07 de julho de 2026
Geral

Blecaute

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 4 min

Blecaute pode ter origem em redes de Bauru

Blecaute pode ter origem em redes de Bauru

Texto: Luciano Augusto

Estudos preliminares de técnicos em energia elétrica do Governo Federal, constataram que uma das prováveis causas do blecaute de ontem, pode ter sido a forte intensidade de descargas elétricas que cairam na região no horário em que houve a queda de energia, por volta de 22h10. A informação foi confirmada pelo Ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. Entretanto, diversos leitores ligaram para o jornal afirmando que no momento do acidente, não havia nenhuma incidência aparente de raios. Por outro lado o Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Unesp (Ipmet), em Bauru, informou que, por volta de 21h10, uma célula chuvosa de intensidade moderada forte, vinda da região de Avaré, e uma outra, menos intensa, vindo de Marília, se aproximavam de Bauru. Elas perderam força a cerca de 50 km de distância, mas alguns raios podem ter atingido a cidade.

De acordo com Reinaldo José Rodrigues dos Santos, diretor de geração e transmissão da Cesp, os relâmpagos provocaram um curto circuito na linha de transmissão Assis-Bauru e na subestação da CPFL, em Bauru. Em seguida, houve uma queda de voltagem, principalmente na região sul, que recebe geração de Itaipú, que acabou agravando a queda de tensão. O sistema entrou em oscilação e provocou o desligamento das linhas de Itaipú. Conseqüentemente, houve um movimento em cascata, com o desligamento de várias linhas de distribuição de subestações de usinas, que acabou provocando o blecaute.

A queda de energia durou quatro horas e dezenove minutos e atingiu praticamente todos os estados da região sul e sudeste, além do Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, por exemplo, aconteceu o desligamento de 80% do consumo no Estado. No Rio de Janeiro e Espírito Santo chegou a 90% do consumo. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, houve falta de fornecimento durante mais de quatro horas.

Santos esclarece que um problema deste porte, nunca tem uma causa

única. O linhão de transmissão que vem de Assis para Bauru sofreu a descarga, simultaneamente com uma outra descarga na subestação na periferia da cidade. Em seguida provocou o desligamento das linhas de transmissão que vem de Jupia e Ilha Solteira. Isso causou a queda de voltagem e a oscilação acabou desencadeando o desligamento de uma série de linhas, subestações e usinas. Todas as 22 usinas da Cesp se desligaram.

Na subestação local, onde teria iniciado o problema, foi afetada a chave seccionadora, que controla a distribuição de energia.

Conforme explicou o diretor da Cesp, é muito difícil se responsabilizar alguém pelo blecaute. "Com a continuidade dos estudos, poderão surgir outros problemas", completou.

A técnica especializada em meteorologia do Ipmet, Geórgia Pellegrina, esclareceu que a chuva que caiu ontem na região era de intensidade moderada forte. Numa escala técnica de medição era de 45 dBz, e que, com este índice, já ocorrem descargas elétricas. Para ser considerada forte, uma chuva deve ultrapassar os 50 dBz, com ocorrência de granizo e muitos raios. Pellegrina disse ainda que assim que percebeu que a célula chuvosa se aproximava da cidade, entrou em contato com o chefe da Defesa Civil, Álvaro José de Brito.

Blecaute de 5.ª teve origem em Bauru

Texto: Adriana Rota

O blecaute que provocou interrupção total ou parcial no fornecimento de energia elétrica de 10 estados brasileiros na noite de 5.ª foi provocado por uma descarga atmosférica

(raio) em um equipamento da subestação da Companhia Energética de São Paulo localizada em Bauru, provocando o desligamento de uma potência equivalente a 20 mil megawatts.

O incidente foi registrado às 22h16, ocasião em que havia três operadores trabalhando na sala de comando da subestação. Outros cinco tiveram de ser convocados, em esquema de urgência, e o sistema só ficou totalmente sob controle por volta das 2 da manhã.

Segundo informações dos engenheiros, o raio atingiu um equipamento chamado de barramento (que serve para sustentar o peso dos cabos de transmissão), danificando um isolador pedestal, que sofreu um curto-circuito. Com o curto, o barramento desligou-se automaticamente, através de um sistema de segurança que evita maiores danos como incêndios e explosões.

Diversas linhas ligadas à subestação foram sendo desligadas, provocando uma grande oscilação no sistema e culminando no blecaute, ou seja, num efeito cascata que acabou atingindo vários Estados.

O sistema de proteção do local é feito por diversos pára-raios, em conjunto com cabos que captam a descarga e a dirigem para o solo. Dessa vez, excepcionalmente, segundo os engenheiros, o raio "driblou" o sistema, atingindo diretamente o barramento.

A demora na divulgação das causas do blecaute, de acordo com os entrevistados, ocorreu porque esse tipo de descarga acometeu outros diversos pontos do sul de Minas, do Paraná e região noroeste de São Paulo, o que exigiu uma investigação para se descobrir o local exato da pane.

Um morador do Jardim Marília, bairro localizado nas proximidades da subestação, afirmou ter visto um clarão no céu e ouvido um barulho intenso no momento que antecedeu ao blecaute. "Foi bem diferente do que costuma acontecer", afirmou.