08 de julho de 2026
Geral

Superfaturamento

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 3 min

Condi ameaça processar vereadores por denúncia

Condi ameaça processar vereadores por denúncia

Texto: Marcos Zibordi

Agudos - O prefeito de Agudos, Afonso Condi (PSDB), vai processar dois vereadores da cidade por denúncia de superfaturamento em uma obra efetuada por sua gestão em 1997 e denunciada na sessão do último dia 8 de março.

O jornal "O Liberal", de Agudos, veiculou as denúncias em sua edição semanal do dia 13 de março com as denúncias dos vereadores em matéria intitulada

"Possível superfaturamento de obra pode gerar CEI". As denúncias foram feitas pelos vereadores José Carlos Morandini (PMDB) e Régis Pauleti (PSD), que serão processados pelo prefeito. A denúncia refere-se às obras realizadas para recuperar pontos da cidade que foram danificados com a chuva do início do ano de 97, levando a cidade a decretar estado de emergência.

Segundo Condi, "eu vou processar, vou tomar as medidas judiciais cabíveis, estou solicitando a ata do que ele falou na câmara". O prefeito disse que respondeu os requerimentos dos vereadores sobre os valores das obras. Condi acredita que houve uma má interpretação dos dados que a própria prefeitura remeteu, dizendo que as contas do ano de 97 já foram aprovadas pelo Tribunal de Contas, não havendo nenhuma irregularidade nelas.

O prefeito diz que o custo da obra acabou ficando menor que a previsão inicial. "Com o dinheiro que ele mandou (governo do estado) nós compramos material e contratamos, a um custo de R$ 623 mil o que custaria R$ 1,015 milhão". Condi considera um "absurdo" que um vereador cometa uma "leviandade" dessas, referindo-se às denúncias. Ele disse também que existiam mais seis firmas envolvidas nas obras de recuperação, além da citada pelo vereador na denúncia. "No total das obras, que foi R$ 779 mil, essa firma teve praticamente a metade do que foi o serviço, mas porque ganhou a concorrência, que foi feita a cotação de preços para esta contratação".

Sobre o valor do transporte de terra para as obras, superfaturado segundo a denúncia, Condi disse que "quando você fala em transporte de terra, é um valor, quando você fala em escavação, carga, transporte de terra, nivelamento da área com motoniveladora e compactação do terreno, você está englobando todo um outro serviço". O prefeito finalizou dizendo "que é uma incompetência generalizada de uma oposição, que eu acho que é intencional, para tentar denegrir uma coisa que está sendo feita com conquista".

Vereadores

Os dois vereadores que serão processados pelo prefeito dizem que mantém as posições em relação

às denúncias de superfaturamento nas obras da enchente em 97.

José Carlos Morandini (PMDB) negou ontem que a Prefeitura tenha respondido aos seus requerimentos de outubro de 98 que pediam esclarecimentos sobre custos da obra, preço, quantidade de material, etc. (requerimentos 342/98 e 343/98). Para o vereador, só o fato de não responder aos requerimentos do legislativo já seria passível de cassação, por se tratar de infração político-administrativa. Em relação ao que foi gasto na obra, Morandini argumenta que a Prefeitura utilizou 5.600 caminhões de terra ao preço de R$ 21,42 cada, num total de R$ 120 mil. Segundo o vereador, a mesma empresa vende hoje o caminhão de terra por R$ 20.

"Basicamente, a minha declaração teve esses dois pilares, o requerimento e o valor do caminhão da terra. Eu pedi a CEI".

Para o vereador Régis Pauleti (PSD), os valores gastos nas obras são contraditórios. No bairro Santa Angelina, segundo o vereador, foram gastos pouco mais de R$ 400 mil. Já na reconstrução da ponte da rua 7 de setembro, a prefeitura gastou R$ 52 mil. Pauleti diz que as obras da ponte deveriam, em tese, custar mais, já que ela foi totalmente refeita. Pauleti também diz que as obras no bairro Santa Angelina não resolveram os problemas do local.