08 de julho de 2026
Geral

Falências

Paulo Toledo
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Pedidos de falência caem em março

Pedidos de falência caem em março

Texto: Paulo Toledo

Os pedidos de falência que deram entrada no Cartório de Ofício de Distribuição Judicial do Fórum de Bauru, em março, tiveram uma retração de 14,82%, em relação ao mesmo mês de 98, caindo de 27 para 23. Se comparado com o mês anterior, quando foram feitos seis pedidos de falência, há um crescimento de 283,33%, segundo levantamentos do diretor do Cartório, Claudemir Jair da Silva (veja quadro). No trimestre, o levantamento mostra uma retração de 8,7%, baixando de 46 pedidos para 42.

Para o economista, consultor de empresas e professor universitário Carlos Roberto Sette, 49 anos, essa retração tem dois motivos principais: a seletividade que ocorreu no mercado, nos últimos quatro anos, na qual as empresas menos estruturadas já quebraram, e, o fechamento de várias empresas, cujos proprietários conseguiram saldar seus débitos, mas encerraram as atividades para evitar a falência.

Sette diz que a desvalorização cambial e alta dos juros poderá influenciar a vida das empresas nos próximos meses, já que, num primeiro momento, as empresas começaram a ficar apertadas. Para ele, as conseqüências virão no final do ano. Com isso, deve ocorrer uma tendência de aumento nas falências. "Uma falência tem um efeito retardado, não ocorre rapidamente", afirmou.

Sette destaca que um grande número de empresários tem buscado o fechamento das empresas para evitar entrar num processo de quebra. Segundo ele, essas pessoas quitam as dívidas que contraíram e encerram a atividade, evitando ficar com o "nome sujo" na praça.

O economista destaca que muitos empresários desmobilizaram seus patrimônios pessoais para investir na produção, para tentar driblar as dificuldades enfrentadas na empresa. Segundo ele, em razão da nova política do governo de taxas de juros altas e desvalorização cambial, muitas empresas estão vivendo um cenário de dificuldades cada vez maior, com crescimento da inadimplência, retração no volume de vendas e dificuldades para obtenção de capital de giro, que levam a uma projeção de crescimento do número de falências em 1999.

De acordo com Sette, os credores adotaram uma política de tentar, ao máximo, acordos com seus clientes inadimplentes antes de tomar uma atitude drástica como pedir a falência. Ele lembra que essa atitude se deve ao fato de, na falência, a empresa que quebrou, na maioria dos casos, não tem nada a oferecer para quitar o débito. "Antes de pedir a falência, tenta de tudo. Pega carro, terreno, máquina, estoque. Tenta de tudo. Às vezes, as coisas vão se contornando. As falências são aqueles casos extremos que não tiveram jeito, mesmo", afirma.