Bancários questionam abono acordado com o Banco do Brasil
Bancários questionam abono acordado com o BB
Paulo Toledo (*)
Um acordo coletivo firmado com a intermediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), entre a Confederação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito (Contec) e o Banco do Brasil (BB) está sendo questionado pelos bancários. Pelo acordo, o BB pagará abono salarial de até R$ 2 mil aos seus funcionários, conforme o cargo que ocupam.
Marcos Aurélio Silvestre, 32 anos, diretor do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região, contesta a legitimidade do acordo já que, segundo ele, a Contec representa apenas 10% dos funcionários do Banco do Brasil. Segundo ele, a Confederação Nacional dos Bancários (CNB), que representa os outros 90%, não participou da negociação que, na visão do sindicalista, é lesiva para a categoria.
Os funcionários das carreiras administrativa e técnico-científica receberão R$ 2 mil, em quatro parcelas de R$ 500,00, de março a junho. Os empregados da carreira de serviços auxiliares terão R$ 1 mil, também em quatro parcelas iguais. A negociação foi mediada pelo vice-presidente do TST, ministro Almir Pazzianotto. "Agora, o banco quer estender esse acordo a todos os funcionários", afirmou.
O grande problema, afirma Silvestre, é que o acordo retira vários direitos dos trabalhadores do BB e isso precisa ser avaliado por eles se há, ou não, condições de se obter avanços e, com isso, detenonar um processo de avaliação. Há três anos, diz o sindicalista, os trabalhadores não recebem aumentos.
Entre as perdas estão a proibição de demissão coletiva, como mandava o último acordo. Além disso, os portadores de Lesões por Esforços Repetitivos
(LER) vão perder o direito ao recebimento do "ticket" refeição e sem vale alimentação, durante o afastamento, o que o Sindicato considera uma punição aos doentes. "Existem outros pontos, mas os principais são esses. A idéia é derrubar esse acordo, pois é muito ruim para os trabalhadores, por ser unilateral e essa Contec não nos representar", afirmou.
O ministro Almir Pazzianotto defende a concessão do abono salarial como alternativa à concessão de aumentos que são incorporados às folhas de pagamentos. Ele afirma que essa alternativa é adequada para a atual conjuntura econômica, em que a inflação ainda não teria se instalado, mas o Plano Real já não teria a mesma credibilidade anterior. Na semana passada, a Força Sindical decidiu fazer pressão pela volta da reposição integral de perdas salariais - o gatilho - cada vez que a inflação atingir 10%. No início da negociação, a presidência do Banco do Brasil rejeitou a concessão de qualquer tipo de aumento. Depois admitiu o pagamento de abono em valor menor
- até R$ 1.500,00 - e a liberação de empréstimo de R$ 500,00.
(Colaborou a Agência Folha)