Enxaqueca atinge 20% da população mundial
Enxaqueca atinge 20% da população mundial
Texto: Sabrina Magalhães
Uma das cefaléias mais intensas, é caracterizada por manifestar-se de um lado só da cabeça, acompanhada de náuseas e ser precedida por alterações visuais e de humor
Um dos tipos de dor de cabeça mais intensa é a enxaqueca. Calcula-se que ela atinja uma em cada cinco pessoas no mundo. Chamada cientificamente de migrânea por manifestar-se quase sempre só de um lado do crânio, ela tem características próprias e bem definidas, como ser uma dor pulsátil, latejante, vir quase sempre acompanhada por náuseas e vômitos e ser precedida, em muitos casos, por sintomas específicos chamados "aura".
Segundo o neurologista Luiz Carlos Garcia Betting, as enxaquecas em geral são extremamente dolorosas, podem durar entre três horas e três dias e são rebeldes a medicamentos.
"Geralmente a pessoa enxaquecosa relata ter um tipo de sinal, a aura. Então, dias antes de ter a crise, ela percebe várias alterações, como tornar-se mais ansiosa ou mal-humorada, ela nota mudanças em seu apetite ou paladar (como sentir uma vontade incontrolável de comer doces), apresenta distúrbios visuais, como ver estrelinhas, ver como em tubo, ver manchas."
Outra característica da enxaqueca é que depois de manifestada a dor, aparecem outros sintomas, entre eles, náuseas, vômitos, sensibilidade extrema à luz e ao barulho
(foto e fonofobia). Ela também é de natureza cíclica, ou seja, vêm os sinais, depois a dor, que passa após algumas horas. Então, vem um período de acalmia e começa tudo de novo.
Não se sabe exatamente porquê algumas pessoas sofrem com esse tipo de cefaléia e outras não. Vários especialistas defendem que a dor é causada por um distúrbio na circulação do sangue nas artérias cerebrais: por algum motivo, há uma vasoconstrição (as artérias se estreitam), que reduz a passagem do sangue, aumentando a pressão. De repente vem uma dilatação e o sangue vem com toda aquela pressão para o cérebro, causando a dor.
Sabe-se também que a enxaqueca é hereditária. Com base nisso, outra tese defendida é a de que ela seja resultado de uma disfunção hormonal. O organismo humano, em geral, está preparado para sentir dor sempre que houver um corpo estranho atingindo aquela pessoa. Mas para evitar que este alarme seja acionado a toda hora, como por exemplo, pelo contato da roupa com a pele, existe uma substância que é inibidora desta dor. Certos indivíduos teriam uma disfunção na produção desta substância, de forma que até a passagem de sangue pelas artérias do cérebro, conforme a pulsação, seria sentida em forma de dor.
Fatores desencadeantes e prevenção
Betting ressalta que as causas da enxaqueca são desconhecidas. Porém, há vários fatores que desencadeiam as crises em pessoas predispostas à doença. Entre esses fatores estão vários alimentos (veja na página 4), bebidas alcoólicas, o cigarro, o estresse e os hormônios. Neste sentido, evitar esses fatores ou ter controle sobre eles pode funcionar como método preventivo.
Nas mulheres, a síndrome pré-menstrual e o uso de pílulas anticoncepcionais também aparecem como fatores desencadeantes de enxaquecas. Além da queda na taxa de estrógeno (hormônio feminino), tanto pela TPM quanto pelo contraceptivo oral, o organismo da mulher tende a reter mais líquidos. "O cérebro é muito sensível. Com um pouquinho mais de água do que é normal, ele já reclama, já se manifesta em forma de dor", comentou Betting.
Enxaqueca infantil
De acordo com os médicos, ao contrário do que se pensa, os pais devem dar mais atenção às crianças quando elas reclamam de dor de cabeça. Segundo o especialista em Terapia da Dor, Antônio Camargo, crianças podem apresentar sintomas de enxaqueca muito cedo, já que a doença é um mal hereditário. De repente, a criança fica mole, abatida, chora ou reclama que está sentindo dor (uma dor que é realmente muito forte), acaba vomitando ou dormindo. Esta criança precisa de tratamento.
"E temos também a dor de cabeça na criança que está mais ligada a distúrbios emocionais, particularmente em função de ambientes familiares tensos, pais rígidos, grande competitividade entre irmãos, escolas que exigem demais. A criança acaba ficando muito preocupada, tensiona os músculos e desencadeia cefaléias. De qualquer forma, as crianças sempre merecem uma investigação mais profunda, porque elas estão em fase de desenvolvimento,
época em que o aparecimento de tumores pode ser freqüente."
Auto-medicação
Por serem doenças freqüentes, as cefaléias acabam desencadeando outro problema: a auto-medicação. Está cada vez mais fácil obter analgésicos. Com a desculpa de que são fracos, eles estão expostos aos montes nas prateleiras dos supermercados e acabam sendo usados indiscriminadamente. É de conhecimento comum, no entanto, que medicamentos errados podem mascarar problemas mais graves, adiando a cura ou até agravando um quadro.
"Nos Estados Unidos, só em auto-medicação para dor de cabeça se consome US$ 2 bilhões por ano. São mais ou menos 100 toneladas e Aspirina. Levando em consideração que este medicamento é agressivo ao estômago, muitas pessoas acabam apresentando hemorragias gástricas e duodenais graves, entre outros problemas", comentou Camargo.
