08 de julho de 2026
Geral

Privatização

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 6 min

Disputa pela compra do Banespa deve ser grande

Disputa pela compra do Banespa deve ser grande

Texto: Luciano Augusto

A disputa pela compra da instituição financeira deve ser grande entre os bancos, tanto nacionais quanto internacionais. Para os bancos nacionais existe a possibilidade de se colocarem melhor no ranking. Já os estrangeiros podem entrar forte no mercado financeiro brasileiro. A afirmação é do diretor financeiro do Banespa, Ariovaldo D'Ângelo. O executivo comentou ainda as vantagens do banco, demissões que podem ocorrer e sobre o potencial da região de Bauru, nesta nova fase do Banespa.

O diretor financeiro esteve em Bauru, ontem, participando de reunião com os vinte gerentes regionais do banco e conversou com o Jornal da Cidade. A seguir os principais trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - Como o senhor vem acompanhando o processo de privatização, a instituição ou grupo que adquirir o Banespa vai estar levando que tipo de banco para "casa"?

Álvaro D'Ângelo - É um banco de varejo muito bem posicionado numa região rica do Brasil, com a concentração das agências no Sudeste, principalmente em São Paulo, que detêm 40% do PIB. Ele está levando um banco com 3 milhões de correntistas, a grande maioria recebendo os seus salários no banco e isso oferece nas operações ativas do Banespa um risco reduzido. Ele está comprando um banco com uma liquidez entre US$ 7 e 8 bilhões em títulos públicos federais que ele transforma em dinheiro a qualquer momento. Um grau de alavancagem, que hoje se espelha em 38,5%, que é o índice de Basiléia que nós temos, onde se diz que sem colocar nenhum capital na empresa ela pode alavancar seus negócios de forma bem significativa. São aspectos como este que são os atrativos para os grandes bancos brasileiros se consolidarem ou bancos estrangeiros que queiram vir a atuar nesta região importante do mundo, como o Mercosul e o Brasil tenham condições de entrarem com um peso importante no mercado.

JC - O senhor acredita que a briga pelo Banespa deve ser maior entre os bancos nacionais ou entre os estrangeiros?

D'Ângelo - Sem querer fazer especulação... a gente encherga que entre quatro ou cinco bancos brasileiros uma disputa para ficar melhor colocado no ranking brasileiro. Temos os estrangeiros que já estão no Brasil e para poder disputar com estes grandes bancos brasileiros precisariam aumentar sua estrutura e a oportunidade é agora. E outros bancos que ainda não vieram para o Brasil, poderão entrar e saírem entre os cinco maiores do Brasil.

JC - E qual é a expectativa de ágio em relação ao Banespa?

D'Ângelo - Isso é difícil falar...

JC - Deve ser interessante porque a disputa parece que será boa...

D'Ângelo - Em decorrência destes dados que eu passei, porque isso não está na contabilidade do banco, esse good will que é muito importante para definição desse ágio, mas eu não teria como especular a respeito disso.

JC - E quais as conseqüências para o Banespa, do que ele é hoje, com a privatização?

D'Ângelo - A empresa vai ter muito a ganhar quando ela puder definir o seu futuro com agilidade, porque hoje é difícil para uma empresa pública como o Banespa. Um banco privado tem agilidade para tomar decisões neste mercado em que agilidade é muito importante. A continuidade da empresa está associada a esta transferência de controle.

JC - O senhor acredita que devem ter cortes de investimentos e financiamentos, porque isso é uma crítica recorrente que se faz...

D'Ângelo - A possibilidade de potencializar os negócios podem crescer. As operações de crédito do banco podem crescer entre 5 e 10 vezes. Nós vamos ter a possibilidade de vir a aplicar nas atividades empresariais, principalmente nesta região onde o banco está localizado.

JC - E em relação a demissões que o Banespa pode vir a fazer?

D'Ângelo - O banco passou por um processo mais traumático, que foi a intervenção. Nós chegamos lá com 34 mil funcionários e hoje temos 21 mil. Então, o grande ajuste já foi feito. O que a gente sempre transmite para o pessoal é que independe de controlador. Aquele funcionário que traz valor, que agrega valor para a empresa, que vai atrás das coisas, vai ser prestigiado sempre, por qualquer controlador. Agora, aquele que realmente não tem o que oferecer e não busca apresentar resultados para a organização que ele trabalha não é prestigiado. Vai vir um novo controlador e vai procurar enxergar quem realmente agrega valor e aquele que está lá só pelo salário. Esse eu acho que tem que se preocupar.

JC - E qual é a importância da região para o Banespa?

D'Ângelo - Isso é um dos pontos importantes. O interior de São Paulo pesa muito na definição deste valor, desse ágio que você está tentando saber.

JC - A região hoje, para o Banespa, é uma região forte?

D'Ângelo - É uma região muito importante. Alguns regionais estavam destacando o cumprimento de metas estabelecidas pela diretoria e Bauru está sempre se destacando neste sentido.

JC - E os últimos resultados do banco?

D'Ângelo - O banco fechou o mês de fevereiro com um lucro de R$ 160 milhões. Achamos que no trimestre este resultado deve ser melhor, porque nós temos um ativo importante no nosso patrimônio que são as ações da Cesp, e essas ações a tendência é valorizar nesta fase, já que o processo de privatização da Cesp está avançando. Comgás deverá acontecer nos próximos dias. Esse ativo deve reverter positivamente no resultado do trimestre.

JC - E as definições quanto à data do leilão, valores...

D'Ângelo - Isso nós ainda não temos. O que nós temos é que o trabalho de campo dos 120 profissionais atuando em diversas áreas estão encerrados. Agora, estão no processo de modelagem e nos próximos dias deverá sair o edital para os bancos interessados e vamos identificar quem realmente tem interesse e conhece-los com maior profundidade.

Regionais do Banespa discutem novo produto

Texto: Luciano Augusto

Na primeira reunião entre os 20 gerentes regionais do Banespa realizada no interior, aqui em Bauru, ontem, entraram em discussão diversos assuntos de interesse, entre eles a criação de uma linha de crédito especial para as empresas se prevenirem contra o Bug do Milênio, quando os computadores precisarão ser ajustados para "entenderem" a mudança de século, de 99 para 00.

De acordo com o gerente regional do Banespa em Bauru, Welcy Arantes de Carvalho, 45 anos, "o Banespa está entrando firme nisto, com linhas de crédito de 24 meses, com reajuste, provável, da TR mais 3%". O financiamento visa dar suporte financeiro para as empresas para que elas façam o trabalho como deve ser feito em relação ao Bug.

Nas reuniões mensais, explicou Carvalho, a diretoria do banco expõe para as regionais as diretrizes traçadas. Os gerentes ficam encarregados de executar dessas diretrizes, atuando na "linha de frente", diretamente com o cliente. Carvalho disse que "é discutido nestas reuniões, tudo que envolve uma agência bancária, desde o melhor atendimento" até novas estratégias de segurança.

As regionais são responsáveis por 21 mil funcionários, 1450 pontos de vendas e 3 milhões de contas correntes. Segundo o gerente regional de Bauru, a importância de estar sendo realizada esta reunião em Bauru é fantástica, porque ajuda a fazer o Banespa a atingir os números que o banco vem atingindo. "Aqui o Banespa está tendo excelente performance, sendo por dois anos seguidos a melhor regional em evolução do lucro", completou.