08 de julho de 2026
Geral

Produtores rurais

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

Agricultores querem ações da Prefeitura

Agricultores querem ações da Prefeitura

Texto: Paulo Toledo

Os produtores rurais de Bauru estão preocupados com uma série de problemas que atingem o setor e querem que a Prefeitura sinalize a disposição de fazer um trabalho sério nesse setor, que é de grande importância para economia. Maurício Lima Verde Guimarães, 61 anos, presidente do Sindicato Rural de Bauru, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e presidente do Conselho Regional Rural, disse que espera que o prefeito Nilson Costa (PL), 69 anos, indique, o mais rápido possível, um secretário municipal de Agricultura, de sua inteira confiança, para que o setor possa ter a atenção necessária, já que existem muitos problemas a serem resolvidos.

Para ele, não cabe ao sindicato, ou outra entidade, fazer a indicação de nomes, mas sim ao prefeito fazer a escolha do nome que deverá ter o perfil desejado pelo chefe do Executivo, para que possa ser implementada a linha do atual governo.

Lima Verde disse que existem algumas coisas que os produtores consideram urgente e são fundamentais para evitar que a população da região acabe prejudicada. O minimatadouro municipal, um projeto que está praticamente parado, há alguns anos, é considerado importante para evitar que aumente o abate clandestino de suinos e bovinos, pois vários matadouros da região estão sendo fechados, como os de Arealva, Iacanga e Reginópolis, recentemente.

De acordo com ele, com o fechamento dos matadouros, há uma tendência de que os pequenos produtores migrem para o abate clandestino, já que é economicamente inviável trazer pequenas quantidades para o abate em frigoríficos.

"E isso tem uma série de problemas, inclusive sanitários", destacou.

Lima Verde disse que o projeto do minimatadouro municipal pode se tornar regional, "desde que haja vontade política do município". De acordo com ele, o projeto poderia ser implementado em uma parceria Estado-município, como já foi sinalizada a possibilidade pelo Governo do Estado.

"Se o cidadão tem três ou quatro cabeças para abater, não vai levar no Mondelli que, por mais boa vontade que tenha, não vai alterar o esquema que tem para fazer isso", afirmou.

Esse projeto foi encaminhado pela antiga Coordenadoria de Fomento

à Agricultura, Indústria e Comércio (Cofaic) para a Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (SAA) e só não foi efetivado porque o ex-secretário Antônio Cabrera (PFL) deixou o cargo, enquanto seu sucessor, Francisco Graziano, não deu continuidade, até por

"falta de vontade política" da Prefeitura. "Agora, mais do que nunca, temos que lutar para instalar esse matadouro regional em Bauru, para atender aos criadores de Bauru e microregião.

O sindicalista critica, ainda, a lei do Serviço de Inspeção Municipal, que está inviabilizando os produtores, principalmente os pequenos, por ser uma lei inócua, que precisar ser revista ou regulamentada de forma a atender às necessidades e realidade dos produtores locais.

Lixo

Outra reivindicação dos produtores rurais é que o município dê uma atenção especial

à questão do lixo, com a possibilidade da viabilização de uma usina de beneficiamento. De acordo com ele, um grupo holandês tinha interesse em explorar o lixo de Bauru, para produção de adubo orgânico. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) estava tratando do assunto, na gestão de Antonio Izzo Filho. Porém, a indefinição política da cidade fez com que os holandeses perdessem o interesse.

Lima Verde lembra que os aterros sanitários são ruins para o município, pois degradam o meio ambiente e, além disso, desperdiçam terras agricultáveis. O presidente do Sindicato Rural disse que, em cidades que o lixo

é industrializado, foi possível trazer benefícios para a agricultura e para a área urbana. "É um produto que, apesar do pouco valor que tem sob o aspecto dos nutrientes, o volume para a agricultura, horticultura e fruticultura, poderia mudar o perfil dessa área na região, já que o produto ficaria muito mais barato. Eu, durante muito tempo, trouxe lixo de São Paulo. O carreto era muito mais caro do que o produto", afirmou.

Lima Verde disse que os produtores estão com problema em relação às embalagens de agrotóxicos. Apesar de ser um problema estadual, o sindicalista disse que Bauru pode reivindicar junto ao Estado, que seja instalado um forno crematório, uma vez que essas embalagens não podem ser enterradas ou descartadas ou queimadas na propriedade, pois o dono corre o risco de ser preso por crime ambiental. "Isso vem sendo discutido há muito tempo e precisa ter uma solução", afirmou.

Estradas rurais

O sindicalista disse que há uma grande preocupação dos produtores em relação às estradas rurais do município, que tem mais de 600 quilômetros. De acordo com ele, todas as estrada e pontes estão em péssimo estado, colocando em risco, por exemplo, a vida das crianças que se utilizam do transporte escolar, ou mesmo podem impedir as crianças de chegar às escolas. "As estradas estão abandonadas rurais", destacou.

Lima Verde disse que, até agora, não era possível arrumar as estradas, mas, agora, com o fim das chuvas fortes,

é hora de começar a se preocupar com o escoamento das safras agrícolas, que trazem divisas para o município.

Secretário

Lima Verde esperar o funcionamento da Secretaria Municipal da Agricultura que, atualmente, além da folha de pagamento tem uma verba de R$ 15 mil mensais, que não está sendo aplicada na agricultura, como deveria.

O sindicalista diz que esse dinheiro poderia estar sendo aplicado em programas de fomento à produção, o que infelizmente não ocorre. Para ele, é necessário que se indique o secretário, para que os programas agrícolas municipais possam ser implementados.

Ele critica, ainda, a situação em que se encontra o Recinto Mello Moraes, que está sendo dilapidado, com os muros sendo destruídos, entre outros problemas. Lima Verde disse que é necessário que se defina o que será feito do Recinto, já que a concessão de uso para a Associação Rural do Centro Oeste (Arco) vence neste ano e ainda não se acertou a renovação do comodato. "É preciso cuidar, pois na hora que se quiser recuperar tudo, o investimento vai ser uma loucura. O próprio pessoal da Arco está desorientado porque daqui a pouco já vem a Grand Expo e os trabalhos já deveriam estar sendo feito, o que não dá sem uma definição", afirmou.