Neste sentido, os médicos destacam que os analgésicos são imprescindíveis no combate à dor, mas não podem ser tomados indiscriminadamente. Primeiro é preciso fazer uma boa investigação, descobrir as origens da dor, para combatê-la de maneira mais eficaz e não usando apenas medidas paliativas.
Dores devem ser sanadas logo no começo
Texto: Sabrina Magalhães
Tratamento implica em mudança de hábitos: dieta natural e balanceada, atividade física regular e relaxamento
"Uma regra é básica: nunca espere para tomar medicação depois que a dor já estiver intensa. Isso está errado, porque vai demorar muito mais para se controlar a dor e será preciso usar uma dose muito alta do remédio para obter um efeito satisfatório. Portanto, ao perceber que a dor vai começar, aí é que deve ser tomada a medicação. Uma regra simples e importantíssima - abortar a crise logo no começo", afirmou o terapeuta em Dor, Antônio Camargo. Para ele, sentir dor é algo que não se justifica, considerando a incrível diversidade de opções medicamentosas no mercado.
Mas em se tratando de crises, o melhor a fazer é prevenir. Considerando-se que existem fatores desencadeantes da cefaléia,
é preciso iniciar uma mudança de hábitos, fugindo de tudo o que possa provocar uma crise. "A primeira providência é aprender a melhor administrar a própria vida, evitando sobrecarga de trabalho ou estudos, buscando eliminar a tensão e reservando um tempo adequado para dormir, procurando ter um sono tranqüilo e em lugar silencioso.
Além disso, é preciso estar atento à alimentação. Quem sofre de enxaqueca não pode ficar em jejum prolongado nem abusar de certos alimentos. Por exemplo, recomenda-se fugir dos produtos "quentes" - como queijos amarelos, chocolate e amendoim -, das bebidas alcoólicas (principalmente o vinho tinto), de cafés, chás e refrigerantes, de açúcares em geral. O ideal é fazer pelo menos três refeições ao dia, abusando das verduras, legumes e frutas e diminuindo ou quase cortando a gordura.
De acordo com Camargo, é preciso dar uma atenção especial também aos produtos condimentados, industrializados e enlatados, que apresentam glutamato, uma substância que ressalta o sabor da comida. Muito comum nos temperos orientais, deu às enxaquecas originadas por esses produtos o nome de "síndrome do restaurante chinês". Só que o glutamato irrita a membrana dos neurônios, aumentando a atividade cerebral e desencadeando a dor.
Por último, é indispensável, segundo o médico, combater o sedentarismo, fazendo pelo menos alguns minutos de caminhada por dia. Na atividade esportiva, o indivíduo consegue um musculatura mais saudável, estabilidade circulatória e prazer, pela liberação das endorfinas. Juntos, esses resultados ajudam protelar novas crises.
Medidas alternativas
Como método preventivo, também é possível adotar medidas caseiras simples, como os chás calmantes de erva sidreira, de melissa ou camomila. Tomar suco de maracujá durante a tarde pode tornar o sono mais tranqüilo. Isso sem contar as práticas orientais, como a acupuntura, o Yoga, as massagens em geral. "Um tratamento de grande valor ainda
é o chamado bio feedback vasomotor: são aparelhos que mostram ao paciente seu estado de contração muscular, ensinando-o a perceber quando está tenso e o que fazer para relaxar. Com o tempo, ele vai aprender a auto-relaxar e até a abortar uma crise só com manobras de relaxamento."
Mini-relaxamentos
Mini-relaxamentos são técnicas de concentração na respiração ou na musculatura que ajudam a diminuir a ansiedade e tensão. Pode-se executar um dos procedimentos em qualquer lugar, a qualquer momento, de olhos fechados ou abertos, sem que ninguém perceba que você está relaxando. Executando sistematicamente os "mini", você previne estresse e evita o surgimento da dor.
Mini 1: Respire lentamente, contando de 1 a 3 ao encher o pulmão e de 3 a 1 ao soltar o ar. Repita 5 vezes.
Mini 2: Inspire e prenda o ar por vários segundos, solte e repita algumas vezes.
Mini 3: Conte, mental e lentamente, de 1 a 10, a cada respiração. Faça 3 vezes.
Mini 4: Contraia todos os músculos do corpo, conte até três e relaxe. Repita três vezes.
Mini 5: Contraia a musculatura das pernas, conte até três e solte; em seguia, contraia a barriga, conte até três e solte; faça o mesmo com o tórax e ombros e nos braços. Respire pausadamente, inspirando pelo nariz a expirando pela boca
Além dos "mini", tente reservar 20 minutos do seu dia para o relaxamento diário: escolha um lugar confortável e silencioso; sente-se com as costas retas ou deite-se sem travesseiros; feche os olhos e respire calma e pausadamente; mantenha a boca aberta e tente identificar os pontos de tensão do seu corpo; mentalize a palavra "relaxe" e vá soltando a musculatura; escolha uma palavra e repita enquanto respira - algumas pessoas costumam dizer 'paz', 'om', 'calma'. Se durante o relaxamento os problemas surgirem na sua mente, deixe que eles aconteçam, ignore-os, lembre-se da palavra escolhida. O relaxamento deve ser feito sempre no mesmo lugar e no mesmo horário, de preferência logo depois da atividade física (Fonte: Internet)