08 de julho de 2026
Geral

Mudança de partido

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 6 min

Paulo Lima netra no PMDB de olho no Senado

Paulo Lima entra no PMDB de olho no Senado

Texto: Josefa Cunha

O deputado federal Paulo Lima, depois de uma carreira ascendente no PFL, está agora empunhando a bandeira do PMDB e anuncia que já há entendimento em torno de seu nome para uma candidatura ao senado em 2002. Lima faz parte do grupo liderado por Michel Temer - já certo na próxima disputa do governo estadual - que objetiva o reerguimento do partido com um perfil novo, diretamente voltado para as questões sociais. Apesar de ter se "criado" entre os pefelistas, Lima não poupa ataques ao ex-partido. Em entrevista ao Jornal da Cidade, ele define a cúpula do PFL como um "ninho de cobras" que acomoda salafrários e bandidos. A seguir, confira os principais pontos da conversa com o deputado.

Jornal da Cidade - Depois de um período de conquistas políticas no PFL, o senhor entra no PMDB. Por que a mudança?

Pauo Lima - Entrei para integrar o novo PMDB, que objetiva a revisão de suas bandeiras sociais, a resistência

à imposição, ao sistema que ainda existe dentro do governo e só enxerga as questões econômicas e estruturais. O novo PMDB de São Paulo, mais exatamente, está insurgindo na figura do presidente da Câmara Federal, Michel Temer. Como candidato nato ao governo do Estado, ele aparece como um nome marcado pela experiência, competência e probidade. Em torno do Michel estão se agrupando deputados federais e estaduais com vistas no fortalecimento do partido para as próximas eleições. O PMDB terá candidato ao Senado e há um entendimento de que eu seja uma opção para essa candidatura. Desde já estamos trabalhando junto às bases, às bancadas a fim de entusiasmar a militância. Nosso propósito

é conquistar a adesão de líderes municipais. O PMDB, aliás, tem o projeto de eleger 250 prefeitos no Estado.

JC - Falando em município, como o senhor vê a situação dos dois principais líderes peemedebistas de Bauru, Roberto Purini e Tidei de Lima, que não tiveram bom desempenho nas últimas eleições?

Paulo Lima - O PMDB será trabalhado como um todo, através de encontros, seminários e eventos. Em Bauru, o Purini é um nome histórico dentro do partido, tendo em vista seus seis mandatos a deputado. Ele tem prestígio e reconhecimento junto à comunidade regional. O Tidei, pelo fato de ter sido deputado, secretário de Estado e prefeito, tem o nome fortalecido nas urnas. Temos que ressaltar, porém, que ninguém ganha todas. Na história política do país temos a derrota de Jânio Quadros, Fernando Henrique, Covas, Maluf, Juscelino, entre outros exemplos. Dentro da proposta do novo PMDB para os municípios, contaremos com a experiência desses líderes. O Tidei, sem sombra de dúvidas, é um nome forte e pode ser o candidato. Precisamos avaliar questões, perfis e acho perfeitamente viável o partido conquistar a Prefeitura de Bauru no ano que vem.

JC - O PMDB vem há tempos mostrando que está rachado entre os que apóiam o governo e os opositores. Em qual ala o senhor se enquadraria?

Paulo Lima - O novo PMDB vem com objetivos, ideais e, principalmente, com um programa para servir o país. Entretanto, um partido efetivamente democrático permite abertura para discordâncias, até porque Nélson Rodrigues já nos ensinou que a unanimidade é burra. Eu acho perfeitamente normal essas divergências internas que eventualmente ocorrem em relação ao governo federal. A grande maioria apóia o governo por entender que o projeto administrativo vale a pena. Nós estamos com o governo para trabalhar a conquista de avanços, embora esse tipo de comentário já tenha virado um jargão político. Precisamos, entretanto, pôr em prática esse programa, cobrando ações e o PMDB tem uma grande vantagem nesse sentido que é a presença de representantes em pastas-chaves do governo, como é o caso dos Transportes, Justiça e Políticas Regionais. O ministro da Justiça, Renan Calheiros, por exemplo, está desenvolvendo seu trabalho com grande maestria e competência. Com coragem, ele tem sido muito rápido nas respostas à sociedade.

