Cohab tem o menor número de funcionários em 20 anos
Cohab tem o menor número de funcionários em 20 anos
Texto: Márcia Buzalaf
A Companhia de Habitação de Bauru, a Cohab, completou esta semana 110 demissões desde o início da atual gestão, deixando o quadro de funcionários com 130 pessoas. O presidente da Cohab, Daltayr Vallim, diz que a empresa tinha 240 funcionários quando ele assumiu sua presidência, em 1.º de março, e que foram contratados quatro funcionários em cargos de confiança (gerência e assessoria).
De acordo com Vallim, o tamanho do quadro de funcionários da empresa, atualmente, está próximo do ideal. "Nós entendemos que a Cohab deve funcionar com 120 funcionários mais ou menos", garante.
O número de funcionários ideal, Vallim confessa, talvez ainda seja superior ao necessário, já que o presidente da Cohab diz que, com 120 funcionários, teria um quadro mais tranqüilo para deslocar trabalhadores em casos de folga, para cumprir férias, afastamento.
As últimas 70 demissões, feitas na segunda-feira, foram para funcionários com contrato por tempo determinado. De acordo com Vallim, estes contratos foram feitos para desviar as obrigações do processo seletivo da Cohab. "Foi feito um contrato por prazo determinado mas sem nenhum requisito necessário. Esse pessoal foi simplesmente desligado da Cohab", explica.
O exemplo de Cohab que Vallim fornece como ideal é o da unidade de Araçatuba. Segundo ele, a empresa tem mais obras do que a Cohab de Bauru e conta com apenas 96 funcionários.
Entre salários e encargos, as 110 demissões significaram para a Cohab uma redução de quase R$ 300 mil mensais. Dessa forma, diz Vallim, a Cohab deve levar cerca de três meses para não ter mais débitos mensais junto à Caixa Econômica Federal (CEF) e as seguradoras das construções.
A diretoria da Cohab reduziu em 20% seus salários, de acordo com Vallim. Ele diz que, nas novas contratações que foram feitas neste setor, já constam os salários menores.
Vallim diz que, depois das demissões, será montado um organograma da empresa para avaliar a necessidade de cada um dos cinco setores da Cohab (diretoria habitacional, técnica, financeira, administrativa e a equipe de apoio).
A Cohab pretende implantar um Plano de Demissão Voluntária
(PDV), que não poderia ser implantado no início da gestão porque os funcionários demitidos foram aqueles que tinham contrato por prazo determinado e que pertenciam aos cargos de confiança.
Para ele, alguns setores podem ficar com menos funcionários do que deveriam depois das demissões, o que poderá, inclusive, acarretar a contratação de outros funcionários.
Estas novas contratações, segundo Vallim, não deverão abrigar empregos destinados a políticos locais, como fazia parte da política da empresa. O presidente da Cohab reconhece que existe uma tradição de contratação por influência política, mas diz que "os políticos locais já perceberam que o perfil da empresa mudou".
Atualmente, a Cohab tem sete funcionários cedidos para outras repartições públicas: quatro para a Justiça Eleitoral, um para o cartório de registros, um para a Secretaria da Cultura e o último para a Secretaria de Esportes e Turismo.
Os dois últimos, segundo Vallim, logo voltarão para a Cohab em cerca de 30 dias. O funcionário cedido ao cartório de registros, segundo Vallim, é importante para a Cohab para ter mais "rapidez na agilização de alguns serviços".
CEF
Atualmente, a Cohab é apenas uma intermediadora do sistema de financiamento habitacional, intermediando a relação entre a CEF e o mutuário. Hoje em dia, o papel da empresa ficou reduzido a entrevistar candidatos para a empreiteira, que constrói com recursos financiados diretamente entre a CEF e o mutuário.
A Cohab passou de agente financeiro para agente auxiliar, disse Vallim. Antes da mudança, a Cohab gerenciava, cuidava e acompanhava a construção de um núcleo.
"As Cohabs estão sendo absorvidas pela CEF", diz Vallim. O problema, ele conta, é que as Cohabs não repassavam o que deveriam repassar para a CEF e para as empresas seguradoras envolvidas na construção de casas. "A Cohab não fazia o repasse para a CEF e para as seguradoras porque gastava a mais", explica.
O saldo devedor mensal da Cohab, segundo ele, costumava ser de R$ 700 mil. A dívida total da Cohab com a CEF e com a seguradora
é de R$ 14 milhões.
Com a mudança, a Cohab ficou com dois tipos de contratos, aqueles que ainda são centralizados na própria empresa e aqueles mais recentes, feitos diretamente na CEF. Vallim diz que, atualmente, 46 mil unidades habitacionais ainda têm o pagamento centralizado na Cohab.
Para intermediar a relação entre o mutuário e a CEF, a Cohab cobra uma taxa de 3%, que é repassada pela própria Caixa. Existe a possibilidade de aumentar esta alíquota de participação da Cohab, segundo Vallim. Algumas empreiteiras teriam sinalizado possibilidade de aumentar para 6% a alíquota.
A movimentação financeira da Cohab é de cerca de R$ 5 milhões, segundo Vallim.
Criação
O economista Roberto Campos propôs a criação das Cohabs em 1966, para que elas servissem de agentes financeiros do Banco Nacional da Habitação (BNH). Com a extinção do BNH, a CEF absorveu o encargo. A partir disso, a CEF passou a gerenciar os recursos destinados à habitação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e conceder créditos diretamente aos mutuários.
A transferência da responsabilidade para a CEF, segundo Vallim, fez parte de uma mudança na política habitacional do País como um todo. Quando foram criadas, as Cohabs tinham a clara intenção de municipalizar o setor. Atualmente, a habitação está mais centralizada no Governo Federal. "Isso está causando um esvaziamento de todas as Cohabs por culpa de algumas, que não honraram com os compromissos e repasses", explica Vallim.