08 de julho de 2026
Geral

Energia elétrica

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 5 min

CPFL aumenta a tarifa em abril

CPFL aumenta a tarifa em abril

Texto: Márcia Buzalaf

Depois da privatização da empresa distribuidora de energia elétrica, a CPFL (que não mudou de nome) está anunciando um investimento de US$ 500 milhões até o ano 2000 nos 234 municípios do interior de São Paulo.

Também anuncia um aumento da tarifa de 4,23%, em contrapartida, tem como base o reajuste da inflação e a dolarização da energia que compra de Itaipu.

A CPFL privatizada anunciou o reajuste de suas tarifas em abril, para equivaler à inflação do período depois do último reajuste, de 4,23%, em 16 de abril do ano passado . De acordo com o gerente do distrito de Bauru, Lúcio Esteves Júnior, 40 anos, ainda não se sabe de quanto será o aumento, mas ele deve representar a inflação do período.

A outra questão que interfere no preço frente à desvalorização do real é a dolarização do produto. Atualmente, esta sendo discutida a possibilidade de se fixar em R$ 1,32 o dólar para a compra de energia da Usina de Itaipu.

A revisão tarifária com a empresa deve se dar em abril, mesma época em que Esteves Júnior afirmou que será feito o reajuste.A atual conjuntura do país também aumentou o número de cortes feito pela empresa.

Apesar de não apresentar números, Esteves Júnior disse que em fevereiro, na decorrência das mudanças econômicas, teve um crescimento da inadimplência. Em uma média geral, Esteves Júnior diz que, em relação ao que era cortado antes quando era estatal, a CPFL corta muito menos agora. "Tem dia que a gente faz mais, tem dia que a gente faz menos", completa.

Quando a empresa era estatal, o corte era feito depois 21 dias do vencimento da conta. Atualmente, a conta é enviada ao consumidor. Se não efetuar o pagamento, a CPFL aguarda de dois a três dias para o período de processamento do banco ou da própria companhia. Se depois deste período o consumidor continuar inadimplente, ele recebe uma correspondência, chamada de "reaviso", de mais 15 dias. Se não efetuar o pagamento, aí, sim, o funcionário da CPFL sai a campo para efetuar o corte.

Mesmo assim, Esteves Júnior diz, o corte só acontece se o consumidor não apresentar o boleto da conta paga.

"Antes de efetuar qualquer corte, ele pede para ver a conta de energia", completa. Um número médio de cortes seria de 200 cortes por dia, quando se tem um bom número de cortes a serem feitos. Mesmo assim, Esteves Júnior diz, vários cortes não são efetuados porque os clientes apresentam as contas pagas.

Inadimplência

A inadimplência das prefeituras municipais, diz Esteves Júnior, não é grande nas 13 prefeituras que o distrito de Bauru reúne, que são Agudos, Arealva, Avaí, Boracéia, Borebi, Cabrália Paulista, Duartina, Iacanga, Lucianópolis, Paulistânia, Pederneiras, Piratininga e Presidente Alves. "Eu não tenho tido problema grave com estes municípios. Quando algum tem problema, a gente senta e negocia", afirma.

Para executarem as obras solicitadas por uma Prefeitura Municipal, Esteves Júnior explica, a conta do município tem que estar sendo paga em dia. Mas, quando o consumidor precisa da ligação de energia elétrica, independe da prefeitura. "Nós fazemos o projeto. O preço varia de acordo com o número de consumidores, da rede necessária", afirma Esteves Júnior quando diz que, na maioria da vezes, não se cobra nada pelo serviço.

Com municípios, ele explica, o problema são das obras de energia pública. "Nós não vamos colocar braços de iluminação pública para aumentar ainda mais a inadimplência. A partir do pagamento, nós executamos a obra", garante.

O presidente, Ronald Jean Degen, já informou que a inadimplência

é um dos maiores problemas da empresa, representando 10% do faturamento líquido da empresa toda. A quantia fica entre R$ 700 mil e R$ 800 mil por mês, ou US$ 370 mil e US$ 420 mil.

Vale lembrar que, em novembro do ano passado, o grupo formado pela Votorantin, pelo Bradesco e pela Camargo Corrêa foi o vencedor na privatização da estatal, que foi vendida por 70% a mais do que o preço mínimo previamente determinado pelo Estado.

Privatizada

Depois da privatização, a CPFL foi notícia na imprensa, inclusive neste jornal, por dois motivos: o "corte" de subsídios que faria nas tarifas sociais e a dificuldade de atendimento nos dias de chuva forte na cidade.

Esteves Júnior diz que a CPFL não cortou os subsídios para os chamados consumidores de baixa renda. O que o distrito de Bauru fez, e que está sendo expandido para todo o Estado atualmente, segundo Esteves Júnior, foi o recadastramento destes consumidores. O motivo desta iniciativa é dar subsídios para quem realmente se enquadra no perfil exigido pela empresa: consumo máximo de até 120 KWh por mês, ligação monofásica e carga de até 4 mil watts. "Se ele cumprir os três requisitos, ele continua a tarifa subsidiada. Se ele descumprir uma das três, ele passa a pagar a tarifa normal", alega. A tarifa social foi instaurada pela portaria 261, da Agência Nacional de Águas e Energia Elétrica

(Aneel).

Em Bauru, dos 100 mil consumidores, 30 mil receberam a carta para recadastrar suas residências. O Sindicato que representa a categoria em Bauru já se pronunciou contra o cadastramento, frente à crise nacional que o país atravessa e o crescente desemprego.

Quanto à demora no atendimento telefônico no caso de queda de energia, Esteves Júnior explica que a CPFL de Bauru tem nove linhas. Cinco linhas são destinadas para a área comercial (número: 120), e tem atendimento das 7 às 22 horas; e quatro linhas são para o setor de emergência (número: 196), que funciona 24 horas por dia. "Não dá para dar assistência para toda a demanda", confessa Esteves Júnior. O telefone de emergência para as outras cidades do distrito de Bauru

é: 0800-120-196.

Outro ponto importante em uma empresa recém-privatizada

é a redução no quadro de funcionários. Esteves Júnior diz que o Plano de Demissão Incentivada

(PDI) foi apresentado em fevereiro de 98 e propunha 0,6 salários brutos contratuais por ano de empresa até o máximo de 10 salários.

Entre PDI e aposentadoria, cerca de mil funcionários foram desligados do quadro de funcionários da CPFL toda. Em Bauru, Esteves Júnior diz, a redução de quadro de funcionários não foi significativa e houveram até contratações.