JC - Por falar em Justiça, como o senhor avalia a CPI do Judiciário e a proposta da CPI dos Bancos?

Paulo Lima - Nós queremos reformar o Judiciário, que é um poder independente e pleno, a fim de conquistar o bom funcionamento da justiça no País. Não desejamos uma CPI ou qualquer imposição que coloque juízes na cadeira dos réus, como acusados. Agora, a CPI dos Bancos eu julgo necessária, tanto que estamos tentando fazê-la mista, entre Câmara e Senado. O povo brasileiro aguarda ansioso uma explicação para esses lucros astronômicos das instituições financeiras. O senador Jáder Barbalho (presidente do PMDB) foi muito feliz em propor essa CPI. Os bancos devem servir a população e não ser o espólio dos trabalhadores e empresas.

JC - No ano passado, ainda quando o senhor estava no PFL, sua intenção era ser candidato ao governo estadual. O que motivou essa mudança de planos?

Paulo Lima - O PFL é um partido que tem dono, onde o comando vem de Pernambuco, a gerência de Santa Catarina e as ações são extremamente ilegais. Nos

últimos três anos, eles dissolveram todos os diretórios paulistas porque as bases se rebelaram contra a conduta da cúpula estadual. Essas dissoluções não tiveram outro objetivo senão o de manipular o partido. O PFL é alugado permanentemente; está aí o exemplo mais recente que é o Celso Pitta. Eu sou democrata e não aceito essa postura. O PFL é um ninho de cobras, onde existem pessoas que não têm dignidade. Em nível de país, a coisa era diferente, principalmente quando tínhamos ainda a liderança do Luís Eduardo Guimarães. Meu projeto político dentro do PFL estava atrelado a ele e, com seu falecimento, o partido esfacelou-se. Hoje, as brigas internas são generalizadas no PFL em virtude das posturas impositivas, ditatoriais e germânicas do seu presidente.

JC - Qual foi o estopim para a sua saída?

Paulo Lima - Houve sim. Eu acho que extrapolaram a democracia e os direitos dos militantes. Eu vejo que parte desse grupo que está no comando da cúpula abriga salafrários, bandidos mesmo. Sempre fiz oposição ostensiva a essas pessoas, mas foi impossível continuar. Falo isso com determinação e, se necessário, provo.

JC - O seu pai, o deputado Agripino Lima, também deixou o PFL, mas filou-se ao PTB. A separação política entre vocês foi estratégica?

Paulo Lima - O deputado Agripino Lima saiu do PFL pelos mesmos motivos. Ele foi para o PTB porque ele pretende candidatar-se novamente à Prefeitura de Presidente Prudente. A cidade está precisando de seu trabalho e dedicação. Estamos participando, porém, do mesmo processo de fortalecimento do PMDB.

JC - Para finalizar, gostaria de saber de seus projetos enquanto deputado reeleito.

Paulo Lima - Dentro do nosso trabalho de legislar, eu tenho a proposta de uma reforma tributária completa, a qual eu considero ser perfeita por ser municipalista. Tenho propostas também contra a clonagem humana, a profissionalização dos peões de rodeio e outras várias. Em 1998, eu fui considerado o parlamentar que mais produziu para o Estado de São Paulo, ficando em quinto lugar em nível de Brasil. Para Bauru, conseguimos viabilizar casas populares e coloquei no orçamento da União uma escola padrão que está à disposição do prefeito Nilson Costa. Acredito que ele até já tenha retirado essa verba e esteja a construindo. Estou aberto à Prefeitura de Bauru e às autoridades constituídas da cidade. Meu gabinete está à disposição e gostaria até de deixar meu telefone (061) 318-5507.