08 de julho de 2026
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Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 6 min

Bauru terá respaldo do Estado para turismo

Bauru terá respaldo do Estado para turismo

Texto: Josefa Cunha

Em encontro com empresários e diretores da Unesp de Bauru, o secretário da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento do Estado, José Aníbal (PSDB), disse que Bauru terá respaldo do governo para investimentos no setor do turismo. O município, segundo ele, encontra-se numa região com grande vocação turística e pode tornar-se um nova rota para visitantes de fora. O anúncio do secretário e deputado federal licenciado vem ao encontro de propostas já consolidadas pelo secretário do Desenvolvimento Econômico de Bauru, Roberto Rufino, que já trabalha no incremento turístico da cidade. Aníbal também esteve com diretores e o reitor da Unesp, Antônio Manoel dos Santos e Silva, e expôs a necessidade urgente de a universidade integrar-se às atividades produtivas. A seguir, confira entrevista concedida pelo secretário na sede do Ciesp.

Jornal da Cidade - Qual a pretensão da Secretaria em termos práticos com esses encontros?

José Aníbal - A Secretaria tem a responsabilidade de promover a associação entre universidade, tecnologia e pesquisa e o desenvolvimento da produção, bens e serviços. Esse é o nosso maior desafio. Escolhi Bauru para a primeira visita porque USP e Unesp estão presentes e aqui é possível, com base na inteligência e no talento que têm a universidade e o setor produtivo já instalados, promover essa associação. Hoje, os produtos podem sempre estar sendo aperfeiçoados e melhorados do ponto de vista da competitividade e ampliação de mercados, oferecendo qualidade e preço. Simplificando o discurso: não se trata de uma pretensão da pasta, mas de uma responsabilidade de integrar intimamente a pesquisa e o desenvolvimento à atividade econômica, possibilitando, inclusive a oportunidade de novos negócios.

JC - Qual seria o papel ideal da universidade além da formação profissional?

José Aníbal - Além da formação superior e especializada, a universidade tem, e isso é crescente no mundo globalizado, o papel de associar-se ao processo produtivo. Para se ter uma idéia, 90% dos pesquisadores da Coréia estão nas empresas privadas, enquanto no Brasil, o mesmo percentual está nas universidades. Às vezes, essas pessoas até prestam serviços às empresas, mas é preciso que essa relação se torne uma prática cotidiana. Tem que haver uma centralidade na atividade da universidade e das empresas, porque sem tecnologia não mais se sobrevive no mercado competitivo da globalização.

JC - A Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento, então, tornou-se fundamental na estrutura administrativa?

José Aníbal - Sem dúvida. Hoje, quando se pensa em desenvolvimento econômico, se pensa em tecnologia.

É preciso suprir o nosso empresário não só com aperfeiçoamentos tecnológicos, mas também com crédito. Por isso, a Secretaria já está empenhada em trazer recursos do BNDES que serão operados pela Nossa Caixa Nosso Banco, agora já credenciada a trabalhar com o BNDES. Precisamos conseguir crédito e fazer um trabalho forte de abertura de novos mercados para a empresa paulista, seja aqui no Brasil ou no exterior. Tecnologia, crédito e mercado, portanto, serão o centro da atuação da Secretaria.

Imprensa - Ao lado da Secretaria do Trabalho, a sua pasta será fundamental para colocar em prática a chamada

"agenda positiva" proposta pelo governador Mário Covas. Quais serão as primeiras ações nesse sentido?

José Aníbal - Esta semana, nós tivemos uma reunião com todos os setores de turismo, agronegócios e, finalmente, com setores que lidam com as relações do trabalho. Desses encontros, nós já tiramos, por iniciativa do próprio Mário Covas, ações de governo no setor de turismo. É de extrema importância frisar que turismo para quem pratica é lazer, mas sob a

ótica do empreendimento, é uma das maiores indústrias do mundo hoje. Essa região aqui do Tietê é um exemplo. Bauru mesmo, no local onde está a Unesp, possui uma área de preservação que pode transformar-se numa atração turística. Precisamos entender o turismo como um negócio que gera boa renda e não implica gastos especiais para o município. Vamos estimular várias ações neste setor, bem como na área de agronegócios. São ações emergenciais que têm a ver com o aperfeiçoamento da nossa produção de hortifrutigranjeiros, por exemplo. O Brasil tem um mercado potencial a explorar neste setor e isso só depende de qualidade, tecnologia, higienização e aproveitamento integral.

JC - Bauru então pode esperar o empenho da Secretaria em termos de desenvolvimento turístico, o que vai exatamente ao encontro das propostas concretas existentes por parte do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino?

José Aníbal - Sem dúvida nenhuma. O governador criou um grupo de trabalho - não é comissão não - para desenvolver as ações que vão resultar no incremento da atividade turística no Estado. Existe uma estatística na qual São Paulo aponta em primeiro lugar no turismo de negócios. As pessoas vêm, passam a semana em São Paulo e vão embora no final de semana. Nós temos que encontrar atrações para manter esses visitantes durante os finais de semana também, seja na Capital ou no Interior; Bauru é uma região que pode acolher.

Imprensa - A tônica dessa visita do senhor hoje a Bauru e a Agudos é de definir táticas para essas ações?

José Aníbal - Exatamente. Essas visitas objetivam apurar o conhecimento da Secretaria sobre situações em torno das quais nós podemos ter desempenho imediato. As pessoas com as quais nos encontramos hoje colocaram as questões de forma bem objetiva e isso facilita em termos de disgnóstico e ação. Nós não vamos ter condições de visitar todos os municípios paulistas num curto prazo, mas pelo menos em uma dúzia deles que pretendo visitar ao longo do próximo mês já poderemos iniciar o trabalho.

Imprensa - Sua experiência como parlamentar ajuda em que ponto na sua atuação frente à pasta?

José Aníbal - Bem, eu acho que é essa idéia de preparar São Paulo para o terceiro milênio, uma idéia que está muito próxima às propostas de Covas para este segundo mandato. Ele recuperou o Estado e, agora, diante dos desafios impostos pela economia, pretende fazer do Estado, que teve tanto dinamismo nos anos 50 e 60, a

"Locomotiva do Brasil" na próxima era.

JC - Neste encontro de hoje, o que o senhor mais ouviu em termos de reivindicações e preocupações.

José Aníbal - O que eu sinto é que o empresário de um modo geral está muito atento para o fato de que o Estado não pode mais resolver tudo. As reivindicações estão muito centradas dentro daquilo que o governo pode fazer no plano institucional. Tudo, porém, está embasado numa visão de parceria. Há uma consciência grande de que o caminho para enfrentar esses desafios e situações está nas parcerias, incluindo a comunidade, de modo que saio hoje desses encontros satisfeito. Eu não quis que estas reuniões tivessem só espaço para as reivindicações e, felizmente, também encontramos caminhos.