07 de julho de 2026
Geral

Interdesign

Eva Rodrigues
| Tempo de leitura: 6 min

"Sólida formação cultural é exigência para web design"

"Sólida formação cultural

é exigência para web design"

Texto: Eva Rodrigues

A sexta edição do Interdesigners teve início, na última segunda-feira, no campus da Unesp/Bauru, com a palestra "Design na Web", filão em ascenção que vem a reboque da popularização da mídia Internet. Os web designers Rodrigo Tobias (estudante de Desenho Industrial), Daniel Brum (arquiteto e urbanista) e Filipe Rios

(estudante de Publicidade e Propaganda) abordaram um aspecto mais filosófico da Internet, ou seja, como ela vem sendo usada pelas pessoas no seu dia-a-dia e como vem influenciando e modificando a linguagem das outras mídias. Além disso, mostraram os trabalhos desenvolvidos na área de web design e procuraram estabelecer a diferença entre um web designer e um "sobrinho". Confira na entrevista concedida ao Infonews.

Que avaliação vocês fazem da Internet hoje sob o ponto de vista do design?

Daniel - É um mercado um pouco confuso porque você tem profissionais de verdade mas ao mesmo tempo qualquer um pode montar "teoricamente" uma empresa de web design: você precisa de uma máquina mais ou menos potente, uma conexão e começa por aí. A gente chama esse profissional que não tem formação específica mas que arrisca pegando catálogos de imagens e montando uma pagininha qualquer para uma farmácia de esquina de sobrinho. O sobrinho é aquele cara que o cliente chega e diz: "Ah, você está cobrando tanto por um trabalho, mas o meu sobrinho faz por tanto". Esse trabalho de sobrinho mostra como a Internet é um mercado que ainda não se consolidou. Por um lado não é tão rentável a ponto de os grandes profissionais, os nomes mais conhecidos, ingressarem. Por outro lado, alguns já ingressaram ou estão conquistando o espaço que não está sendo pego pelas grandes estruturas, pelas grandes empresas que trabalham nessa área. Quer dizer, é uma via de altos e baixos, todos dividem o mesmo mercado, inclusive os preços oscilam muito - há preços altíssimos e preços baixíssimos. Esse é o cenário...

Rodrigo - Como ainda é uma terra de ninguém, ou seja, os grandes ainda não entraram, é uma oportunidade para quem está começando e está disposto a aplicar idéias novas na Internet - é barato, fácil e está sempre se modificando. Se você faz desktop publishing já tem um esquema pronto, uma estrutura, agora a Internet está mudando: em seis meses é uma tecnologia que está dominando, seis meses depois é outra, isso vai fazendo com que a pessoa que cria se aperfeiçoe, evolua.

O cliente de hoje já tem condições de diferenciar um trabalho de "sobrinho" de um trabalho profissional?

Daniel - Há clientes extremamente conscientes e outros clientes que ainda vão contratar "sobrinhos" por um bom tempo.

Filipe - Hoje, as coisas estão acontecendo da mesma forma que aconteceu com o designer gráfico. Com o surgimento das revistas, do off-set, que facilitaram a produção do designer gráfico, isso causou um deslumbramento nas pessoas e causou uma produção que se apoiava na tecnologia muito mais fortemente como está sendo hoje com o web design. O web design ainda se apóia muito na tecnologia, então as pessoas que sabem usar minimamente as máquinas conseguem fazer, o que não quer dizer que a qualidade seja boa. E assim como têm os sobrinhos da Internet também têm os sobrinhos do design gráfico porque é uma área que também não demanda muita tecnologia pra você conseguir fazer um folheto, desenvolver um logotipo

- que seja horroroso, talvez -, mas você consegue fazer isso com um programa de banca de jornal. Vai ficar bom como um trabalho profissional? Não sei. Aí entra o aspecto do profissionalismo no trabalho, da exigência do cliente e da confiança. Porque uma pessoa vai cobrar R$ 50,00 pelo trabalho e outra pessoa vai cobrar R$ 1 mil pelo mesmo trabalho

- que diferença é essa? O que vai ditar isso é a qualidade do próprio trabalho e a exigência do cliente - o cliente que paga R$ 50,00 nunca vai pagar R$ 1 mil e o cliente que precisa de um trabalho de R$ 1 mil jamais vai contratar um trabalho de R$ 50,00.

Web design é o grande filão atual ou é apenas mais uma possibilidade?

Daniel - É mais um filão. Ele não vai substituir outras mídias, isso já é consenso. Já se fala em fusão de TV com Internet, ou seja, TV interativa. Enfim, a Internet está criando espaço para profissionais emergirem, aqueles que não estavam em estruturas de agências de propaganda, em grandes escritórios de design. O web design está criando espaço para profissionais novos - aqui tem três.

Quais os softwares mais interessantes que vocês estão usando hoje?

Daniel - Para editoração de imagens o mais básico ainda é o Photoshop; o dreamweaver, que é uma ferramenta interessante para se fazer animação; editor de HTML simples; animações em gif animado que é um recurso que se usava bastante e já está sendo superado; e softwares mais avançados como o Flash, que tem um resultado leve, é extremamente amigável e fácil tanto para quem faz quanto para quem visualiza.

Filipe - Eu uso também o Fireworks, da Macromedia, para transformar imagens - é um programa que comprime bastante a imagem e com uma qualidade muito boa. Com relação ao Flash acho importante dizer que é muito fácil de usar, uma pessoa que não tem muito domínio da

área vai fazendo e aprende a mexer facilmente. O problema

é que as funções complicadas pouca gente usa e as funções básicas ficam muito repetitivas. Se a pessoa não tiver uma forma de fazer o básico interessante isso se perde. A gente pode até comparar com o cinema: você tem o plano, close, meio plano, traveling, zoom in, zoom out. O que um bom diretor faz com isso? misérias. O que um mau diretor faz com isso? Um filme horrível.

Rodrigo - Além das ferramentas já citadas, uso o Director que faz shockwave. Ele tem uma interação com Flash muito boa, você pode usar imagens leves e rápidas junto com uma programação mais complexa. Também tem um programa muito bom, o Midiocleaner, usado em criação de vídeo. Ele faz uma compressão de vídeo muito boa e de áudio também.

Qual o requisito para um bom web designer?

Daniel - Bom, vou advogar em causa própria: autodidatismo, isso é o básico porque a mídia, em termos de recursos técnicos, evolui dia a dia. A gente falou aqui de vários softs que daqui a quatro meses começam a se modificar. E também uma formação filosófica, prática, de designer - seja em arquitetura, designer gráfico, cinema. Uma formação intelectual sólida e um bom autodidatismo são os principais.

Filipe - Se você tem uma formação cultural bastante interessante em todas as áreas que você conseguir: ler bastante, ir ao cinema, ver vídeo, artes plásticas em geral (...) Se você é uma pessoa que vai atrás dessas coisas, é comunicativa, e tem clareza dos objetivos de seu trabalho, pra mim esse é o caminho.

Rodrigo - Primeiro você precisa ter uma boa formação acadêmica, se empenhar bastante em saber o que está acontecendo no mundo, não só no seu meio, tentar transformar o que você capta desse mundo para a sua criação, ter um pouco de talento e ter força de vontade sempre.