Ciesp identifica crescimento nas exportações da região
Ciesp identifica crescimento nas exportações da região
Texto: Paulo Toledo
O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) registrou um crescimento nas exportações das indústrias da região. José Luiz Miranda Simonelli, 35 anos, diretor regional da entidade, afirma que, apesar do mês de março estar em curso, nos primeiros 10 dias já foi possível identificar que as empresas com capacidade de exportação venderam mais depois da liberação do câmbio.
Simonelli disse que isso tem um aspecto positivo, mas que o quadro atual não é o ideal, pois a cotação do dólar ainda está alta. Ele acredita que haverá uma queda na cotação do dólar. Para ele, a tendência é caminhar para um câmbio entre R$ 1,60 e R$ 1,70, que é o valor que o Ciesp projeta como a correção que deveria ter ocorrido no período em que houve a sobrevalorização do real frente ao dólar.
O diretor do Ciesp disse que é preciso, também acelerar, um pouco, o mercado interno. Para isso, defende que haja um desincentivo
às importações, como forma de auxiliar a volta do crescimento da produção nacional. "É preciso haver alguém que defenda os interesses do Brasil, como é o caso do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, que busca, sempre, defender os interesses dos empresários norte americanos. Quando ele vem aqui conversar sobre a Alca, não vem para ajudar a gente, não. Vem para colocar produtos americanos dentro do Brasil", destacou, lembrando que isso está nas mãos do poder público, principalmente o Executivo, de propor leis que dêem um amparo ao produtor nacional.
Inflação
Sobre a volta da inflação, Simonelli diz que não há massa salarial suficiente para absorver as altas dos produtos, mesmo os indexados pelo dólar. O diretor do Ciesp destacou que os anos de estabilidade permitiram que os consumidores criassem referenciais de preços, sabendo quais os produtos que estão caros e quais estão baratos, o que não ocorria na época da inflação alta. "Você soma a referência com a falta de massa salarial, é lógico, não terá espaço para aumento. Realmente, as coisas que têm o preço mais elevado não serão vendidas. Existem opções, hoje, de produtos que não são com base em matéria-prima importada e isso vai ajudar a empurrar o dólar para baixo", afirmou.