo há muitos locais onde se compra carros frios. O vendedor chega a falar para o comprador que tem uns probleminhas. O comprador consulta o Detran e pelo número de chassi não consta como veículo produto de furto ou roubo."
Já na opinião do vistoriador da 5 ª Ciretran Alberto Luiz do Carmo, a maioria dos compradores de carros 'dublês' são terceiros de boa fé. "O comprador consulta o Detran e no computador consta um carro com as mesmas características. Ele compra na boa fé. Na vistoria é detectado a adulteração e ele perde o veículo."
Definir qual é o veículo original demanda tempo, segundo o delegado J.J.Cardia. "O carro é apreendido após constatar a remarcação de chassi e passa por perícia. O laudo é que define qual é a numeração original". O veículo original, normalmente produto de furto, é remarcado na Ciretran e se torna legal.
Peças de motos no
mercado clandestino
O furto de moto teve uma explosão em Bauru após a implantação dos serviços de mototáxi. Comprar peças no mercado paralelo custa mais barato e sustenta os ladrões deste tipo de veículos, segundo o capitão Benedito Roberto Meira. "Não estou dizendo que os profissionais da área estão envolvidos", frisa.
Meira diz que como a profissão não é legalizada
é mais difícil para o mototaxista repor peças do veículo. "Eles procuram peças mais baratas e acabam adquirindo-as no mercado clandestino. A maioria dos furtos de moto é para desmanche."
Dicas
* Nunca compre veículos de desconhecidos
* Adquira veículos em concessionárias ou em estabelecimentos com credibilidade na cidade
*Verifique se o chassi não está remarcado
* Consulte o Detran sobre multas
Caça a um veículo idêntico
Como o golpista consegue fazer um 'dublê'? . "Ele furta ou compra um carro furtado. Procura um carro idêntico e pega a placa. Vai a um despachante e pede consulta para ver se tem multa. Recebe a resposta com todos os dados do veículo original. Muda a numeração do chassi do carro furtado que passa a transitar como se fosse o original".
Segundo o delegado J.J.Cardia, as multas desse carro vão ser creditadas ao veículo original. A maioria dos dublês só é descoberta quando o original vai ser licenciado ou quando a falsificação é constatada durante fiscalização. Furtos e Roubos/98
118 furtos de automóveis
71 motos
13 roubos
Do total foram recuperados cerca de 94
Furtos e Roubos/99
Janeiro: 10 furtos de carros e cinco motos
Fevereiro: 17 furtos; 13 carros e 4 motos
Dois roubos em 99
Veículos mais visados
Volkswagem: Fusca ,Gol, Passat
Chevrolet: Opala e Chevelet
Fiat: Uno
Tipos de dublês
* dublês de placas
* dublês de documento
* adulteração de chassi
Golpe atingiu 20 bauruenses
Na Delegacia de Investigações Gerais Dig/Garra foram instaurados 20 inquéritos de estelionato e falsificação contra uma mulher que usou dois nomes, Silvana Marson e Silvana Ribeiro dos Santos, no ano passado.
De acordo com o delegado titular da Dig/Garra José Jorge Cardia essa mulher comprava veículos sinistrados em leilões e usava os documentos. "Ela não dava baixa na documentação alegando que ia recuperar o carro. Encomendava um veículo com as mesmas características a uma quadrilha de ladrões e usava o documento do sinistrado no veículo furtado. "Os carros dublês foram apreendidos e a autora dos crimes está sendo procurada pela polícia. "Ela está desaparecida. Ela já respondeu processos em inúmeras cidades."
Caça aos importados
A vedete dos furtos vai ser os importados, prevê o vistoriador Alberto Luiz do Carmo, que há 20 anos trabalha na Ciretran. Pela tese apresentada por ele, em cada época uma marca de veículo passa a ser a preferida pelos "puxadores" de carros. Com a alta do dólar as peças de reposição passaram a custar muito mais caro. Ele acha que o mercado clandestino de peças vai crescer.
Comprar peças importadas no mercado clandestino pode custar até 50% menos. Para abastecer o mercado clandestino de peças, os ladrões de veículos vão priorizar os importados.
Carmo lembra que para detectar um dublê de importado é muito mais difícil. "Nós vistoriadores aprendemos a verificar a numeração dos chassis dos carros nacionais. Os importados possuem um outro tipo de marcação. Cada marca usa um tipo de marcação."