Ambulantes retornam as compras no Paraguai
Ambulantes retomam as compras no Paraguai
Conforme afirmação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Economia Informal de Bauru (Sinteib), Mário Augusto dos Santos, 51 anos, os trabalhadores já retomaram as viagens ao Paraguai. Entretanto, os ambulantes estão comprando menos, porque a desvalorização do real cortou parte dos recursos.
Como explicou Santos, "no momento, as pessoas estão voltando a comprar, mais com poder aquisitivo menor". A devastadora desvalorização do real neste ano fez aumentar o dólar em quase 80%, inviabilizando toda e qualquer possibilidade de negócios. Agora, com o câmbio mais estável, os brasileiros, e especialmente, os bauruenses, estão voltando a viajar para o Paraguai.
Algumas lojas paraguaias têm o seu próprio câmbio e negociam o real, conforme informação do presidente do sindicato, a R$ 1,50. Isso ameniza um pouco a crise. A frágil situação política do País é outro ponto negativo para os camelôs.
Outro fator que desestimula os ambulantes é a proibição da comercialização de produtos como cigarro, CDs e bebidas alcoólicas.
O número de trabalhadores na economia informal na região central diminuiu bastante, de acordo com o representante dos ambulantes. Em compensação na periferia, diz ele, "aumentou, tanto na área de produtos como na área de alimentação".
Regulamentação
Sobre a regulamentação, o sindicato informou que os informais estão em fase adiantada de regulamentação e que já está com uma reunião agendada para os próximos dias com o Prefeito Nilson Costa. "Nós queremos um parecer do Executivo sobre a criação do espaço para os camelôs".
Além disso, segundo Santos, está havendo um levantamento por parte da Prefeitura, abrangendo desde o pipoqueiro até o engraxate, para saber quantas pessoas atuam na economia informal hoje em Bauru.
Na parte sindical, está sendo feito contato com a regional da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) "para que haja um abatimento na abertura das micro-empresas (ME)". Hoje o preço de abertura de uma ME gira em torno de R$ 250,00 a R$ 300,00. Um acordo com a Jucesp deverá ser viabilizado, derrubando o preço para R$ 36,00, pagos à Junta. A Jucesp colocaria ainda, a partir de maio, três contadores do Sindicato dos Contabilistas, para fazer a regulamentação de cada informal. "Este custo seria zero para o trabalhador, que pagaria somente a taxa da Jucesp ", diz.
De acordo com o sindicalista, alguns trabalhadores informais já montaram suas MEs e estão com a situação devidamente regularizada.
Questionado se a regulamentação poderia trazer discordâncias
à categoria, Santos argumentou que em "todas as entidades sindicais tem sempre as pessoas que são contra e as que são favoráveis. Tem gente que só vê as desvantagens e não olha para as vantagens".