08 de julho de 2026
Geral

Leishimaniose

Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Bauru registra 1º caso de leishimaniose em dois anos

Bauru registra 1º caso de leishimaniose em dois anos

Bauru registrou no mês passado o primeiro caso de leishimaniose depois de dois anos sem detectar a patologia. A doença foi diagnosticada em uma paciente de 32 anos de idade que morava em Minas Gerais e veio para a casa de familiares a fim de fazer o tratamento. Ela ficou internada no Hospital Manoel de Abreu e morreu no último dia 28.

A informação de que a paciente era portadora da doença foi dada pela direção da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), mantenedora do Hospital Manoel de Abreu. A direção afirmou que a paciente deu entrada na unidade de saúde com a doença, mas não soube afirmar se a morte aconteceu em decorrência da patologia.

Até ontem, o caso ainda não havia sido notificado

à Secretaria Municipal de Saúde, que registrou a

última incidência doença em 1996, quando ocorreram dois casos importados (contraídos fora da cidade).

A diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Maria Helena de Abreu, explica que a secretaria não desenvolve trabalhos preventivos e só pode tomar as providências necessárias através da notificação, que é realizada porque a doença pode ter rápida evolução.

Como o caso registrado neste ano é importado, a medida seria a de entrar em contato com a família residente na cidade para eliminar a possibilidade de outras pessoas estarem com a doença. "Nossa preocupação é com a notificação porque sem ela fica difícil tomar medidas", argumenta. "O que fazemos constantemente

é o controle dos cães que visitam os veterinários, uma vez que eles servem como intermediários da doença".

Maria Helena afirma que as autoridades municipais da saúde não encontraram nos últimos anos o mosquito da família phlebotomus intermedius - mais conhecido como mosquito palha ou birigui - na cidade, o que diminui o risco de incidência da doença.

Transmissão

A leishimaniose é transmitida pelo mosquito contaminado pelo protozoário do gênero Leishmania. Apenas a fêmea transmite a doença, infectando-se com os parasitas contidos no sangue dos intermediários (mamíferos silvestres como o gambá, ou domésticos, como cachorro) ou dos humanos. O parasita se desenvolve no inseto até que ele contagie outra pessoa ou animal.

Uma vez picado, o homem demora entre três e oito semanas para manifestar a doença, que se caracteriza por dores de cabeça, febre e anemia profunda. Ela tem dois tipos de manifestação: a cutânea e a visceral.

O infectologista Fernando Monti explica que, no primeiro caso, a pessoa apresenta úlceras crônicas com bordas endurecidas, principalmente nos membros, lugares mais vulneráveis às picadas. Na manifestação visceral, a doença avança rapidamente pelos órgãos, atingindo principalmente o fígado e o baço.

Maria Helena de Abreu diz que os pacientes geralmente demoram para responder aos medicamentos, sendo necessário um tratamento prolongado.