08 de julho de 2026
Geral

Rurais

Tania Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

População quer frente para manter vagas

População quer frente para manter vagas

Texto: Tânia Fonseca

Preocupados com o aumento do desemprego em Perderneiras e região, moradores defendem uma frente para evitar contratação de mão-de-obra em MG

Pederneiras - Comerciantes e moradores de Pederneiras, principalmente aqueles estabelecidos no bairro Cidade Nova e outras vilas onde se concentra a população que mais se dedica ao corte de cana, defendem uma mobilização maciça de lideranças políticas e forças representativas da cidade para a formação de uma frente com o objetivo de assegurar emprego para os trabalhadores rurais locais. Essa posição surge em face à divulgação de que a Usina São José está prestes a contratar aproximadamente mil trabalhadores no Estado de Minas Gerais, no mês que vem, para trabalhar na safra da cana que occorre de abril a novembro.

Algumas lideranças políticas, entre as quais o próprio prefeito de Pederneiras, Rubens Cury (PSDB), o vereador Reginaldo Monteiro (PT) e o ex-deputado Tuga Angerami já se manifestaram preocupados com a possível vinda desses trabalhadores, o que poderia implicar diretamente em menos vagas disponíveis para os trabalhadores rurais da região que estão na expectativa de serem contratados para a safra que deve se iniciar.

O ex-deputado chegou a levar a questão, na semana passada, ao secretário estadual das Relações do Emprego e Trabalho, Walter Barelli, que, segundo o próprio Tuga, teria se prontificado a, nos próximos dias, estar promovendo uma reunião com as lideranças para discutir a questão. Até anteontem esse contato não havia surgido. Para o ex-deputado, a contratação de mão-de-obra em outro estado em detrimento dos trabalhadores locais, é um desrespeito. "A meu ver, essa é uma postura de desrespeito a uma região que ajudou esses usineiros a enriquecer ao longo desses anos. E num momento de violento desemprego eles buscam mão-de-obra fora".

Em Pederneiras, Cury e Monteiro já mantiveram contato com a Promotoria Pública da cidade, expondo a questão e solicitando ao promotor que fique atento para possíveis questões trabalhistas envolvendo os trabalhadores.

Em Macatuba, a preocupação é basicamente a mesma. O vereador José Gino Pereira Neto (PDT) encaminhou na semana passada aos deputados federais Milton Monti (PMDB) e Fernando Zuppo (PDT), documento solicitando empenho na questão.

"A crise econômica que o município de Macatuba atravessa poderá agravar-se sobremaneira se confirmada a pretensão do grupo empresarial Zillo Lorenzetti, de efetuar a contratação de mão-de-obra oriunda de outro estado", afirma o vereador.

Mobilização

Para o comerciante Dirceu Moreira dos Santos, morador do bairro Cidade Nova "essa é uma boa oportunidade para as lideranças políticas mostrarem união em benefício da população mais carente e sem poder de decisão". Ele tem um pequeno comércio no bairro e diz estar muito preocupado com a possibilidade de trabalhadores de cidades distantes virem para a cidade. "Aqui tem muita gente querendo e precisando trabalhar", diz ele apontando para as ruas. A queda no movimento em seu estabelecimento, segundo ele, é o termômetro que aponta para a falta de trabalho na cidade. No período da entressafra da cana, de dezembro a abril, quando as ofertas de trabalho diminuem, Santos diz que é comum os fegueses

"desaparecerem". "Mas o que apavora a gente é saber que isso pode se intensificar".

A mesma preocupação demonstra a comerciante Natalina de Almeida Batista, para quem, algo de urgente precisa ser feito.

"O que não pode é continuar faltando serviço para tantas pessoas". Ela conta que além de reduzir as vagas no mercado de trabalho, rurais vindos de locais distantes representam um outro incômodo: "Não são todos, é claro, mas a gente tem dificuldade para receber daqueles que não moram na cidade", disse mostrando o caderno com anotações de nomes de fregueses que moraram no bairro durante a safra passada e foram embora sem pagar a conta. "Tenho quase dois mil que não consigo receber e isso para um pequeno negócio representa muito''. Ela acredita que uma mobilização entre políticos e comunidade poderia minimizar os efeitos das contratações fora do eixo regional.

O temor pela vinda de mão-de-obra de outro estado preocupa com igual intensidade ao pastor da Igreja Unida, Tarci Camargo.

"Estamos sentimos a preocupação entre os frequentadores da igreja e por isso mesmo defendemos uma mobilização para tentar reverter a situação".