15 de março de 2026
Geral

Mão-de-obra

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Macatuba se une contra "invasão mineira"

Macatuba se une contra 'invasão mineira'

Negociações fracassam e vereadores buscam apoio junto aos deputados e a Secretaria das Relações do Trabalho e do Emprego

Macatuba

- Após dez dias de negociações pouco produtivas envolvendo o prefeito, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Macatuba, o Ministério Público, Câmara Municpal e o Grupo Zillo Lorenzetti, vereadores de Macatuba formaram uma comissão e foram à Assembléia Legislativa, cobrar apoio de deputados para contornar o problema que representaria, no mercado de trabalho regional, a provável contratação de cortadores de cana, que viriam de outro estado, em detrimento dos trabalhadores locais.

O vereador Manoel José Abel (PPB) disse que a nível local foram mais de dez dias de tentativa de negociações, em sucessivas reuniões, inclusive com o próprio grupo Zillo, que esteve representado em todas as reuniões pelo senhor Miguel Zillo. Nessas reuniões, segundo os vereadores, foram estudadas diversas propostas, inclusive a de se adequar os trabalhadores locais às mesmas normas que serão aplicadas na contratação dos trabalhadores de fora.

Sem que houvesse um acordo, os vereadores de Macatuba foram até a Assembléia Legislativa, onde mantiveram contato com os deputados estaduais, Carlos Braga

(PPB), Dorival Braga (PSDB), Pedro Tobias (PDT), Milton Flávio

(PSDB), Reinaldo de Barros (PPB), Luiz Carlos Gondin (PV), Rosemeire Correia (PMDB), Gilberto Nascimento (PSDB), Célia Leão

(PSDB), com o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Vanderlei Macris, e pediram a intervenção da Assembléia Legislativa, do secretário do Trabalho e do próprio governador Mário Covas. A preocupação, segundo os vereadores de Macatuba não é só a nível regional "Já que trabalhadores de todo o Estado (80.000) estarão sendo penalizados com a perda de seus empregos, com a já chamada 'invasão mineira', que já está criando um clima de rivalidade entre o desempregado já radicalizado no Estado de São Paulo e o empregado mineiro, que será visto como aquele que tomou o seu emprego".

Preocupação

A denúncia apresentada na Câmara Municipal de Macatuba durante a Sessão Ordinária do dia 8 de março, de que o Grupo Zillo Lorenzetti, proprietário das Usinas São José (Macatuba) e Barra Grande (Lençóis Paulista) estava contratando cerca de 1.000 trabalhadores rurais no Estado de Minas Gerais sendo certo 500 trabalhadores iriam ser alojados em duas fazendas de propriedade do Grupo Zillo Lorenzetti localizadas na cidade de Pederneiras e que outros 500 iriam para Macatuba e seriam alojados na Fazenda Pouso Alegre, e que as famílias de trabalhadores dessa fazenda seriam transferidas para outras sessões da usina ou ainda demitidas, causou grande apreensão entre os vereadores presentes.

Segundo os vereadores, a Fazenda Pouso Alegre

"é tida como fazenda modelo, pois possui toda uma infra-estrutura, como área de lazer própria, escola estadual, centro de saúde e creche municipal, para atender

à demanda das quase mil pessoas que ali residem, muitas delas com mais de 20 anos de fazenda".

Somando ainda a preocupação de que a vinda desses trabalhadores para a região, além dos inúmeros problemas sociais, irá aumentar ainda mais o desemprego já existente no setor canavieiro, os vereadores de Macatuba, conhecedores dos problemas locais e certos de que centenas de trabalhadores que foram demitidos no final da safra com a promessa de serem readmitidos no mês de abril irão ficar desempregados, no dia 11 de março realizaram uma reunião na Câmara Municipal, envolvendo o prefeito de Macatuba, José Henrique Soares, o Ministério Público representado pela promotora pública, doutora Flávia Maria José e o presidente do Sindicato Rural de Macatuba, Ronaldo Ferreira Santana, para juntos discutir a gravidade do problema.

Houve um consenso de que qualquer outra iniciativa diferente de uma negociação com o Grupo Zillo Lorenzetti, o que incluía até mesmo qualquer divulgação através da imprensa escrita e falada, somente seria tomada após terem esgotados todos os recursos junto à diretoria do Grupo Zillo Lorenzetti.

Essas tentativas, segundo os vereadores, esgotaram-se, por isso eles apelam aos políticos.

Queima da cana

Ainda na Assembléia Legislativa, os vereadores de Macatuba se mostraram preocupados com a aplicação do Decreto Estadual que prevê uma redução gradativa nas queimadas da cana de açúcar. Pelo Decreto, usinas e fornecedores deverão obrigatoriamente passar a fazer o corte da cana de açúcar na palha. Segundo os vereadores, nessas condições o trabalhador rural que recebe por tonelada de cana cortada, não conseguirá sob hipótese alguma cortar a mesma quantidade de cana queimada antes do corte. "Isso certamente irá representar uma redução drástica em seu salário, ou fará com que o preço da tonelada de cana cortada sofra uma alta acima de 200% para compensar a perda salarial, o que irá aumentar em muito o custo da mão-de-obra e por consequência o produto final, tirando a competitividade do açúcar paulista no mercado nacional e internacional", ressaltam os vereadores de Macatuba, que pleitearam junto às lideranças políticas do Estado uma dilatação nesse prazo ou mesmo a suspensão da Lei. Eles acreditam que "dado à grandeza do problema social que ocasionará o desemprego de mais um milhão de trabalhadores que com certeza perderão seus lugares para as modernas cortadeiras de cana, que as usinas já estão adquirindo para serem empregadas nas próximas safras, dando início assim a um processo de mecanização da lavoura, que após implantado em seu todo, será irreversível dado ao custo altíssimo do maquinário".

Pró-álcool

Os vereadores de Macatuba também cobraram das lideranças políticas de São Paulo mais incentivos ao Pró-Álcool, pois o Estado de São Paulo, segundo eles, (transformado num imenso canavial) pode pagar um preço alto demais se não for desenvolvido a curto prazo uma política de apoio ao setor canavieiro. O argumento

é que "a tonelada de cana vendida que foi a R$ 14,00 não cobriu as despesas gastas com corte, transporte, custeio, e plantio, levando os produtores que precisam reformar suas lavouras a recorrerem a financiamentos com juros altíssimos, sem terem a certeza de que vão poder honrar esses compromissos, e não perderem as propriedades dadas como garantia a instituições financeiras quando da realização dos empréstimos.