08 de julho de 2026
Geral

Prisão de ventre

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Síndrome do Intestino Irritável atinge 25% das pessoas no mundo

Síndrome do Intestino Irritável atinge 25% das pessoas no mundo

Texto: Sabrina Magalhães

A doença deixa o intestino hipersensível e ele passa a reagir intensamente a mudanças corriqueiras no ritmo de vida

Cerca de 25% da população mundial é vítima de uma disfunção intestinal chamada Síndrome do Intestino Irritável (SII), uma doença caracterizada por prisão de ventre ou diarréia recorrentes, acompanhadas por desconforto e dor abdominal. Porém, por estar ligado a problemas emocionais ou alimentares, o incômodo acaba ficando sem o tratamento adequado, como se fosse apenas uma alteração normal do organismo.

"Um incômodo desnecessário e que compromete a qualidade de vida do paciente", alerta o gastroenterologista da Faculdade de Medicina de Catanduva, José Alves de Freitas. Ele explicou que a definição da doença é relativamente nova (1988) e que a origem dela não é totalmente conhecida. Mas estudos recentes mostraram que o que acontece é uma hipersensibilização do intestino, ou seja, pequenas alterações no ritmo de vida da pessoa podem desencadear os sintomas.

Entre essas mudanças, as mais significantes são as emocionais. É o caso daqueles que fazem uma viagem e porque mudaram de ambiente não conseguem ir ao banheiro, afinal "não é a sua casa". Ou daqueles que apresentam fortes diarréias em véspera de prova, pouco antes de uma entrevista para um emprego, ou mediante qualquer situação de medo. As alterações podem aparecer ainda em função do estresse, já que a pessoa começa a deixar a evacuação para depois, porque está ocupada demais naquele momento.

Sintomas

A SII pode manifestar-se tanto com diarréias quanto com a chamada prisão de ventre, em que a pessoa chega a ficar vários dias sem evacuar. No caso da diarréia, o paciente sente fraqueza, pode apresentar desidratação, tontura. Por outro lado, sem conseguir evacuar, a pessoa tem a sensação de peso, a barriga fica inchada, pode haver urgência de defecação a qualquer momento, o desconforto dos gases. Nos dois casos, podem aparecer dores fortes (cólicas) que, em quadros graves, chegam a durar horas seguidas. E não bastassem esses incômodos, o paciente ainda apresenta fadiga, ansiedade e dificuldade de concentração.

Assim sendo, a SII interfere diretamente na rotina das pessoas, inclusive no trabalho. Segundo dados da Fundação Internacional sobre Doenças Gastroenterológicas, a enfermidade é responsável, em média, pela perda de 13 dias de trabalho dos pacientes por ano. Afinal, ninguém consegue trabalhar sentindo cólicas ou tendo que ir ao banheiro a cada cinco minutos.

Desinformação

Apesar de ser muito freqüente, atingindo cerca de 25% da população mundial, principalmente as mulheres (situação que se agrava no período pré-menstrual), 60% a 75% dos pacientes não procuram ajuda especializada.

"A SII é uma enfermidade pouco conhecida pelas pessoas, que ficam sofrendo à toa. Isso, em geral, está ligado

à desinformação, pois existe uma tendência a acreditar que este desconforto é normal ou então

é provocado por vermes. Muitos pacientes só vêm ao consultório depois de tentar vários vermífugos, sem que os sintomas desapareçam. Além disso, as crises podem ser espaçadas, dificultando ainda mais a percepção do indivíduo para o problema. Só que qualquer incômodo precisa ser investigado e tratado, para não prejudicar a qualidade de vida do indivíduo e a SII pode ser controlada."

Investigação é fundamental

Apesar de ser uma patologia moderna e relacionada a problemas emocionais e alimentares, os médicos salientam que a SII merece uma investigação bastante ampla, porque a partir de um problema aparentemente funcional, pode-se detectar uma doença orgânica em fase inicial ou até um câncer. E se realmente for só o incômodo de fundo emocional, o especialista também tem condição de minimizar o desconforto

"A investigação da SII é feita por exclusão, quer dizer, o paciente chega reclamando de dor abdominal, alterações na freqüência das evacuações ou na consistência das fezes, sensação de barriga inchada, de evacuação incompleta. Nós o submetemos aos exames apropriados. Se em todos o for normal, ou seja, se ficarem descartadas as hipóteses de câncer, infecções, inflamações ou qualquer problema patológico, mas ainda assim o funcionamento do intestino não é normal, então, o diagnóstico

é de Síndrome do Intestino Irritável."

Na opinião de Freitas, esse tipo de doença, em que não há problema orgânico, apenas uma disfunção do aparelho digestivo, deve ser destaque na medicina do século XXI, já que atualmente metade das consultas tem por objetivo acabar com esses incômodos em que os exames não encontram qualquer anomalia.