10 de março de 2026
Geral

Robótica

Eva Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Robôs da Unesp partem apra a Copa Brasil reforçados

Robôs da Unesp partem para Copa Brasil reforçados

Texto: Eva Rodrigues

Mais do que uma agradável brincadeira, a Copa Brasil de Futebol de Robôs, que precede o Campeonato Mundial, é um desafio para os estudiosos da robótica e uma troca produtiva de informações, descobertas e possibilidades de aplicação na área.

Para a edição 99 da Copa, a equipe da Unesp/Bauru, formada pelos professores Humberto Ferasoli Filho e Renê Pegoraro (ambos do Departamento de Computação), promete ao menos a mesma performance do último Mundial, na França, em que trouxe para Bauru a vice-liderança

- perdeu apenas para a tecnologia invencível dos coreanos.

Sediada em Porto Alegre, de hoje até o próximo dia 28, a Copa vai contar com a participação de equipes do Centro Tecnológico de Informática (CTI) de Campinas; da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); além da equipe batizada como Carrossel Caipira - da Unesp/Bauru.

Qual o sentido de um campeonato de robôs? Pegoraro tem a resposta: "Em robótica, a gente consegue aplicar diversas teorias para chegar a resultados parecidos. O campeonato é então um confronto de tecnologias, funciona como uma bancada de testes em que a gente pode ver qual tecnologia está melhor aplicada".

Patrocínio e melhorias

Pegoraro conta que neste ano o campo onde os robôs jogam teve o tamanho aumentado, o que teve impacto na resolução, ou seja, as mudanças causaram alterações que impediram que o mesmo sistema de visão (leia boxe) fosse utilizado - a resolução da imagem captada dos robôs pela câmera ficou diminuída e o sistema de visão teve que ser refeito. "O novo sistema de visão tem todas as qualidades do sistema anterior e é mais preciso - a orientação ficou melhor."

Outra alteração sensível foi nos motores, que passaram de um valor de R$ 3,50 (motores usados para controle de volume em microsystem) para motores suíços que custaram R$ 200,00. "É um motor mais preciso, gera menos ruídos nos componentes eletrônicos, tem maior torque - o conjunto ficou mais preciso, os robôs andam mais retos e contam com rolamentos para deslizar melhor. Melhoramos bastante mas ainda não somos assim uma Coréia", brinca Renê. Os progressos do projeto foram possíveis graças ao patrocínio da Fundeb (......) e da fábrica de material para escola Souza e a um presente da Intel: uma placa Pentium II 400 para o computador.

Em cerca de um mês de dedicação ao projeto, os professores não mexeram na estratégia: "Temos uma boa defesa e um ataque fraco porque não tivemos tempo para mexer na estratégia", explica o professor.

Avanços em robótica

Muito além de uma simples partida de futebol, o pesquisador avalia que "a gente tem obtido cada vez mais know-how para ser propor a desafios cada vez maiores na área de robótica. Antes de trabalhar com esse projeto eu sabia um monte de teorias. Mas na hora de fazer vislumbramos muitos problemas e soluções que podem ser usadas em outras aplicações".

O robô pode um dia vir a substituir o homem? Com a experiência já adquirida, Pegoraro é categórico: "Não. Por mais que você coloque inteligência nos robôs, eles nunca vão ter a criatividade do homem, vai faltar sempre o robô-alma. O robô vai, sim, liberar o homem de muitos serviços chatos e mecânicos. Enquanto isso, o homem terá mais tempo para ser criativo, dedicar-se às artes, ser romântico, escrever..."

Entenda o funcionamento dos robôs

O sistema todo de futebol de robôs envolve princípios de mecânica, eletrônica, elétrica (controle), visão computacional e inteligência artificial. Ao se iniciar uma partida, forma-se um ciclo no qual uma câmera de vídeo "olha" o campo, passa a imagem para uma placa de aquisição (transforma o sinal de imagem analógica em digital) que envia a informação para a visão, que interpreta e transforma em coordenadas

(dá a distância do robô para as laterais do campo em centímetros); esses valores são passados para a estratégia que indica o movimento do robô através de radiofrequência.