Prefeitura quer recuperar patrimônio
Prefeitura quer recuperar patrimônio
Texto: Josefa Cunha
A administração Nilson Costa (PL) está disposta a investir na recuperação histórica e patrimonial de Bauru. A proposta de usar o antigo prédio da Rede Ferroviária como sede da Prefeitura - uma idéia que está bem perto de se concretizar - vem desencadeando outros planos e uma parceria com a Faculdade de Arquitetura da Unesp está prestes a ser firmada. O primeiro contato para viabilizá-la, aliás, ocorreu ontem e já superou as expectativas iniciais.
O prefeito e os secretários de Obras, Leandro Joaquim, e de Planejamento, Maria Helena Rigitano, estiveram reunidos na tarde de ontem com um grupo ligado à Unesp, mais exatamente ao curso de arquitetura. As intermediações com o Executivo foram estreitadas pela vereadora Maria José Majô Jandreice (PC do B), que também esteve presente na ocasião. O grupo, liderado pela professora e arquiteta Rosió Fernañdez Baca Salcedo, trabalha junto desde o ano passado e apresentou
às autoridades municipais um projeto que agrega a recuperação do patrimônio arquitetônico ao benefício sócio-cultural.
No ano passado, uma ampla pesquisa foi realizada em torno do tema. Os estudos e a abordagem incluíram desde o levantamento sócio-econômico dos moradores da região central
(a mais antiga e mais rica no que diz respeito ao patrimônio histórico da cidade) ao grau de consciência que essas pessoas têm sobre preservação, passando também pela observação das características das construções. Uma constatação interessante: o patrimônio recebeu mais valoração pelo sentido histórico do que pelo arquitetônico.
A partir do segundo semestre de 1998, as pesquisas do grupo voltaram-se para o prédio da antiga RFFSA, hoje parcialmente ocupado pela Novoeste. O levantamento, feito in loco, buscou averiguar o estado de conservação do imóvel, o que, posteriormente, redundou na proposta de recuperação do projeto original das instalações. Foi justamente esse ponto que despertou o interesse da Prefeitura.
Nilson Costa sempre acenou favoravelmente à revitalização do antigo centro de Bauru, particularmente da Praça Machado de Mello e adjacências. A idéia de usar o prédio da Rede como sede da administração municipal veio na seqüência, sobre o sustentáculo do valor histórico e da própria questão financeira
- a transferência das repartições para o local traria economia aos cofres públicos. "Aquilo (referindo-se ao imóvel) é maravilhoso", afirmou certa vez, sem esconder o sentimento nostálgico.
Celso Eduardo Montanher, estudante de arquitetura e integrante do grupo que esteve com o prefeito, garante que a recuperação do prédio é possível sem grandes gastos.
"A estrutura é boa; os problemas estão nas instalações (fiação elétrica, infiltrações, piso e calhas) e no acabamento", resumiu.
O investimento necessário para a reforma, entretanto, ainda não está estimado, mas o grupo se propõe desde já a levantá-lo. Isso, porém, só poderá ser feito depois que a Novoeste - "de mudança" para Campinas - desocupar o local e a Rede oficializar a cessão do prédio ao município. Os entendimentos nesse sentido já foram feitos verbalmente entre Nilson Costa e a presidência da RFFSA; a resposta definitiva é esperada para agosto.
A impossibilidade temporária de iniciar os trabalhos na antiga estação ferroviária, porém, não "amarra" o grupo de arquitetos. Eles, aliás, deverão ganhar um espaço no segundo andar do Palácio das Cerejeiras para avaliar outros projetos que envolvem o patrimônio de Bauru. "Nós precisamos de um lugar para realizar esses estudos. Nessa parceria, a Prefeitura nos cede esse espaço e nós oferecemos o suporte técnico", explicou a professora Rosió.
Imóveis pertencentes ao município e atualmente abandonados, a exemplo do antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC), o silos da Ceagesp e a Casa das Sementes, poderão também ser recuperados e, no futuro, oferecer algum tipo de serviço
à comunidade.