07 de julho de 2026
Geral

CEI

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 2 min

Análises dos contratos firmados com Previdello começam amanhã

Análises dos contratos firmados com Previdello começam amanhã

Texto: Josefa Cunha

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) aberta para investigar denúncias de irregulares em contratos firmados entre o município e as empresas de Adhemar Previdello - Pérola Turismo e Bariri Tur - começa a analisar amanhã os documentos enviados pela Prefeitura. Mais de 24 contratos serão averiguados pela CEI, através da assessoria técnica graciosamente oferecida pelos sindicatos dos Engenheiros e Contabilistas de Bauru.

Ontem, a comissão esteve reunida com representantes das duas entidades sindicais para acertar detalhes sobre a metodologia de trabalho. Uma das deliberações é de que os assessores terão amplo acesso aos documentos, nos horários por eles mesmos estabelecidos. Engenheiros, responsáveis pela averiguação das medições, e contabilistas, pela análise contábil propriamente dita, trabalharão na sala da consultoria jurídica da Câmara, onde terão um computador para os respectivos relatórios.

Seguindo sugestão do vereador João Parreira de Miranda

(PMDB), membro da CEI, as análises seguirão na ordem decrescente das datas dos contratos, ou seja, começarão a partir de janeiro deste ano e prosseguirão até janeiro de 1991. A ordem cronológica objetiva constatar inicialmente se realmente há irregularidades nos últimos contratos firmados pela administração Izzo Filho com as empresas de Previdello. Vale lembrar que a CEI foi aprovada após denúncia do PDT, que levantou fortes suspeitas sobre superfaturamento e contratações sem licitação. Somente no ano passado, a Prefeitura empenhou quase R$ 3 milhões para os serviços de transporte de alunos e servidores. A quantia é considerada exagerada.

Por conta da prescrição automática de documentos contábeis cinco anos após sua declaração ao Imposto de Renda, ainda não é possível afirmar se todos os contratos firmados a partir de 1991 serão analisados. A obrigatoriedade de arquivamento, contando da data atual, retroagiria cinco anos, portanto em 1994.

As principais suspeitas em relação às contratações dizem respeito à quilometragem rodada pelos ônibus e aos valores dos serviços. Há registros de linhas com 350 ou mais quilômetros diários em itinerários de pouca distância. Os valores pagos às empresas de Previdello no ano passado, por exemplo, justificariam, segundo os denunciantes, o transporte de R$ 7,2 milhões de servidores e alunos.

Numa espiada rápida nos documentos entregues pela Prefeitura já foi possível constatar que os percursos diários de cada linha costumam superar a marca dos 300 quilômetros, ainda que uma das localidades mais distantes seja o distrito de Tibiriçá. Também foi possível observar que, pelo menos desde 1991, a Prefeitura sempre licitou o serviço de transporte de servidores e alunos através da modalidade carta-convite. Coincidentemente, sempre figuraram na disputa as empresas de Previdello ou da família Quaggio, que até o ano passado também eram administradas por Previdello.

À primeira vista, notou-se um "revezamento" para a contratação das vencedoras.

A CEI é presidida por Luiz Carlos Valle (PDT) e tem como relator o tucano Antonio Carlos Garmes. Integram-na como membros João Parreira de Miranda (PMDB), Rino Biagio (PPB) e Rogério Medina (PTB).