07 de julho de 2026
Geral

Editorial

B. Requena
| Tempo de leitura: 2 min

Um basta nos sequestros

Um basta nos seqüestros

B. Requena é editor de Internacional do JC

O fim do seqüestro do jovem deficiente Wellington de Camargo, irmão dos integrantes da famosa dupla Zezé di Camargo e Luciano, acontecimento que concentrou nos últimos meses a atenção da população brasileira, deve ser o início de uma nova era de debates, reflexões e mesmo de aperfeiçoamento de nossas leis sobre esse tipo de criminalidade.

O Brasil tem uma longa história a respeito de seqüestro, desde o conturbado período ideológico e de lutas da Revolução de 64 até os casos dos dias de hoje, estes considerados crimes comuns, isto é, não-político. Como se sabe, o seqüestro é um crime com características especiais que passou a ser considerado hediondo na legislação. Existem dentro das polícias setores especializados em atuação nos casos em que pessoas são tomadas como prisioneiras por bandidos. Essas equipes chegam a realizar cursos no exterior ou receber aqui no País especialistas que vêm trazer as técnicas mais avançadas para os policiais que agem nesse campo.

Com certa freqüência, a imprensa também é chamada a colaborar tendo em vista que em determinadas fases e conforme o caso de seqüestro, a divulgação pode ser contraproducente no trabalho policial destinado a elucidar o acontecimento.

Num dos mais rumorosos casos de seqüestro ocorridos no Brasil, o empresário Abílio Diniz, diretor do Grupo Pão de Açúcar, foi levado para o cativeiro há pouco mais de 10 anos, por uma quadrilha internacional formada por brasileiros, canadenses e chilenos. Nos últimos anos, esses seqüestradores e seus defensores canadenses e chilenos pressionaram muito o governo brasileiro no sentido de libertar ou transferir os presos para seus respectivos países. O Canadá obteve sucesso em sua pretensão. Já os chilenos e brasileiros recorrem freqüentemente a greve de fome para chamar a atenção de sua exigência. Que é obter a mesma regalia dos que já seguiram viagem.

O caso Abílio Diniz também dividiu a opinião pública brasileira. De um lado, algumas manifestações de apoio aos seqüestradores, partindo, principalmente, de alguns setores da Igreja Católica. De outro, uma forte oposição daqueles que acreditam que não se pode dar trégua a esses criminosos.

Quanto a este seqüestro que está chegando ao seu final, houve uma falha crassa da produção do programa do Ratinho, que se dispunha a fazer a arrecadação pela TV para pagar o resgate. Tal medida, nada acertada , além de interromper as negociações que concluíam com o pagamento de US$ 300 mil (os seqüestradores poderiam passar a querer mais) por seu caráter popularesco, sensacionalista, poderia incentivar ainda mais a indústria dos seqüestros. De qualquer maneira, o momento é apropriado para se reativar o debate com o objetivo de banir esses malfeitores do seio da sociedade ou encontrar um meio de dar mais tranqüilidade

às pessoas honestas. (B. Requena)