Família acusa Pronto Socorro de negligência médica
Família acusa Pronto Socorro de negligência médica
Texto: Andréia Alevato
A família de Carlos Pancini está acusando o Pronto Socorro Municipal da Bela Vista por negligência médica. Um Boletim de Ocorrência foi registrado para que haja averiguação do fato. Carlos Pancini, que já teve infarto há alguns anos, foi atendido no local, sábado à noite, por apresentar fortes dores no peito. Foi medicado por causa da pressão alta e liberado em seguida. Em casa, na madrugada de domingo, morreu. A causa, segundo o Atestado de Óbito foi infarto.
Segundo contou o filho da vítima, Paulo Sérgio Leão Pancini, seu pai foi atendido por um médico, que ele não sabe o nome, medicado por apresentar pressão muito alta e ficado em observação no PS da Bela Vista por 30 minutos. Nesse tempo, a pressão baixou, mas Carlos Pancini continuava sentindo dores no peito. A médica Maria Lúcia Amaral foi quem deu alta para Carlos Pancini.
"Ela disse que as dores ainda continuavam por causa da pressão alta, mas que o remédio estava fazendo efeito e logo a dor ia passar", contou Paulo Sérgio.
O filho da vítima disse também que chegando em casa, seu pai continuou com dores fortes até de madrugada. Por volta das 6 horas da manhã de domingo, Carlos Pancini morreu de infarto.
"Meu marido ainda saiu do PS com dores no peito, sem fazer um exame mais minucioso, como um eletrocardiograma. Eu acho que ele deveria ter sido tratado com mais atenção, porque meu filho informou ao médico que o atendeu que meu marido já tinha tido infarto. Ele deveria ter sido internado ou ficado em observação pelo antecendente que tinha e pelos sintomas que apresentava", protestou Iracema Leão Pancini, esposa de Carlos.
Quando Iracema percebeu que o marido estava morto, chamou o resgate. A vítima foi levada de ambulância até o PS Mary Dota e depois ao necrotério do PS Central.
"Um médico do PS Mary Dota disse que ele já estava tendo o infarto desde a hora que foi para o Pronto Socorro e que um eletro devia ter sido feito. Eu sei que meu marido não vai voltar mais, mas isso não pode acontecer com mais pessoas. Quero justiça", completou Iracema.
A diretora do Departamento de urgência e semi-urgência
(todos os Prontos Socorros) da Prefeitura, Marília Simões Garcia, afirmou que consultou a ficha do paciente e constatou que o primeiro médico que atendeu Pancini foi "dr. Stamato" (ela não soube dizer ao certo qual era o primeiro nome), e que a médica Maria Lúcia Amaral só deu alta ao paciente. Para ela, o fato foi uma fatalidade.
"Na ficha consta que o paciente apresentava pressão alta, foi medicado, ficou em observação por determinado tempo e foi liberado assim que a pressão baixou. Não sei qual o critério adotado pelo médico. Na hora, ele pode ter achado que não era necessário fazer um eletro ou internar o paciente. Não sei a justificativa correta. Mas, tanto o dr. Stamato quanto a dra. Maria Lúcia são médicos bons. Isso são coisas que acontecem. Não podemos considerar que foi um descaso ou falta de comunicação entre os dois médicos. O que aconteceu foi uma fatalidade", concluiu Marília Garcia.