Conciliar tratamentos traz bons resultados
"As duas medicinas devem caminhar juntas", diz terapeuta
Texto: Adriana Rota
A terapeuta Elizabete Maria Toledo, 39 anos, que trabalha há nove e estuda há 15 alternativas de tratamento, acredita que conciliar a medicina ortodoxa e a oriental é fundamental.
"Se uma só fosse boa a outra não existiria, corcorda? Às vezes, a paciente comenta: 'não preciso mais ir no ginecologista, estou fazendo acupuntura'. Eu digo: de jeito nenhum!".
Ela é formada em Psicologia, tendo chegado a trabalhar durante 10 anos fazendo diagnóstico de personalidade. "Procurava o porquê das coisas e resolvi me aprofundar", disse. Foi convidada a estudar na Academia Nacional de Acupuntura (ABA) e, mais tarde, cursou Medicina Oriental na China, além de especializações em países da Europa. Elizabete explica que, para trabalhar como acupuntor, é necessária a formação em alguma área de saúde, como Enfermagem, Odonto, Biologia, dentre outras, porque o conhecimento de anatomia é primordial.
Nas consultas, disse que procura fazer um levantamento das queixas do paciente, confere os diagnósticos já existentes, faz o exame de pulsologia (batimento de pulso), iridologia (estudo da íris do olho), da orelha e da língua.
O mais importante, na verdade, é descobrir o motivo que levou o paciente a desenvolver o distúrbio. "É importante ressaltar que não se trata uma doença sem tratar a cabeça. O paciente faz sua doença. Mas é claro que os sintomas tem de ser tratados também, depois que o problema está instalado. Obesidade, por exemplo: não é só fazer regime. Não basta fechar a boca, como dizem. Na verdade, tem de destramelar a língua, falar tudo o que tem direto para descobrirmos e trabalharmos essa parte", explicou.
Segundo ela, todas as doenças podem ser tratadas e todas apresentam algum resultado, ainda que demore um pouco. Existem histórias de sucesso até mesmo com enxaqueca, por exemplo, difícil de ser combatida pela medicina 'ocidental'.
A especialista lembra que esse é um tratamento terapêutico, cujo tempo e resultados variam de caso para caso. É preciso também ter em mente, que desequilíbrios distintos,
às vezes apresentam sintomas semelhantes. "Cada pessoa tem seu grau de desequilíbrio", esclareceu.
Para proteger-se dos charlatães, a terapeuta recomenda que seja observada atentamente a higiene do lugar: o ambiente tem de ser fiscalizado pela vigilância sanitária possuir piso frio, pia na sala, paredes laváveis, lençóis limpos, agulhas descartáveis (de preferência), além da higiene do terapeuta, facilmente percebida pelo uso do uniforme branco. E o principal: "desconfie quando ele disser que cura tudo". A Associação Brasileira de Medicina
(ABM) é o órgão responsável pela regulamentação do acupuntor.
Ervas, chás e remédios que podem ser feitos em casa são ensinados aos pacientes. "Eles comentam a diferença de preço. Dizem que os farmacêuticos chegam a perguntar se estão 'de mal'. O mais interessante disso, na verdade,
é que equilíbrio significa não ficar doente", festejou.
Elizabete faz um trabalho junto a pacientes carentes, aos sábados, no qual apenas o material gasto é cobrado (fica em torno de R$ 2,00). Essas pessoas tem de ter uma indicação de médicos alopatas que já estejam acompanhando o caso.
Outras técnicas
De acordo com Elizabete, a medicina oriental engloba várias técnicas além da acupuntura, como a fitoterapia, que consiste na utilização de ervas medicinais, a ventosa, método que utiliza pressão negativa dentro de um recipiente que suga a pele, estimulando o tecido local e a fotografia de aura, através da qual se pode ver a energia do organismo.
O uso do laser e de eletromagnetos agilizam o trabalho. A moxa, um material produzido com folha de artemísia moída, cuida da estimulação local através do calor
(moxibustão), o mesmo princípio do laser.
Uma técnica nova, que chegou ao Brasil há aproximadamente um ano, é a spiro tape (lê-se espairo teipe, que significa fita em espiral), cujo objetivo é o de equilibrar as energias da musculatura de yin e yang, dispondo tiras de esparadrapo de forma a fazer a energia circular diretamente sobre o local, eliminando a dor de imediato.
A terapia foi descoberta por acaso por um ortopedista japonês chamado Nobutaka Tanaka, em 1985, quando percebeu que a dor do paciente aumentava ou cessava de acordo com o modo como o médico colocava as fitas de gesso.