Mercado de produtos usados está em queda
Mercado de produtos usados está em queda
Texto: Luciano Augusto
Os comerciantes que trabalham com venda de móveis e eletrodomésticos usados estão sentindo fortemente a recessão. Mesmo com a chegada dos novos alunos nas universidades da cidade, que sempre aqueceram as vendas nestes meses do ano, o setor amarga queda nas vendas e nas margens de lucro.
O setor aponta como responsável pela queda, a recessão. Os habituais compradores estão procurando saídas mais econômicas antes de adquirirem um móvel ou um eletrodoméstico usado.
O comerciante Juceli Barbosa, 27 anos, chega até a acusar um pequeno aumento com a chegada dos estudantes, mas muito pouco significativo e passageiro. De acordo com ele, o universitário este ano veio e já trouxe móveis de casa, como cama e guarda-roupa. Para ele, o preço não é o maior responsável pela queda nas vendas, "mas sim a situação do País".
Na sua loja, em funcionamento a quase dez anos, ele calcula uma diminuição de 60% nas vendas em relação aos anos anteriores. "Cada ano vem piorando cada vez mais e ainda tem os encargos sociais, aluguel, e outros gastos. O País ao invés de crescer, está diminuindo", analisa.
Neide Lúcia Cham de Oliveira, 44 anos, proprietária de uma loja de usados no Centro, diz que o movimento este ano esteve abaixo das expectativas, com baixa de 20%. Um dos fatores apontados por ela é o aumento de apartamentos e quitinetes já mobiliados. Há, também, a concorrência de preços entre os produtos novos, de menor qualidade, com os produtos usados, muitas vezes de qualidade superior.
Oliveira disse que o "preço é a primeira coisa que os estudantes pesquisam e só depois vêem a qualidade do móvel ou do eletrodoméstico". Além disso, precisa ter a facilidade no pagamento com estabelecimento de prazos mais longos, em até três vezes, para o pagamento.
A comerciante também diz que não só o mercado de venda de usados para o consumidor está parado. A aquisição de mercadorias para formar o estoque da loja também está difícil e reflete o momento ruim vivido pelo País. Por isso, aponta, "os preços tiveram que cair pressionados pela queda nas vendas".
Outra que reclama do fraco movimento no setor este ano é a comerciante Marli Aparecida Pereira Greatti, 45 anos. Greatti afirma que teve que diminuir a margem de lucro praticada além de facilitar o pagamento. Até mesmo o produto campeão de vendas, a geladeira, está com as vendas paradas.
Trabalhando no ramo de comércio de usados há 25 anos, ela concorda que este período do ano já foi melhor. Sua loja, entretanto, trabalha bastante com clientes bauruenses, mas a procura deste público em relação a produtos usados é maior no final do ano, "quando recebem o décimo terceiro salário". Agora, reclama,
"é uma época ruim porque os bauruenses fizeram os gastos e agora chegam as contas". Ela também está facilitando o pagamento.