Taxistas apontam queda de 27% no faturamento
Taxistas apontam queda de 27% no faturamento
Texto: Luciano Augusto
O Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru e Região registrou uma queda de 27% no faturamento anual desde 96. A medição teve como base o movimento registrado em um mesmo carro a partir de 96 até este ano.
A queda é justificada pela chegada dos mototaxistas. O movimento descendente foi maior no primeiro ano de atividades das motos. Em 98, por exemplo, os taxistas registraram perda de 1,04%. Em reais, de 96 para 97 a diferença, em relação ao mesmo carro, foi de R$ 4.603,00. Em 96 o montante faturado somou R$ 22.950,00. No ano seguinte, 97, o valor ficou em R$ 18.347,00. Desde 28 de junho de 95 a categoria não tem aumento de tarifa.
Mas, de acordo com o presidente do Sindicato, Waldir Faria Freitas,
"os taxistas já perderam o que podia. Quem está perdendo agora é o transporte coletivo e se não tomarem nenhuma providência, as três empresas irão falir".
A atividade dos mototaxistas ainda não foi regulamentada, dependendo de decisão de uma ação movida pelos taxistas, que tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ). O prefeito Nilson Costa, através do departamento jurídico da Emdurb, já se dispôs a intermediar o debate entre as partes. Entretanto, afirma Freitas, "não
é porque os taxistas se calaram que aceitaram" a situação.
Sobre essa briga entre taxistas e mototaxistas, o presidente da Emdurb, Joaquim Madureira, disse que "do jeito que está, não é bom para ninguém" e a Emdurb fará o possível para resolver o assunto da melhor forma. Completou afirmando que a regulamentação da categoria deve diminuir o número dos mototaxistas de ocasião, porque a regularização implica em deveres maiores. Com isso, o número de passageiros transportados pelo serviço coletivo deve aumentar.
R$ 1,00 a mais
Outro ponto polêmico envolvendo os taxistas nos últimos dias, foi a proposta lançada pela categoria de cobrar R$ 1,00 a mais, no final de cada corrida.
A medida foi encaminhada para aprovação em fevereiro e até o momento não se tem uma posição definitiva. Entretanto, o JC já recebeu pelo menos uma reclamação de um usuário de táxi que teve que pagar este valor no final da corrida.
Freitas lembra que a medida é ilegal e que o usuário que for pressionado pelo motorista a desembolsar R$ 1,00 além do preço normal da bandeirada, "deve fazer um boletim de ocorrência e, conforme o Novo Código Nacional de Trânsito, o taxista pode pegar uma suspensão de até seis meses".
Táxis nos bairros
Fugindo da concorrência com outros taxistas nas áreas centrais da cidade, o motorista Genildo Parra, está tentando se instalar próximo a um supermercado no bairro Redentor, perto de sua casa.
O ponto foi estabelecido por decreto-lei em setembro de 97, mas até agora não foi liberado pela Emdurb. Isso deve acontecer, segundo Parra, até o final da semana que vem.
Trabalhando há três anos nas proximidades da Estação Ferroviária, o taxista disse que com a escassez de passageiros, os gastos acabam aumentando consideravelmente. Parra reclama que já teve queda no movimento em cerca de 40%, desde a chegada dos mototaxistas.
A mudança, "é uma fase experimental, dando prioridade à comunidade do Redentor e outros bairros vizinhos".
O presidente da Emdurb confirma a necessidade de haver aprovação de decreto-lei para abertura de novos pontos de táxis. Sem isso, avisa Madureira, "o motorista fica irregular".
Para o presidente do sindicato dos taxistas, a procura por pontos nos bairros é salutar. Explica, porém, que "é importante o taxista fazer um bom trabalho de marketing em relação ao novo ponto. Além disso, é necessário que o taxista sirva a população o máximo possível, com horários durante o dia e, pelo menos, parte da noite".