Polícia vê risco na liberação de acusados
Polícia vê risco na liberação de acusados
Texto: Nélson Gonçalves
Delegacia Seccional pede urgência na decretação de prisão preventiva para os acusados dos atentados. Prazo termina hoje
Mesmo com a decretação da prisão preventiva de Antonio Izzo Filho (PPB) no caso ECCB, a Delegacia Seccional de Bauru solicitou, ontem, um segundo mandado de prisão em relação ao prefeito afastado, desta vez com base no inquérito dos atentados contra vereadores com bomba incendiária e tiros contra a residência e veículos. A Delegacia Seccional, entretanto, alerta o Tribunal de Justiça para o risco dos acusados serem soltos hoje, a partir da meia noite.
Pensando nessa preocupação, o delegado assistente, Edson Cardia, enfatizou, ontem, durante entrevista coletiva, que foi feito "em regime de urgência pedido ao Tribunal de Justiça para que analise, no máximo até hoje à tarde, a prisão preventiva dos acusados dos atentados. Se isso não acontecer, a população voltará a ficar insegura e os acusados terão que ser soltos porque termina hoje à meia noite o prazo da concessão da prisão temporária".
Assim, tanto a Delegacia Seccional quanto a Procuradoria de Justiça do Estado de São Paulo, enfatizaram ao desembargador Djalma Lofrano a necessidade de ser analisado, ainda hoje, o pedido de prisão preventiva dos acusados nos atentados. Estão presos, de forma temporária até à meia noite de hoje, os seguranças de Izzo, Djalma Duarte Gonzaga e Carlos Roberto Thomaz, o mototaxista Fábio de Souza Fernandes, o ex-assessor da Regional Administrativa do Mary Dota, Nivaldo Aparecido da Silva, o contratado para alguns atentados, Alexandre Humberto dos Santos, e o ex-assessor da Cohab, Lourival Dadamos.
Na representação feita à Procuradoria de Justiça, despachada ontem à tarde pelo procurador Alberto de Oliveira Andrade Neto, estão descritos os atentados nas residências dos vereadores Erlon Junqueira, Luiz Carlos Valle, Roberto Relvas, Rubens Spíndola, além dos tiros contra o veículo da assessora parlamentar de Lucrécio Jacques, Josete Dias Pereira, do técnico de som, Luiz Carlos Castro e do atentado contra veículo de um profissional do JC.
Para o delegado assistente Edson Cardia, "no aspecto criminal, a conduta do indiciado Antonio Izzo Filho alcançou tal nível de perigosidade que comprometeu seriamente a paz social, pela prática de atos tão violentos que consumou o terror inflingido à população e seus representantes no Legislativo, merecendo o repúdio de toda uma comunidade".
A Delegacia Seccional salienta que a decretação da prisão preventiva se faz "imperiosa para garantir a ordem pública, a conveniência da instrução criminal e assegurar a aplicação da lei penal". Para o delegado assistente a autoria dos atentados, bem como a confissão por parte de alguns dos presos, demonstra, junto com as provas colhidas no inquérito, que se trata de uma organização estável, o que motivou o indiciamento de Izzo Filho em crime de formação de quadrilha.
Izzo não foi encontrado
A Polícia Civil, através da Delegacia Seccional, desencadeia, desde a tarde de ontem, operação tentando localizar o prefeito afastado Antonio Izzo Filho, para cumprir o mandado de prisão preventiva expedido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, através do desembargador Djalma Lofrano.
A Delegacia Seccional também informa que os autos suplementares da apuração dos atentados contra vereadores serão realizados, a partir de agora, pelo delegado assistente, Edson Cardia. Esses autos, posteriormente, serão encaminhados ao Ministério Público e ao TJ para juntada no inquérito principal.
Ontem à tarde, Edson Cardia antecipou que vai convocar o ex-chefe de Gabinete de Izzo, Nélson Aquiles Quagliato, para prestar esclarecimentos. Cardia ainda mencionou intenção em ouvir novamente o ex-secretário de Turismo da Prefeitura, AIberto Ayub Jr. O mesmo será feito em relação ao segurança, Roberto Carlos Thomaz. "Robertão"
é o único dos presos que não confirmou nem negou a autoria ou participação nos atentados, reservando-se, até agora, a somente prestar declarações em juízo. Thomaz é acompanhado pelo advogado Edson Roberto Reis.