07 de julho de 2026
Geral

Dança de rua

Solange Monteiro
| Tempo de leitura: 4 min

Dança de Rua conquista adeptos em Bauru

Dança de Rua conquista rapazes em Bauru

Texto: Solange Monteiro

Já foi o tempo em que homem que dançava era "marica", pelo menos no que diz respeito ao grupo masculino de Dança de Rua ou "Street Dance" da academia Studio R. O grupo

é, na verdade, uma iniciativa da professora de dança Regina Cardoso Gonçalves, 31 anos, de criar a oportunidade para quem não pode pagar uma academia. E deu certo na sua opinião. Segundo explicou, a maioria dos garotos não entram em academia que não seja de musculação, mas essa experiência é muito boa e não só para os rapazes. "Nós vivemos uma vida diferente da deles com experiências diferentes", disse. E isso é o que acaba acrescentando mais conhecimento e novidade, segundo a professora.

A Dança de Rua nasceu como manifestação social dos negros norte-americanos que vivam em guetos e misturava ritmos como o rap e o break entre outros. Hoje, faz parte do programa de academias e é um sucesso porque há uma identificação quase natural entre ritmo e dançarinos.

O grupo

Ao todo são 10 rapazes com idade entre 19 e 23 anos, com profissões diferentes, que compõem o grupo de Dança de Rua. Quase todos já se conheciam, participavam de grupo de pagode e dançavam aos finais de semana. Mas sem dúvida, subir ao palco para dançar "de verdade" com platéia e tudo, com direito a "friozinho" na barriga e medo de errar foi uma experiência e tanto. É o caso do serralheiro Mike Rogério de Oliveira dos Santos, 20 anos, que enfrentou tudo isso e o ciúme da namorada. A emoção de subir ao palco pela primeira vez ele exprime assim: "Eu me senti uma estrela".

O mais interessante é que a família acaba apoiando como no caso dos ajudantes de serviços gerais Flávio Cosme dos Santos, 23 anos, conhecido como "Axé" e Marcos Roberto Benedito, 20 anos. Ambos estão desempregados e sobrevivem fazendo "bicos", mas sempre que precisam de algo que se relacione à dança dão um jeito. A família ajuda e os amigos do grupo também porque o objetivo é manter os componentes iniciais e montar outros grupos.

Grupos aliás, que logo se formarão segundo eles, porque muitos rapazes que achavam a dança coisa de "marica" hoje procuram saber mais e querem até participar.

Regina explica que quando estão dançando, há um compromisso deles com eles mesmos e não com a sociedade ou com qualquer outra pessoa. Segundo ela, não há a cobrança por terem tirado nota baixa ou por estarem desempregados, mas a vontade de melhorar e dançar bem, muito bem.

Consciência

Quando vêem algum "clip", um passo diferente, ou ouvem uma música com letra do tipo "papo cabeça" eles páram para pensar, segundo Benedito. "Elas falam até que as drogas não fazem bem. Eu gosto. Eu páro para pensar."

O relacionamento também se torna melhor na opinião do comprador Carlos Roberto Nicoleto, 20 anos. É como se ficassem mais autoconfiantes na sua opinião.

Meninos e Meninas

Meninas dançando "Street Dance"? Sim. Por que não?! Há meninas interessadas em integrar o grupo pelo prazer de dançar e isso acaba levando a uma outra situação: a integração, o sentido de grupo, que norteia a dança porque tudo tem que ser sincronizado e se tiver bom relacionamento entre as integrantes, tanto melhor.

Aliás sentimento de grupo, unidade, é um ponto destacado pela advogada Paola Sampieri Tonello, 26 anos. Na sua opinião, o grupo de dança é diferente, por exemplo, do grupo com o qual se relacionava na faculdade porque existia muita competitividade, ao contrário da dança. "As minhas amigas sempre foram da academia, não da faculdade", disse.

Além disso, a consciência corporal, de si mesmo, são conquistas que a dança oferece, segundo o grupo. A estudante de biologia, Carolina Demétrio Ferreira, 19 anos, sofreu um acidente grave há alguns anos e foi a dança o que mais a ajudou a superar o problema, inclusive o trauma psicológico. A "Dança de Rua", na sua opinião é muito empolgante porque não possui muita técnica e qualquer pessoa pode fazer.

Tanto para Paola quanto para a dentista Juliana Tamião, 22 anos, a dança cria mais sensibilidade e desperta a sensualidade, típica da mulher, e que não é vulgar. Para Paola, a dança é um vício, "quando você mexe o corpo põe muita emoção no que faz e a dança explode. É uma explosão silenciosa".

A fonoaudióloga Natália Barreto Frederigue, 25 anos, e a professora de balé clássico Josiane Machado, 24 anos, concordam que a dança faz muita falta. Tanto que quando a academia está fechada no período de férias, torcem para que o tempo passe logo e possam dançar de novo.

Serviço

A academia Studio R fica na rua Raposo Tavares, 4-63 e o telefone de contato é (014) 224-1809.